“Viramos órgão de arrecadação estadual e federal”


{mosimage}O sempre discreto presidente da Vivo, Roberto Lima, resolveu mudar de postura e partir para o ataque contra o que considera ser o mais grave problema das telecomunicações brasileiras: a alta carga tributária e o desinteresse com que os governos federal e estaduais, incluindo a Anatel, tratam o tema. "Viramos órgão de arrecadação estadual e federal", reclama ele, para quem, no momento em que se discute uma política nacional de banda larga, a questão tributária não pode ser menosprezada. "Se o governo considera a banda larga prioritária, ele precisa alocar recursos. E uma forma de fazer isso é parando de tributar", completa.

O sempre discreto presidente da Vivo, Roberto Lima, resolveu mudar de postura e partir para o ataque contra o que considera ser o mais grave problema das telecomunicações brasileiras: a alta carga tributária e o desinteresse com que os governos federal e estaduais, incluindo a Anatel, tratam o tema. "Viramos órgão de arrecadação estadual e federal", reclama ele, para quem, no momento em que se discute uma política nacional de banda larga,a questão tributária não pode ser menosprezada. "Temos uma grande expectativa de que se o governo quiser acelerar o processo, se o  Brasil quiser crescer a 4% ou 5% ao ano e achar que a banda larga é prioritária, tem que alocar recursos. E uma forma de fazer isso é parar de tributar", argumenta.

O presidente da maior operadora de celular do país reage ainda às acusações de setores do governo de que a iniciativa privada oferece ao brasileiro uma banda larga cara e lenta e que os investimentos em rede são poucos. "Tenho ouvido de representantes do governo que irão construir uma rede nacional de banda larga com investimentos de R$ 1,1 bilhão. Só a Vivo estará investindo este ano R$ 2,6 bilhões", completa.  

Tele.Síntese – O Brasil anuncia a Copa do Mundo e as Olimpíadas e cresce o valor das ações da Vivo. Por que essa identificação?
José Robero Lima – Nossas ações estão com desempenho muito bom desde o final de 2007, com valorização importante na bolsa e captação compatível com o tamanho da organização. Essas subidas mais recentes podem ser atribuídas ao fator Brasil e ao fato de estarmos bem implantados.Resolvemos problemas estruturais, como a ausência em parte de Minas Gerais e Nordeste. Resolvemos também a questão de estarmos com uma tecnologia que o mercado não escolheu, que era o CDMA.

Tele.Síntese – A tendência da Vivo, por ser a maior operadora de celular, é continuar a perder market share?
Lima – Hoje conseguimos estabilizar o nosso market share. Sempre fazemos o balanço sobre o que queremos ter de participação e de receita e estamos muito satisfeitos com a performance da empresa.

Tele.Síntese – O foco inicial de sua gestão foi o investimento em qualidade. O sr. acha que os consumidores conseguem  identificar esse esforço?
Lima
– Acho que sim. É isso que tem permitido a Vivo manter estabilidade em sua base, principalmente no pós-pago. A qualidade tem dois lados: reduz o churn e o custo de atração de novos clientes e, por outro lado, reduz muito o custo da operação. A falta de qualidade faz com que aumentem as chamadas para o call center; que surjam mais ações no Procon e mais ações na justiça comum. Portanto, é um custo se quer evitar. Manter relação saudável com os clientes é também uma questão econômica.  Os números nos dão liderança clara no Brasil: temos o maior número de clientes que são fãs da operadora;  temos o menor número de clientes rebeldes.Na soma de tudo isso é que aparece a diferença de imagem que a Vivo está conquistando. Estamos com margem de 30% do Ebitda,

Tele.Síntese – Por que essa diferença não aparece no Procon?
Lima
– Nós nos diferenciamos muito nas reclamações do Procon e da Anatel. Nossos índices são muito mais baixos. E é bom olhar com cuidado essa questão do Procon. Nós temos mais clientes do que todo os outros, e seria normal que tivéssemos mais reclamações, em valor absoluto. Mas quando se fala em número de reclamações por mil clientes, nós somos os menores em tudo.

