Pulverização: a Telemar pode ser o veículo nacional da competição, diz Falco.


Hoje, a partir das 9 horas, a assembléia geral dos acionistas estará votando a proposta de reestruturação societária da empresa com maior volume de ações negociadas em bolsa. A Telemar quer se transformar na Oi Participações, para, pulverizada, poder somar, aglutinar, crescer. Nessa aparente contradição, a maior empresa de telecomunicações brasileira quer se dispersar para …

Hoje, a partir das 9 horas, a assembléia geral dos acionistas estará votando a proposta de reestruturação societária da empresa com maior volume de ações negociadas em bolsa. A Telemar quer se transformar na Oi Participações, para, pulverizada, poder somar, aglutinar, crescer. Nessa aparente contradição, a maior empresa de telecomunicações brasileira quer se dispersar para poder enfrentar os gigantes desse mundo  globalizado.

“Com a nova empresa, poderemos ser o veículo para a criação de uma plataforma nacional, onde a riqueza gerada pelo setor ficará no país”, afirma o seu principal executivo, Luiz Eduardo Falco. Para ele, há espaço para uma empresa brasileira competir com os dois gigantes que já dividem o mercado nacional: a Telefônica e a Telmex. “Mas, para isso, ela precisará de uma capacidade infinita de financiamento, só possível se tivermos a flexibilidade proporcionada pela reestruturação”, completa.

Oposição

A proposta a ser votada hoje, reconhece Falco, é difícil, tanto que, depois de nove meses de trabalho, ele não tem ainda a certeza de vitória. Ela é difícil, porque os acionistas preferencialistas terão que pagar um preço maior do que os acionistas ordinaristas. Em troca desse preço, a companhia oferece a extensão, a todos os acionistas, do direito de voto e tag along de 100%; nova prática de remuneração e voto de acionista de qualquer porte limitado a 10% do capital, entre outros.

Segundo diferentes analistas de mercado, os três fundos de investimento — Pólo (HG e Norte), Brandes Investment Partners e Genesis Investment Management —, que já se manifestaram contrários à relação de troca proposta (uma ação ordinária valerá 2,62 ações preferenciais na nova empresa), têm, somados, 16% dos votos. Um percentual alto, já que, na assembléia de hoje, a Telemar deve contar com 25% de votos favoráveis. Falco prefere não confirmar o quanto cada lado teria a seu favor.

As hipóteses

Três são as hipóteses para o desenrolar da reunião de hoje. A mais improvável é que os acionistas contrários à operação consigam o número de votos necessários para rejeitá-la, pois eles também precisam do apoio dos 25% presentes à assembléia, conforme estabeleceu a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mas não cabe aos que estão contrários buscar o quórum, pois, se a proposta não for aprovada, tudo fica como está e eles mantêm o status quo.

Caberá aos defensores da idéia conseguir o quórum para aprová-la. E aí, duas situações poderão se configurar. A primeira delas é que se consiga a maioria dos votos, mas não se atinja o quórum qualificado. Nessa hipótese, a Telemar recorre à CVM para que a autarquia reduza esse quórum de deliberação.

A segunda hipótese é de aprovação da proposta. Se a empresa conseguir esse feito, não poderá, no entanto, soltar foguetes imediatamente. Pela  decisão da desembargadora Valéria Maron, o resultado da assembléia terá que ser referendado pelo Tribunal Federal de Justiça do Rio de Janeiro, que entra em recesso no final do ano. E há ainda, obviamente, a possibilidade concreta de os insatisfeitos com a decisão recorrerem à Justiça.

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