A Prysmian e o CPqD vão desenvolver tecnologia nacional para microcabos ópticos. O projeto, iniciado há cerca de três meses, conta com R$ 1,5 milhão de recursos da Embrapii e conta também com benefícios da Lei de Informática. Segundo as empresas, o projeto de desenvolvimento deve durar cerca de 18 meses, ao final dos quais resultará em um produto específico para o mercado brasileiro. Além desses recursos, a Prysmian vai aportar ainda outros R$ 2 milhões e será responsável pela fabricação do produto.

Pelo acordo, o CPqD vai contribuir também com pesquisadores e laboratórios. Aos menos três modelos de cabos já foram fabricados e estão em fase de testes, segundo Alberto Paradisi, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento. O projeto acaba de entrar em sua segunda fase em que os pesquisadores vão buscar diferentes materiais para a composição do produto.

A meta é criar um modelo de cabo com 288 fibras e que tenha um diâmetro entre 30% e 40% menor que os cabos ópticos comuns. Também deverá ter 50% do peso. “Dessa forma, otimizando o uso dos dutos. Também pesquisamos novas formas de instalação. O microcabo vai requerer uma vala de 3 cm de largura e 30 cm de profundidade apenas, com passagem do cabo pelo duto por sopramento”, explica Valéria Garcia, diretora de P&D da Prysmian.

cabo e microcabo óptico

A diferença de diâmetro entre o cabo óptico tradicional e o microcabo (embaixo)

Segundo o CEO da Prysmian para a América do Sul, Marcello Del Brenna, a empresa investiu, nos últimos 10 anos, cerca de R$ 150 milhões em P&D no país. Os microcabos são produtos já usados em outros países, mas ainda sem norma nem produção local. A expectativa é que estas sejam definidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já no segundo semestre. Mas há a certeza de que os modelos estrangeiros não se dariam bem no clima, solo, topologia de redes ou com a mão de obra brasileira. Por isso há a necessidade de criar uma solução nacional própria.

“Existe uma demanda forte por fibra no Brasil. Pode-se dizer que o setor de telecomunicações não sente os mesmos problemas que a economia brasileira vem sofrendo”, afirmou. A demanda, explica, vem tanto de projetos como o Cidades Digitais, do Ministério das Comunicações, como dos provedores regionais e das grandes operadoras.

CPqD atua como unidade da Embrapii desde outubro, na área de Comunicações Ópticas. Já financia um projeto em WDM de alta capacidade da Padtec, e está prospectando outros, de acordo com Paradisi.

A Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) é uma empresa social, criada pelo governo federal, via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para incentivar a inovação na indústria. Tem R$ 1,4 bilhões em recursos, que deverão ser investidos, a fundo perdido, ao longo dos próximos seis anos.

A estimativa da empresa é que o montante seja usado para arcar com cerca de um terço dos custos de P&D em novos projetos. A escolha de pesquisas se dá por parceiros, que são unidades credenciadas, em todo o país. Atualmente são 12 unidades credenciadas, das quais quatro envolvem o setor de telecomunicações (CPqD, Latec, Fundação CERTI, CEEI-UFCG).