Projeto nacional para banda larga deve ser prioritário


A defesa de um projeto nacional para ampliação ao acesso à banda larga foi a tônica do encontro “Banda larga no Brasil: Barreiras à expansão e papel na inclusão social", realizado hoje na Fundação Getúlio Vargas. Tendo em vista a importância da tecnologia para a inclusão social e desenvolvimento do país, um projeto nacional é …

A defesa de um projeto nacional para ampliação ao acesso à banda larga foi a tônica do encontro “Banda larga no Brasil: Barreiras à expansão e papel na inclusão social", realizado hoje na Fundação Getúlio Vargas. Tendo em vista a importância da tecnologia para a inclusão social e desenvolvimento do país, um projeto nacional é prioritário e imprescindível para incluir o Brasil entre as nações mais desenvolvidas, concordaram todos os participantes. No encontro foi lançado o Informe Digiworld América Latina 2007, patrocinado pela Fundação Telefônica, com números e análises sobre os avanços no desenvolvimento e implantação das novas tecnologias de informação e comunicação na região e no mundo.

Os números do setor comprovam o potencial de crescimento destas tecnologias, em especial da internet banda larga, que poderá se tornar o principal veículo de inclusão digital no país e na América Latina (AL), nos próximos anos. Há hoje no Brasil cerca de seis milhões de acessos banda larga, o equivalente a 9% dos domícilios do país, a grande maiorira concentrada nas classes A e B. No entanto, de acordo com números da PNAD (Pesquia Nacional por Amostra de Domicílio), 71% das residências brasileiras são compostas por famílias com renda entre R$ 700 e R$ 794 reais mensais, bem abaixo dos R$ 12 mil que qualificam o topo da pirâmide social nacional. Apenas 22% dos domicílios possuem computadores, e 17% tem computador conectado à internet.

“A penetração de banda larga no Brasil ainda é baixa, e é necessário popularizar o acesso”, destacou o consultor Mario Dias Ripper. Ele avalia que há medidas a serem tomadas, tanto pelos entes públicos, quanto pelos privados, na ampliação do acesso. No ambiente público, “o discurso é de inclusão, mas as ações são de exclusão, como a excessiva taxação sobre os serviços”, disse o consultor, ressaltando que as organizações privadas também podem contribuir com maior competição e, quando necessário, separação de rede. Já Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica no Brasil, ressaltou o projeto das teles, capitaneado pela Abrafix (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviço Telefônico Fico Comutado), de isenção de impostos para o estabelecimento de uma rede nacional de banda larga. Segundo Valente, as concessionárias “já estão em conversas preliminares” com o governo, propondo “redução de impostos para todos os elos da cadeia, inclusive impostos de importação de equipamentos”.

A necessidade do ampliação da rede e do acesso à banda larga também foi enfatizada por Marta Maia, professora da FGV especializada em ensino à distância. Ela citou dados que reforçam a tese do uso das tecnologias de telecomunicações para aumentar a quatidade de alunos com acesso ao ensino superior, que abrange apenas 30% do território nacional. Segundo Marta, o número de alunos do ensino à distância cresceu 60% nos últimos quatro anos, e somente em 2006 mais de 780 mil pessoas se matricularam em cursos do gênero.  “A previsão é que os investimentos cresçam, em média, 40% ao ano, até 2010, somando R$ 3 bilhões”, destacou a pesquisadora.

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