Provedor satelital cresce com parceria no agronegócio


O provedor de banda larga satelital Universosat, de Franca, no interior de São Paulo, deu um salto de crescimento no ano passado. A empresa, que em 2018 administrava cerca de 300 pontos de acesso, conectou 1,2 mil em todo o país apenas em 2019 e prevê fechar 2020 com receitas acima de R$ 18 milhões.

O sucesso vem na esteira da demanda por fazendas. E de uma bem sucedida parceria com a empresa Prime Field, desenvolvedora de soluções em tecnologia para o campo.

A Prime Field criou em 2015 o Smartsync, um sistema portátil de conexão no campo, embarcado em uma carreta alimentado por energia solar e baterias. O sistema cria uma rede mesh com raio de 2,5 km. Como tem rodas, pode ser ligado apenas nas áreas da fazenda onde há trabalho, a custos mais baixos que o de construção de torres, por exemplo. O Smartsync conecta computadores de bordo e piloto automático de tratores à internet através dos satélites utilizados pela Universosat. Tem ainda câmera e registro eletrônico de ponto. Atende, com o equipamento, multinacionais como Bunge, Raízen, BP.

A Universosat se beneficia dessa parceria, que trouxe quase todos os novos acessos ano passado. O provedor conheceu os fundadores da PrimeField, ofereceu condições de contratação que permitiram à startup crescer, e juntos ambos se expandiram.

SES-14

Diante do crescimento registrado ano passado (para este ano espera-se expansão entre 50% e 70%), a Universosat contratou capacidade diretamente no satélite SES-14, da SES, que começará a ser usada em 30 dias. Com isso, elevará a velocidade dos pacotes de internet. Até o final do ano passado, a maior taxa de conexão oferecida era de 10 Mbps. Agora, chegará aos 25 Mbps. Sempre usando banda Ku.

“Preferimos não recorrer à banda Ka, achamos a banda Ku mais segura para o atendimento corporativo. No caso, usamos o sistema iDirect, que consideramos o melhor, mas temos também o modelo VILT vindo do SES-10”, diz Efrem Mol Peixoto, dono e presidente da Universosat. O contrato com a SES terá duração de pelo menos três anos, e poderá ser renovado sucessivamente.

Segundo ele, a estratégia de atendimento é levar o serviço a áreas sem nenhuma infraestrutura. “Além do agronegócio, temos registrado maior interesse por hotéis e pousadas no Amazonas e no Pará”, conta. Entre os grandes clientes corporativos está a produtora de alimentos Bunge.

Para reduzir a dependência da expansão na Prime Field, Peixoto conta que está formando equipes para buscar clientes entre escolas remotas e no setor turístico. O provedor tem também um cliente em Assunção, no Paraguai, e espera ampliar a cobertura internacional na região, uma vez que contrata capacidade também no satélite SES-10, que cobre a América do Sul. Outra frente futura deve ser o atendimento a pessoas físicas. Neste caso, depende de queda nos preços do megabit. “Temos esse desejo, mas precisamos chegar no custo certo”, ressalta.

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