Raabe: O lado oculto do 5G


*Por Peter Raabe, diretor global de estratégia da RFS

A expansão do 4G ainda é o foco principal das operadoras móveis na América Latina. Mas o 5G não está fora do horizonte. Segundo estimativa da GSMA Intelligence, a cobertura 5G aumentará rapidamente até 2025, atingindo pouco mais de 40% da população. Espera-se que o México seja o primeiro país latino-americano a lançar serviços comerciais de 5G, sendo que testes já estão em andamento também no Brasil.

Com a expectativa de que as conexões 5G ultrapassem 62 milhões em 2025, as operadoras enfrentam o desafio de estender a cobertura 4G e, ao mesmo tempo, concentrar esforços nas redes futuras. O investimento contínuo em 4G significa que será preciso ainda mais inteligência nos gastos com infraestrutura, nos próximos cinco anos. A chave será superar os obstáculos encontrados no caminho para o 5G, garantindo um lançamento adequado.

Os principais desafios nesse caminho concentram-se em três áreas: restrições do site, implantação em áreas urbanas e a garantia de retorno do investimento (ROI).

No primeiro caso, os sites de celular são finitos e os sistemas 4G serão uma parte crítica dos modelos de negócios das operadoras no futuro próximo. O 5G precisa cumprir suas promessas de alta capacidade, mas simplesmente expandir a quantidade de sites não é uma opção. Em relação à implantação em áreas urbanas, sem dúvida, as cidades são um local em que os casos de uso do 5G são bastante promissores. Mas, para isso, o nível de penetração necessário representa um obstáculo a ser superado.

Quanto ao ROI, é preciso uma abordagem gradual e constante dos investimentos, uma vez que o 5G deve apresentar retorno financeiro. As operadoras desejam “investir uma vez e investir corretamente” e precisam de uma abordagem para maximizar isso.

A corrida por novos sites

A restrição de espaço não é novidade, mas é uma dor de cabeça importante para as operadoras. Os sites já estão superlotados e a procura por novos espaços é um desafio logístico e financeiro significativo. Como um site típico já suporta muitas antenas e frequências diferentes, tentar adicionar novos equipamentos gera um processo de negociação longo, caro e complicado. A saída, então, é encontrar uma forma de implantar o 5G nos sites existentes da maneira mais eficiente possível.

É aqui que entra em cena o lado oculto do 5G. A infraestrutura da antena em si parece a mesma, mas a funcionalidade é significativamente aprimorada. Uma antena passiva-ativa, por exemplo, terá o mesmo tamanho das antenas passivas tradicionais. No entanto, ao integrar componentes ativos, consegue suportar as redes legadas e futuras e, assim, contornar um dos maiores desafios enfrentados pelas operadoras em relação ao 5G.

Além disso, diante da abordagem cautelosa de investimento das operadoras em 5G, o equipamento modular será um diferencial, uma vez que permite adicionar a parte ativa do 5G à antena passiva existente, reduzindo os custos de implantação.

Nesse cenário, o design da antena nunca foi tão importante. Os usuários querem os benefícios do 5G, mas sem a ampliação ou instalação de novos sites – especialmente nos grandes centros urbanos. Por isso, as operadoras precisam concentrar-se em infraestruturas com baixo impacto visual, que sigam conceitos de mimetização e/ou camuflagem – em que o equipamento, de fato, é capaz de se misturar ao fundo, ocultando ou integrando estruturas existentes, como mobiliários de rua.

As antenas passivas-ativas combinam, em um mesmo produto, os componentes passivos necessários para transmissão de frequências legadas e os componentes ativos necessários para 3,5 GHz mMIMO, em redes 5G. Essa abordagem minimiza os impactos visual e de espaço e permite que as operadoras obtenham mais resultado com menos equipamentos.

As novas antenas são planejadas com arquitetura modular, que permite às operadoras implantar uma antena passiva hoje e, no momento certo, atualizá-la com componentes ativos, sem provocar impacto em seu desempenho. Ou seja, as operadoras beneficiam-se do suporte contínuo às redes 4G como geradoras de receita, ao mesmo tempo em que podem distribuir o CAPEX na medida em que os módulos ativos são introduzidos.

As operadoras precisam começar a pensar agora como gerenciar o CAPEX para atingir suas metas de 4G e 5G, nos próximos cinco anos. Aquelas capazes de definir uma estratégia que permita mensurar o ROI do 5G, sem desconsiderar as demandas do 4G, ficarão à frente. A resposta pode estar em uma abordagem escalonada e modular, já que a consolidação de equipamentos para reduzir a área ocupada será uma das principais tendências em infraestrutura de rede nos próximos dois anos. E isso traz vários benefícios para as operadoras da América Latina que buscam equilibrar as demandas do 4G e do 5G.

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