Qualidade e preço também interferem


Tele.Síntese Análise 347 A deficiência na cobertura é certamente o principal motivo que tem levado as grandes cidades a investir em infraestrutura própria ou com parceiros públicos, para chegar a pontos dispersos geograficamente, como escolas, postos de saúde e outras unidades de atendimento à população. E também a razão que movimentou pequenas cidades a construir …

Tele.Síntese Análise 347

A deficiência na cobertura é certamente o principal motivo que tem levado as grandes cidades a investir em infraestrutura própria ou com parceiros públicos, para chegar a pontos dispersos geograficamente, como escolas, postos de saúde e outras unidades de atendimento à população. E também a razão que movimentou pequenas cidades a construir suas redes, normalmente na tecnologia wireless, para levar sinal até os serviços que atendem à população.

Mas esta não é a única razão que movimenta os gestores públicos. Franklin Coelho, da cidade do Rio de Janeiro, conta que quando assumiu o cargo de secretário da Ciência e Tecnologia, em 2010, o prédio onde está a sua secretaria e abriga outras nove secretarias do município, no centro da cidade, era servido por um link de uma operadora de apenas 2 Mbps para 300 estações de trabalho. “Com nossa conexão à RNP, hoje tenho na minha sala 10 Mbps”, diz ele.

Com sua rede própria, Campinas hoje entrega 1 Mbps full em todas as escolas e postos de saúde. E esse padrão, conta Ziller, também ter de ser atendido quando a rede é privada. “Saímos de uma velocidade real que às vezes girava em torno de 200 kbps para 1 Mbps de download e upload na ponta”, informa. Cobertura e velocidade também foram os fatores decisivos para Santos, no litoral paulista, investir em infraestrutura própria de 70 quilômetros que já conecta vinte das 80 escolas municipais.

Mas, ao contrário de Campinas, que compra rede das operadoras onde há oferta e entrega nas condições de qualidade de serviço especificadas, Santos quer atender a todas as suas unidades com rede própria, de acordo com Ronaldo Vieira Lima, chefe do departamento de gestão de Tecnologias da Informação e Comunicações. Para isso, a cidade vai continuar expandido sua rede própria. “Falta qualidade à rede das operadoras”, reclama ele.

Ao lado da qualidade, pesa também a questão dos preços, elevados especialmente nas regiões da cidade onde não há competição, o que geralmente ocorre nas áreas mais periféricas. Segundo Renato Rodrigues, do ICI, um dos motivos de Curitiba investir numa rede própria de mil quilômetros foi reduzir o custo dos links cobrado pelas operadoras. Outro, atender a projetos estratégicos da cidade, como o Sistema Integrado de Mobilidade Urbana, o Sistema Integrado de Videomonitoramento e Vigilância Eletrônica, a criação de uma Central de Controle Operacional do Trânsito e Transporte e da Central de Laudos de Exames Médicos Digitais.

Mas a redução de custo não é o motivo determinante do investimento em rede própria. É consequência, pondera Ziller. Com ele concorda Kulczinsky, da Procempa. No caso de Porto Alegre, o fato de a empresa municipal de TICs ter assumido o serviço de voz fixa para toda a administração municipal resultou em uma economia de R$ 70 milhões a R$ 80 milhões ao ano. “Como somos uma espelhinho, com licença da Anatel, pagamos às operadoras que recolhem nosso trafégo valores de operadora e não de usuário final. E essa redução repassamos para a prefeitura, pois somos empresa pública”, diz ele.

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