Tele.Síntese – Durante o Futurecom, o sr. demonstrou preocupação em relação ao MVNO (Operador Móvel Virtual).
Lima
– É um fenômeno já conhecido em outros países e temos um órgão regulador muito atento às questões de estimular a concorrência. A depender de como vierem as regras, pode ser um sucesso ou não. Se vier uma regulamentação impositiva, determinando que aqueles que são proprietários da rede têm que oferecê-la em determinadas condições, isso pode ser um problema.  Rede, hoje, é um dos ativos mais difíceis de se conseguir, seja por disponibilidade de espectro, seja pelo custo do investimento, ou por questões ambientais. Muitas vezes estamos lutando para ter rede para nossos próprios clientes. Por outro lado, se vier uma regulamentação que seja inclusiva,pode ser uma boa ideia. Hoje o custo comercial para atrair novos clientes não é baixo. E ele é tão mais alto quanto mais se afasta dos grandes centros urbanos.

Tele.Síntese – Em relação à frequência de 2,5 GHz, o sr. vê como fundamental a sua liberação já para 2012?
Lima
– Vejo também outras frequências talvez até mais importantes, como a de 700 MHz, de maior propagação.

Tele.Síntese – Mas a banda de 700 MHz não começou nem a ser discutida, já que o switch off da TV analógica está previsto para 2016.
Lima
– Se pudesse, queria discutir essa frequência, mas como não posso, o que está em discussão é a de 2,5 GHz. E a consulta pública aponta que parte dessa frequência estará disponível em 2015. Se for só em 2015, a gente não aguenta com a 3G. Algumas empresas compraram só 10 MHz de 3G e outras compraram 15 MHz. Com os volumes de tráfego que estamos vendo, o espectro atual não vai ser suficiente para uma rede eficiente.Me explico: quanto menos espectro, mais se tem que investir em antena, para fazer o adensamento. Se tivermos mais espectro, podemos ter menos antenas nos grandes centros e direcionar parte desses recursos para aumentar a cobertura e atender um número maior de pessoas. Por isso a alocação de espectro é fundamental. Aa 2,5 GHz parece que está condenada a ser usada em LTE, uma nova tecnologia que provavelmente terá escala maior, pois parece haver um alinhamento mundial.

Tele.Síntese – Parece que a LTE só vai estar disponível comercialmente lá para 2015.
Lima
– Alguns fabricantes estão se movimentando para produzir os equipamentos. 2015 é muito tarde. Estamos pedindo para a Anatel alocação do espectro para 2012. Hoje ainda preciso fazer investimentos em terceira geração, e compro centrais capazes de trabalhar tecnologia GSM, EDGE e UMTS. Se vier a LTE, tenho que comprar de novo. Se tiver um calendário previsível, posso já comprar os equipamentos com LTE e negociar com os fornecedores o pagamento dessa nova tecnologia só quando começar a usá-la. É assim que acontece com as empresas que vendem mainframes, por exemplo. Vendem o equipamento com a maior capacidade do mundo, e depois recebem o pagamento on demand. São novos modelos de negócios que reduzem o custo das operadoras. Por isso precisamos de planejamento, de visibilidade.

Tele.Síntese – O presidente da Anatel disse recentemente ao portal que as operadoras estão investindo pouco em redes. Da mesma forma, o superintendente de serviços privados e as operadoras fizeram um pacto para não fazer propaganda da 3G até aumentarem as suas redes.
Lima
– Não concordo com essa avaliação. Estamos vendendo mais de 100 mil linhas de 3G por mês. Estamos conseguindo atender nossos clientes perfeitamente. Por enquanto, não há problemas. Mas, no futuro, sem mais espectro, aí sim.

