Provedores regionais disputam com teles venda de circuitos para a RNP


Tele.Síntese Análise 402 O projeto de renovação dos circuitos que ligam os pontos de presença da Rede Nacional de Pesquisa (RNP) aos campi atendidos no interior do país mudou o cenário tradicional, no qual as licitações eram disputadas basicamente por Embratel e Oi. Nas licitações já concluídas para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, …

Tele.Síntese Análise 402

O projeto de renovação dos circuitos que ligam os pontos de presença da Rede Nacional de Pesquisa (RNP) aos campi atendidos no interior do país mudou o cenário tradicional, no qual as licitações eram disputadas basicamente por Embratel e Oi. Nas licitações já concluídas para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, novos players foram contemplados. Os 47 circuitos gaúchos foram divididos entre GVT e dois provedores regionais – a SouthTech e a BR Digital, do grupo Compuline. Já os 37 de Santa Catarina terminaram todos nas mãos da BR Digital.

 

Com os novos circuitos, contratados de prestadoras de serviços de telecomunicações, o objetivo da RNP é levar o projeto Veredas Novas, que pretende conectar as sedes dos campi universitários e de escolas técnicas mantidas por governos a 1 Gbps e os campi a 100 Mbps, até o final de 2014. Esse projeto é uma iniciativa conjunta dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Educação e das Comunicações, em parceria com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Superior e com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Para isso, a RNP firmou acordo com a Telebras e com governos estaduais. Agora, busca também a participação dos provedores regionais ao lado das teles, seus fornecedores tradicionais.

 

Na primeira fase, explica Eduardo Grizendi, diretor de engenharia da RNP, vão ser licitados 389 circuitos – além do RS e de SC, que já fecharam as licitações, também serão atendidos PR, SP, RJ, MG e regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que estão com licitações abertas. Mas o objetivo da RNP é substituir todos os 500 circuitos que ligam os pontos de presença aos campi no interior, à medida em que os atuais contratos foram vencendo. “Não se trata só de aumentar a velocidade, mas de contratar uma rede mais moderna e eficiente”, informa Grizendi.

 

A boa surpresa das licitações, que começaram pelo Sul do país, foi a presença de provedores regionais na disputa. “Ficamos bem impressionados com a qualidade da rede de alguns provedores”, conta Grizendi. Ele espera que a participação de provedores regionais que vendem capacidade no atacado se repita em outras regiões, pois permite reduzir o preço do serviço.

 

Competitividade

O fato de contar com uma rede nova, sem o legado carregado pelas operadoras, é o que permite aos provedores regionais serem competitivos em altas velocidades, avalia Carlos Eduardo Vianna, diretor de operações da SouthTech. Com sede em Porto Alegre, a empresa começou a atuar em 2008 e é a versão moderna e atualizada de uma BBS criada em 1998.

 

Presente em 350 cidades gaúchas, a SouthTech tem foco no Rio Grande do Sul. “Atendemos a mais de 80% do PIB gaúcho”, conta Vianna. Seus clientes são o mercado corporativo, governo e provedores locais de acesso à internet. Com faturamento da ordem de R$ 40 milhões, a SouthTech tem uma rede de fibra de 5 mil quilômetros e mais de 70 estações.

 

Na licitação recente levou 13 circuitos, todos conectados ao ponto de presença da RNP em Porto Alegre. “A conexão com os campi no interior será feita por fibra óptica, com redundância. Os rádios serão eliminados”, informa Vianna.

 

Se o foco da SouthTech é ter grande capilaridade no Rio Grande do Sul, o da BR Digital é ampliar sua presença no país que, aliás, é significativa. A empresa cobre parte de quase todos os estados brasileiros, à exceção de Mato Grosso do Sul, Piauí, Maranhão e dos estados da região Norte, de acordo com informações disponíveis em seu site.

 

O grupo Compuline nasceu em Porto Alegre no início dos anos 1990, como revenda na área de informática. Aos poucos foi se diversificando. A BR Digital nasceu em 2010 e sua rede é de fibra e rádios digitais.

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