PT SGPS recomenda aprovação de negócio entre Oi e Altice


Em relatório a acionistas, holding avaliza venda dos ativos da operadora PT Portugal, afirmando que propiciará a continuidade da combinação de negócios, minimizará perdas com o caso Rioforte e evitará disputa litigiosa com a tele brasileira.

A Portugal Telecom SGPS (PT SGPS) divulgou ontem à noite um relatório apoiando os termos da operação firmada entre Oi e Altice na última semana. No documento, diz que a venda dos ativos da PT Portugal “constituem os melhores termos firmados”. Ressalta, ainda, que se a venda for aprovada pelos acionistas da PT SGPS, trará ao menos três grandes benefícios: permitirá a continuidade do processo de fusão entre Oi e PT, dará tempo para reduzir as perdas oriundas dos títulos da Rioforte, e evitará disputa litigiosa com a Oi.

A reunião da assembleia geral de acionistas da PT SGPS, em que será decido o futuro da PT Portugal, está marcada para acontecer em 12 de janeiro. Analistas calculam que a operação seja aprovada, com alguma folga, embora os minoritários da empresa portuguesa trabalhem para barrá-la.

Consolidação
O relatório traz ainda as justificativas da Oi para vender a PT Portugal. Segundo os argumentos da operadora brasileira, o dinheiro reduziria a alavancagem e permitiria à empresa comprar ou se fundir com a TIM. “A consolidação traria uma racionalização do mercado através da criação de players mais fortes, com menor duplicidade de investimentos e maior capacidade de oferta de serviços integrados”, diz.

A Oi afirma, citando cálculos do banco BTG Pactual, contratado para viabilizar a consolidação, que “as sinergias de um processo de consolidação podem gerar um valor adicional de cerca de R$ 30 bilhões”. Metade desse ganho viria de sinergias de investimentos, em função de redes sobrepostas. A outra metade, de sinergias operacionais, reduzindo-se gastos duplicados, como publicidade.

Culpa, ainda, a operação da Portugal Telecom com a Rioforte como responsável por aumentar a alavancagem da empresa. “A Companhia terminou o terceiro trimestre com uma relação de dívida bruta sobre EBITDA de 3,76 vezes. Sem os diversos impactos negativos ocorridos desde o aumento do capital da Oi, o nível de endividamento poderia ser menor em 0,6-0,7 vezes EBITDA”, escreve. 

Além disso, aponta a Oi, a empresa está próxima de receber grau de investimento, mas não consegue o aval das empresas de rating por causa do alto endividamento. Isso, diz, reduz seu acesso aos “mercados de capitais doméstico e internacional”, o que resulta em um “um maior custo de financiamento” e inviabiliza qualquer capitalização para compra ou fusão no mercado brasileiro.

De acordo com a Oi, ativos não essenciais poderiam ser vendidos, mas não trariam os benefícios da venda da PT Portugal. A venda de ativos na África também é descartada por “questões com os acionistas”. “A alienação da PT Portugal, nos níveis apresentados a seguir, envolve um Enterprise Value de cerca de R$ 22 bilhões, recursos que após ajustes usuais nesse tipo de transação seriam necessários para permitir à Oi poder participar do processo de consolidação do setor no Brasil”, diz o documento enviado à PT SGPS. A Oi afirma ainda que não teria o foco necessário para os negócios da PT Portugal.

 

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