Tele.Síntese – Não há problemas de investimentos das operadoras privadas?
Lima
– Estou ouvindo representantes do governo afirmarem que irão construir uma rede nacional de banda larga com investimentos de R$ 1,1 bilhão. A Vivo está investindo este ano R$ 2,6 bilhões.

Tele.Síntese – Quanto deste total  em banda larga?
Lima
– O grande investimento que fizemos este ano foi em banda larga. Assumimos a liderança em número de municípios cobertos. Temos hoje 560 municípios que congregam mais de  65% da população. Os sistemas estão implantados e ativos. Não é como algumas empresas, que implantam a antena mas não ligam o serviço.  A média mundial dos investimentos do setor é de 5% da receita líquida. Nós estamos investindo quase 20%, para margens de Ebitda mais baixas do mundo.

Tele.Síntese – Mas vocês estão recuperando bem as margens de Ebitda.
Lima
– Estamos com margem de 30%. Pega essa margem, depois coloca a carga dos impostos do Brasil e a taxa de juros do Brasil, chega-se ao retorno sobre os investimentos brasileiro. A Anatel, ao falar que estamos investindo pouco, primeiro, está generalizando. Em segundo lugar, é uma conclusão muito precipitada. Os investimentos das operadoras móveis no Brasil este ano devem ultrapassar R$ 10 bilhões. São 10 bilhões de reais! E todo o ano é assim.

Tele.Sintese – Mas as empresas não poderiam se engajar mais?
Lima
– É bom essa discussão, pois o governo poderia ter deixado R$ 5 bilhões no setor para ampliar a cobertura e melhorar a qualidade. Esses R$ 5 bilhões foram pagos para compra de frequência e não compramos um parafuso ou erb sequer.  O dinheiro serviu para financiar o superávit primário.A Anatel pode contribuir muito para a ampliação dos investimentos no setor revendo a cobrança de taxas que não são utilizadas, como Fust, Fistel, que tiram do setor  R$ 4 bilhões por ano e que poderiam estar sendo investindo em favor da população.

Tele.Síntese – As operadoras privadas foram chamadas pelo ministro Hélio Costa para contribuírem para o Plano Nacional de Banda Larga. Qual a posição da Vivo?
Lima
– Nós estamos totalmente engajados. Mostramos com fatos o que estamos fazendo. Para chegarmos em menos de um ano em 560 municípios, estamos levando a 3G para 40 municípios por mês, 10 cidades por semana. Esse trabalho tem que ser respeitado! Há pouca sensibilidade por parte do governo quando diz que a banda larga no Brasil é ruim, é cara, e tem baixa velocidade. Põe 44% de impostos em cima. O governador Serra deu uma demonstração, com a desoneração do ICMS, de que é possível se achar uma solução. Hoje, nós não somos tão caros assim, se compararmos os valores líquidos; no que se refere à velocidade de nossa banda larga, ela é muito aceitável. Nós estamos destruindo o que já foi feito. O Brasil tem mania de se atacar.

Tele.Síntese – Dois indicadores do celular brasileiro são, no meu entender, preocupantes. O primeiro é o preço da comunicação de dados. As mensagens (SMS), representam apenas 14% das receitas das operadoras móveis, participação mais baixa da América Latina.
Lima
– Há dois anos, era 10%.

Tele.Síntese – Mas cresce devagar.
Lima
Está crescendo muito. A nossa receita de dados cresce 40% ao ano. O que cresce 40% ao ano no Brasil? Nem jabuticaba. Se a gente quiser falar que é uma porcaria, aí não dá.

Tele.Síntese – Outro indicador preocupante é o baixo uso do celular. O minuto de uso (MOU) brasileiro é um dos mais baixos do mundo. O sr. acha que isso é um problema?
Lima
– É um problema grave. Hoje estamos com uma oferta no ar com uma recarga de R$ 12,00 e 200 minutos para falar on net. Isso faz o custo do minuto ficar em seis centavos por minuto. Acha em algum lugar do mundo custo mais barato que isso. 

