Radwin quer fabricar rádios no Brasil


A israelense Radwin, que produz equipamentos para backhaul, está estudando a produção de rádios no Brasil. A decisão deve ser tomada na próxima semana, quando o vice-presidente da empresa, Roni Weinberg, responsável pelas operações da companhia, retorna a Israel e apresenta ao board da companhia as informações que colheu durante sua visita de negócios ao Brasil. A produção local poderá ser viabilizada por meio de parceria com uma empresa nacional, que enquadraria os produtos da Radwin no PPB (Processo Produtivo Básico) e, se necessário, buscaria recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar a operação.

Criada há dez anos e há três comercializando seus produtos no país por meio de distribuidores, a Radwin concentra hoje todo o processo de pesquisa e desenvolvimento e fabricação em Israel, mas tem planos de produzir em outros países, inclusive no Brasil, conforme informou hoje seu vice-presidente, que está em São Paulo. “A fabricação local é um processo inevitável”, afirmou Weinberg.

O vice-presidente avalia que de todos os planos de banda larga anunciados ou em implementação nos vários países, o Plano Nacional de Banda Larga elaborado pelo governo brasileiro se destaca, pelo modelo de cobertura proposto. A empresa, que produz rádios para ligar o núcleo e as periferias das redes, com capacidade de transmissão de até 200 Mbps, numa área de cobertura de até 120 quilômetros, acredita que se o PNBL conseguir levar a conexão por fibra e vender capacidade para os provedores de acesso, a preços mais baixos, haverá um enorme crescimento no mercado de banda larga. “Se os 1.600 provedores do país puderem buscar o megabit no Pop e levar o acesso através de rádio de alta capacidade para a sua cidade, a inclusão realmente vai acontecer no país”, observou Vanderlei Rigatieri Jr., diretor geral da WDC, um dos distribuidores da Radwin no Brasil. Segundo ele, as associações de provedores tem reivindicado ao presidente da Telebrás, Rogério Santanna, que o preço de megabit por banda seja em torno de R$ 230.

Fora o PNBL, acrescentou Weinberg, o país está em “muito boa situação econômica” e vai sediar grandes eventos (Copa do Mundo e Olimpíadas), que exigirão investimentos em infraestrutura de telecomunicações. O vice-presidente destacou que a empresa acredita ainda na expansão das cidades digitais, com a adoção de rádios de alta capacidade no backhaul. Atualmente, fornece os equipamentos para o projeto de inclusão digital em implementação pelo governo do Ceará.

Lançamento

O vice-presidente da Radwin também anunciou o lançamento de um novo produto, o Radwin 2000 C, chamado de combo por operar nas frequências de 4.9 GHz até 6 GHz, usando o mesmo equipamento. “Nossos equipamentos operam tanto na banda licenciada de 4.9 GHz quanto na banda livre de 5.4 GHz e 5.8 GHz”, explicou Wilson Conti, diretor da Radwin para o Mercosul. Segundo ele, o equipamento já está em funcionamento em um provedor de Minas, que conseguiu uma cobertura de 95 quilômetros com transmissão de 40 Mbps.

A israelense fornece rádios para os segmentos de operadoras de telecom, ISPs, governos e para cidades digitais e tem 150 mil unidades comercializadas mundialmente. A empresa está presente com escritórios em mais de 120 países e apenas no primeiro semestre deste ano teve crescimento de 45% no faturamento, segundo Weinberg.

No Brasil, opera com três distribuidores: a WDC para os mercados de ISPs; AsGa, que atende as operadoras de telecom; e Micom para as vendas para o setor público. Além da venda direta por meio de distribuidores, a Radwin tem parcerias comerciais com Ericsson e Nokia Siemens para a comercialização de seus produtos em frequências abaixo de 6 GHz e tem 50 integradores certificados no Brasil.

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