Quase 6 milhões de crianças não têm acesso à web no Brasil


Em 2015, 5,9 milhões de crianças e adolescentes não estavam conectados à Internet no Brasil, o que representa 20% da população entre 9 e 17 anos de idade. Entre eles, 3,4 milhões nunca acessaram a rede. O dado consta da 4ª edição da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2015, feita pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil.

A pesquisa investiga o acesso à rede e o uso dela por crianças e adolescentes no país e considerou como conectados os jovens que acessaram a Internet nos três meses anteriores ao estudo. Foi realizada entre novembro de 2015 e junho de 2016, em todo o país.

Da parcela desconectada, mais da metade nunca acessou a web de nenhuma forma. “São quase 3,5 milhões de crianças, em idade escolar, que nunca tiveram contato com a internet, que desconhecem o potencial da rede como ferramenta de comunicação, fonte de conhecimento e instrumento para desenvolver novas habilidades”, ressalta Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Ele cobra a elaboração de políticas para massificar o acesso e de proteção dos jovens na rede. “É fundamental chamar a atenção para os jovens e discutir políticas públicas para que todos tenham acesso de qualidade à internet e para que ninguém fique para trás. Mas não bastam políticas de inclusão apenas, é preciso pensarmos em políticas de proteção das nossas crianças no ambiente online”, ressalta Barbosa.

Os resultados também apontam a existência de disparidades regionais e socioeconômicas no acesso à rede. Oito em cada dez crianças e adolescentes eram usuários de internet em 2015, o que representa 23,7 milhões de jovens em todo o país. Enquanto em áreas urbanas 84% das crianças e adolescentes estavam conectadas, nas áreas rurais, essa proporção foi de 59%. Na região Sul, 90% dos jovens declararam ser usuários de Internet e no Norte, apenas 56%. Outro fator determinante é situação socioeconômica: 97% das crianças das classes A e B acessaram a Internet, o que ocorreu com apenas metade dos jovens das classes D e E (51%).

Em relação à frequência de uso da Internet por crianças e adolescentes, a pesquisa registrou um aumento significativo: em 2014, 21% disseram que acessavam a rede mais de uma vez por dia; em 2015, essa proporção atingiu 66% – um aumento de 45 pontos percentuais. Esse crescimento foi ainda mais expressivo entre as crianças das classes A e B (de 21% para 75%). Entre os jovens pertencentes às classes D e E, o uso intensivo da rede cresceu menos, indo de 25% para 49%.

O uso de equipamentos móveis para acessar a internet se manteve expressivo entre o público jovem. Em 2015, 83% acessaram a rede por meio do telefone celular – em 2014, essa proporção foi de 82%, indicando estabilidade. A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2015 verificou ainda que 31% das crianças e adolescentes acessavam a internet exclusivamente por esse dispositivo. Essa proporção foi de 55% entre os jovens das classes D e E. Já os computadores (de mesa, laptops e tablets) perderam espaço: 64% das crianças utilizavam dispositivos desse tipo para acessar a rede, uma queda de 17 pontos percentuais em relação a 2014.

Intolerância e discurso de ódio na rede
Em 2015, a TIC Kids Online Brasil passou a incorporar novas questões sobre intolerância e discurso de ódio na rede. De acordo com o estudo, uma em cada três crianças e adolescentes usuárias de Internet (37%) declarou ter visto alguém ser discriminado na Internet no último ano – o equivalente a 8,8 milhões de jovens.

O contato com casos de discriminação é maior entre os adolescentes: entre os usuários de 15 a 17 anos, a proporção chega a 51%. No caso das crianças de 9 e 10 anos, o percentual é de 11%. Entre os motivos identificados para a discriminação, 23% das crianças usuárias citaram preconceito de cor ou raça; 13% mencionaram aparência física; e 10%, relacionamento entre pessoas do mesmo sexo.

Uma parcela menor dos jovens usuários (6%) declarou ter sofrido algum tipo de discriminação na Internet no último ano. “Assim como no mundo off-line, a criança também está exposta a riscos na Internet. Eles precisam ser tratados não só no âmbito familiar, mas também no sistema educacional e em políticas públicas, no sentido de garantir a proteção dos direitos da infância”, aponta Barbosa. (Com assessoria de imprensa)

Anterior Produção do Galaxy Note 7 estaria suspensa
Próximos Proteste considera desproporcional o bloqueio do Facebook pela justiça eleitoral