Tele.Síntese – Mas isso é uma promoção. Em outros países, de renda menor, o celular é mais usado.
Lima
–  Não dá para olhar só em uma perspectiva. A questão do imposto é seriíssima e parece que não se quer olhar para ela. Só existem dois países do mundo onde o imposto sobre a telefonia é mais alto do que o Brasil. E não é imposto apenas sobre o serviço final. É imposto sobre investimento; são as taxas cobradas por cada nova ativação.

Tele.Síntese – A proposta de redução do ICMS foi aprovada desde abril pelos estados do Pará, Distrito Federal e São Paulo, e nenhuma das operadoras se interessava em lançar o serviço. Precisou uma se mexer – a Telefônica – para vocês também se movimentarem.
Lima
– Vamos fazer uma conta. O modem hoje custa 120 dólares para a operadora, se multiplicar por R$ 1,70, estamos falando em 200 reais um modem. Tenho que dar de graça. Cada linha que eu habilitar, ainda tenho que pagar R$ 26,00 para a Anatel. Então, R$ 226,00. No final do ano, tenho que pagar mais R$ 13,00 sobre o parque, então, R$ 239,00. Como vou ter que dar o modem, terei que fazer um plano de fidelização, portanto, pós-pago, o que significa que terei que emitir fatura. Cada fatura que eu emitir custa R$ 5,00, por baixo. O serviço exige atendimento do call center, mais R$ 5,00. Ou seja, o custo para servir, por ano, deve sair por R$ 120,00.Aí vem o custo da rede: vou diluir a Capex para cada um, o que deve dar R$ 50,00 para cada banda larga vendida. Cheguei ao custo de R$ 400,00. Tenho que vender por R$ 29,80. Em um ano, receberei R$ 357,00. Prejuízo de R$ 52,00 por ano. E ainda tenho o risco de a massa de clientes migrar para essa alternativa.Por que o governo federal não tira o IPI, o PIS/Cofins, as taxas da Anatel?

Tele.Síntese– Mas o sr. já disse que a Vivo também vai se engajar nesse programa.
Lima
– Vamos nos virar de cabeça para baixo para isso. Onde podemos tirar custos? No modem, no custo da prestação de serviço e na Capex, onde precisamos desonerar investimentos.

Tele.Síntese – A empresa vai formalizar uma proposta ao governo para a desoneração dos tributos federais?
Lima
– Estamos falando há muito tempo sobre o tema.
 
Tele.Síntese – Uma coisa é falar aos quatro ventos, outra é querer negociar efetivamente com o governo.
Lima
Não sentimos muita receptividade, até como demonstra esta entrevista. Quando a Anatel arrecada R$ 5 bilhões com a frequência, e mais R$ 4 bilhões todo o final de ano com as taxas sobre os celulares, está descapitalizando o setor. O dinheiro é um só. O setor virou um órgão arrecadador estadual e federal.

Tele.Síntese – No momento em que se discute uma política pública de banda larga, de que forma que vocês podem contribuir?
Lima
– Vamos continuar fazendo o que já fazemos. Buscando aumentar cada vez mais a escala de serviço para poder continuar a reduzir preços. Temos uma grande expectativa de que se o governo quiser acelerar ainda mais o processo, se o  Brasil quiser crescer a 4% ou 5% ao ano e achar que a banda larga é prioritária, tem que alocar recursos. E uma forma de fazer isso, é parar de tributar.

Tele.Síntese – A taxa de penetração da telefonia celular brasileira, de pouco mais de 86%, ainda está abaixo da média latino-americana e mundial. Como crescer?
Lima
– Pensar em média aritmética no Brasil é uma coisa complicada. No Distrito Federal, a taxa é de 101%. Em alguns outros municípios, ela é de 40%. E em outras cidades é de 0%, porque o serviço ainda nem chegou. Precisamos olhar este quadro racionalmente e agir sobre onde é necessário reduzir os gaps de conectividade.Iremos observar que esses gaps existem onde só o setor privado, nas condições atuais, tem pouco estímulo para estar lá. Consequentemente, se o governo quer fazer a sua parte, deve traçar uma ação para que essa disparidade não se perpetue.

