Qualcomm quer apoio do Brasil para disseminar uso de LTE na faixa de 450 MHz


Sem informar investimentos nem prazos, o presidente da Qualcomm para a América Latina, Rafael Steinhauser, disse que o acordo para estimular a banda larga móvel, inclusão digital e a indústria brasileira, mostra a importância que o mercado do país representa para a empresa. Segundo ele, as projeções de analistas indicam que os países emergentes até 2015 agregarão 50% de usuários de smartphones do mundo. “Hoje, esses terminais já superaram os computadores pessoais”, disse.

Além disso, ressalta Steinhauser, o Brasil tem um compromisso em massificar a banda larga, com agenda estruturada para tornar universal o acesso às comunicações para todos os cidadãos em todas as regiões do país. Ele disse que a intenção da Qualcomm é inserir o Brasil no mercado mundial de produtos do setor, especialmente na comercialização de aplicativos para terminais móveis.

Em relação à participação da empresa na produção de chip set com tecnologia LTE para a faixa de 450 MHz, que será leiloada no Brasil no início de junho, Steinhauser disse que a Qualcomm já é líder no desenvolvimento de chip para essa frequência e que apoiará o governo brasileiro no esforço de incluir a tecnologia da quarta geração. “É objetivo de a empresa levar esse desenvolvimento para todo o mundo”, disse.

Para isso, o Ministério das Comunicações deve apoiar o uso dessa tecnologia em outros países da América do Sul, da mesma forma que ajudou a disseminar o padrão nipo-brasileiro da TV digital. Segundo o secretário de Telecomunicações do MiniCom, Maximiliano Martinhão, já há países interessados nesse avanço, como o Peru, que usa a faixa de 450 MHz para comunicações rurais.

A campanha do Brasil, em parceria com o Japão, garantiu a adesão de uma dezena de países ao padrão nipo-brasileiro de TV digital, especialmente na América do Sul. Outros países da África e América Central podem adotar o mesmo sistema.

Acordo

Pelo acordo assinado nesta sexta (20) com o MiniCom, a Qualcomm se compromete a instalar um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil focado em tablets para o mercado e a criação de um laboratório para apoiar desenvolvedores brasileiros de aplicativos para smartphone e tablets. A empresa planeja também cooperar com a indústria local de eletroeletrônicos e com centros de educação e de tecnologia brasileiros no campo de comunicações sem fio.

A colaboração com o governo inclui a participação da empresa norte-americana no projeto Ciência sem Fronteiras, capacitação de recursos humanos e ainda alocar recursos do seu fundo de investimentos – a Qualcomm Ventures – para fomentar startups de várias tecnologias no país. Todas as atividades serão desenvolvidas em São Paulo que, de acordo em Steinhauser, está perto das principais indústrias do setor.

Segundo Martinhão, o acordo com a Qualcomm faz parte dos projetos estruturantes previstos no decreto que criou o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que prevê incentivos à produção de terminais mais baratos e ao desenvolvimento de conteúdos.

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