Radiodifusores querem resolver interferências na TV digital antes de leiloar a faixa de 700 MHz para 4G


O setor de radiodifusão não abre mão de parte da faixa de 700MHz – que abriga do canal 14 ao 59 nos grandes centros – para assegurar o livre acesso de toda a população à TV aberta e para expansão do serviço. E considera precipitado se falar na antecipação do leilão da frequência antes de solucionar os problemas de interferência do serviço móvel em LTE na TV digital, já observados na Inglaterra e no Japão, no uso conjunto da faixa.

Esse é o resumo do ofício entregue nesta terça-feira (18) ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, pelos representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e pela Associação Brasileira de Radiodifusão (Abra). No documento, as entidades sugerem a criação de um grupo de trabalho para aprofundar o assunto. O MiniCom já anunciou a licitação da faixa de 700 MHz para 2013 e permitir o uso da 4G onde está desocupada.

Nas reivindicações apresentadas pelas entidades também está incluída o ressarcimento, pelas teles, de todas as emissoras cujos canais forem realocados. Elas pedem ainda a reserva dos canais 5 e 6 da televisão para a migração do rádio AM.  Mas o tema não foi detalhado no encontro.

 
Segundo o presidente da Abert, Daniel Slavieiro, o documento é sucinto, mas deixa clara a posição do setor na questão da migração da faixa de 700 MHz para a banda larga móvel 4G. “A nossa preocupação primordial é também a do governo, de não deixar a população sem acesso livre à TV aberta”, afirmou. Ele reconhece a maneira sensata com que o ministro Paulo Bernardo está conduzindo o tema, mantendo o diálogo com a radiodifusão, o que deixa o setor confortável.

No documento também está destacado o estudo da Sociedade Brasileira de Engenharia da Televisão (SET), apresentado na semana passada, que ressalta os problemas de interferência da 4G na TV digital da Inglaterra, onde o LTE funciona na faixa de 800 MHz. “O governo de lá criou um órgão público só para resolver isso porque tem 10% dos domicílios com problemas de interferência”, disse o vice-presidente da Abra, Frederico Nogueira.

De acordo com os radiodifusores, essa questão tem que ser analisada com mais profundidade pelo grupo de trabalho proposto, para responder, por exemplo, como mitigar a interferência, se o uso de filtros é suficiente, e quem vai pagar por isso. “O que está se querendo evitar é de que esses problemas se repitam no Brasil. Mas como fazer isso se não tem uma solução pronta, salvo se adotar as medidas dos EUA, onde praticamente não existe TV aberta, que é um modelo de negócio muito pequeno. Não dá para seguir o exemplo”, ressaltou Nogueira.

Switch Off

Slavieiro disse a questão do desligamento, apesar de tangenciar as discussões sobre a faixa de 700, é outro ponto. “Tem que ser tratado como um projeto a parte, porque inclui a digitalização das retransmissoras, inclui um plano de massificação do septop box e inclui também um cronograma de desligamento e nós entendemos que escalonar o desligamento em algumas cidades um pouco antes e principalmente o interior do Brasil um pouco depois é uma questão que precisa ser aprofundada, mas faz sentido, do ponto de vista da radiodifusão”, defendeu.

“O MiniCom criou um grupo de trabalho para discutir o switch off, mas não vejo problema em que seja escalonado”, disse Nogueira. Mas reconhece que há dificuldades das pessoas em aquisição dos receptores de TV digital e na questão do sinal de TV no celular. “Antes de resolver essas premissas, não se pode falar em data para o switch off”, disse.

Slavieiro e Abert saíram da reunião com a expectativa de que o grupo de trabalho será instituído. “O ministro não tinha ideia do tamanho da interferência que está evidenciada pelos estudos. Ele está sensível sobre a necessidade de melhor avaliação do assunto”, completou Nogueira.

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