Tele.Síntese – De que forma isso pode ser feito?
Lima
– O exemplo de Minas Gerais foi interessante. O governador Aécio Neves lançou o “Minas Comunica” e conseguimos implantar telefonia celular em todos os municípios onde não necessariamente teríamos encontrado o equilíbrio econômico se não tivéssemos encontrado a redução do custo de capital por parte do governo.

Tele.Síntese – O leilão da 3G também criou essas reduções de custo, visto que vocês podem compartilhar redes, freqüências, etc?
Lima
– O leilão da 3G, na partida, levou R$ 5 bilhões do setor.

Tele.Síntese – Mas, nesse caso, foi o mercado quem reagiu à disputa.
Lima
– Mas era uma questão de sobreviver ou não. As empresas que já investiram bilhões de reais, dólares, euros -em qualquer moeda estamos na casa dos bilhões- não podiam ficar fora do leilão. Portugal fez diferente: deu as frequências, mas exigiu cobertura e qualidade. Exigiu também que se desse equipamentos, como um computador para cada aluno. Os cinco bilhões poderiam ter ficado no setor. Sabe onde está esse dinheiro? De um lado, no caixa do Tesouro, de outro, nas dívidas de nossos balanços. Nós estamos devendo aos bancos essa fortuna.

Tele.Síntese – Na modelagem da 3G, a Anatel permitiu o compartilhamento. Vocês já compartilham a frequência?
Lima
– Fazer compartilhamento é como fazer amor. Não se faz sozinho. No início, eu pregava no vazio. Hoje, estamos compartilhando, mas muitas informações são confidenciais. Mas já foi anunciado a construção conjunta da linha de transmissão de 4,5 mil quilômetros do Sul até São Paulo com outras duas operadoras, a Claro e a Embratel.  Ninguém poderia imaginar que isso seria possível. Hoje, 55% de nossos sites são compartilhados.

Tele.Síntese – O presidente da Claro afirma que há falta de linhas de transmissão. Em pelo menos 300 municípios a operadora tem os sites instalados, mas não consegue se conectar. Vocês enfrentam o mesmo problema?
Lima
– Entramos na terceira geração um ano depois deles, mas não ficamos dormindo. Fizemos toda a linha de transmissão que precisávamos, por que já tínhamos a experiência com o CDMA e sabíamos o que era um tráfego em terceira geração. Quando todo mundo pegou as frequências de 2,1 GHz e investiu em rede de acesso, nós fizemos isso também, mas já sabíamos que teríamos problemas com as redes de transmissão. É por isso que quando falam que as redes brasileiras “não têm qualidade”, alto lá. Nós temos.

Tele.Síntese– Vocês construíram suas próprias linhas?
Lima
Construímos muitas linhas de transmissão, mas em outras situações alugamos de empresas como Embratel, Telefônica. Estamos tentando alugar da Eletronorte. Onde existe demanda, não vale à pena a gente investir, porque posso pegar esse dinheiro e colocar em outro lugar onde ninguém tem linha de transmissão. A essência da administração é prioridade na alocação de recursos.

Tele.Síntese – Não vemos a Vivo apostando no conteúdo audiovisual para o celular. Por quê?
Lima
– Quando se presta serviço na nossa escala – vamos chegar ao final do ano com 50 milhões de usuários – temos que, em primeiro lugar, garantir qualidade na prestação dos serviços. Nos quatro anos de minha gestão, os três primeiros estavam totalmente voltados para uma operação eficiente. Neste último ano estamos apostando fortemente na banda larga, com foco.

Tele.Síntese – Qual é o foco?
Lima
– Nos primeiros três anos, uma operação eficiente. Ter mais receita. No último ano foco na banda larga, com construção da rede e prestação do serviço. Agora, com a infraestrutura montada, temos condições de nos associar a milhares de parceiros que possam prestar serviço para transitar em nossa rede, o que nos força a discutir que tipo de conteúdo vamos querer.

Tele.Síntese – Quando vocês lançam no mercado esses novos serviços?
Lima
– Cada vez que tivermos um serviço novo estaremos lançando do mercado. Já temos o Vivo co-piloto- uma substituição do GPS- que funciona bem em nossa rede. Laçamos este mês cursos de inglês pelo celular. Poderemos lançar aulas de direção. É óbvio que há a discussão do PL 29, que acompanhamos com muito interesse, mas buscamos sempre dar nossa contribuição através de nossa associação.

Tele.Síntese – E Nordeste, como está? Vocês, como quarto entrantes, tiveram problemas com a banda larga?
Lima
– O que aconteceu, no primeiro momento, é que a demanda superou toda a nossa expectativa. Sabíamos que nossa marca era um pouco conhecida, mas tivemos uma demanda 12 vezes superior ao que imaginávamos nos primeiros meses. Ficamos surpresos e tivemos que redirecionar os investimentos e fazer a rede um pouco mais parruda. Lá, nós temos pouco espectro, e tivemos que fazer maior adensamento Hoje, temos uma operação muito interessante.

Tele.Síntese – Continuam como quarta empresa na região, não?
Lima
– Sim. Se medirmos em números absolutos de usuários. Mas em pós-pago e banda larga, nossa participação é muito grande.

Tele.Síntese – Para terminar, a provocação sobre a VU-M (taxa de inerconexão). Está na hora de se rediscutir essa questão?
Lima
– Ela já está em discussão em várias esferas.  O crescimento acelerado da telefonia móvel e as condições de preço que as empresas têm oferecido dentro da própria base fazem com que diminua o tráfego entre operadoras e as empresas móveis passam a ficar menos dependentes da interconexão. Por outro lado, isso significa também que estamos gerando menos tráfego para as concessionárias fixas, que pagam VU-M. O assunto tende a se resolver sozinho. Se a Anatel implantar o modelo de custos, vai perceber que o custo das operadoras móveis, neste momento, é mais alto do que o das fixas, principalmente pelo volume de investimentos que precisamos fazer.
No modelo de custos, poderemos identificar que as móveis realmente têm custos elevados pelo volume de acessos , e custo de atendimento no call center caro. E, quando se observa as margens das empresas móveis, está mais do que claro que são as operadoras fixas as que têm a conta de resultados mais folgada: elas têm quase 10 pontos percentuais a mais é não é porque a móveis estão nadando em custos.

Tele.Síntese – Há espaço para mais uma entrante na banda H?
Lima
– Acho que sempre há. Mas deve-se perguntar o que o Brasil quer. Ele quer um grande número de empresas pequenas e fracas, ou quer número bom de empresas fortes, com capacidade de prestar um bom serviço a custos baixos.

Tele.Síntese – Não se pode falar que as quatro operadoras de celular que atuam não Brasil são pequenas..
Lima
– Sim, mas se vier uma quinta empresa, deixa-se de compartilhar a banda H e deixa-se de reforçar a capacidade dessas quatro empresas, que vão continuar competindo e prestando serviço. Quando se faz isso, o passo seguinte, como confirma a economia mundial, são as consolidações. Nos Estados Unidos havia um bocado de baby bells e estão todas juntas de novo. A média mundial  de competitividade na telefonia celular é de três empresas. O Brasil é um mercado mais competitivo, nós estamos mais próximos dos Estados Unidos das baby bells do que do restante do mundo.Já há estudos falando sobre excesso de competição que estaria ocorrendo no Reino Unido. Lá, há conversas de que a quarta operadora não vai aguentar e vai sair do jogo. Aqui, não parece crível que se queira colocar mais um competidor.

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