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A quinta geração de redes móveis (5G) pode desembarcar no Brasil já em 2019. Será usada para a entrega de banda larga fixa, com velocidades entre 200 Mbps e 400 Mbps, tanto no downlink, quanto no uplink. Para isso acontecer, a indústria depende da realização do leilão de 3,5 GHz pela Anatel.

A previsão é da Nokia, fabricante de equipamentos de rede, que fornece para todas as operadoras móveis do país.  “A gente vê um crescimento da demanda que nos leva a alguns casos de uso, principalmente o Fixed Wireless Access, que usa 5G na última milha, já em 2019”, afirma Wilson Cardoso, CTO para a América Latina da empresa.

Operadoras se movimentam

Ele diz que as teles já avançam nas experimentações. A TIM, por exemplo, obteve sucesso em estabelecer conexões fixas 5G em testes realizados no final de 2017, em laboratório.

A ativação comercial poderia acontecer em três a seis meses após a entrega dos lotes de frequência para as operadoras. Isso porque as empresas já estariam usando equipamentos habilitados para a 5G, bastando a adição de um módulos na frequência de 3,5 GHz.

Sua expectativa é de que o leilão aconteça ainda no primeiro semestre de 2019, com a venda de 200 MHz divididos em quatro lotes. Para ele, 50 MHz por operadora são suficientes para cobrir grandes áreas urbanas que já sejam atendidas por quantidade “razoável” de torres.

Sem conflito 

Wilson diz que as primeiras ofertas FWA (banda larga fixa pelo ar) serão feitas em grandes centros urbanos por serem áreas de alta densidade populacional. Ou seja, São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais devem ser os alvos prioritários. O case também será possível em cidades menores atendidas por rede de transporte de alta capacidade.

E não haverá necessidade de limpeza de espectro, como aconteceu com os 700 MHz, que era usado pela TV aberta. “Fizemos testes de mitigação com a TIM. Existe a possibilidade de convivência do satélite com 3,5 GHz sem problema nenhum”, diz.

A faixa de 3,5 GHz é considerada nobre pelas operadoras (e fabricantes) por conta de características técnicas. Se propaga muito bem quando usada em conjunto com a frequência de 1,8 GHz, destinada em todo o país a redes móveis. “Se chega 1,8 GHz na sua casa, chegará o 5G em 3,5 GHz, usando-se a mesma infraestrutura, sem adicionar nenhuma torre”, garante Cardoso.

Para o consumidor, os benefícios serão parecidos que os colhidos pelas operadoras. Como o ar vai substituir a última milha, a visita do instalador se torna desnecessária. “A operadora só vai precisar enviar o modem para o cliente pelo correio”, acredita.

Também não será preciso chamar o técnico caso a fibra se rompa dentro de casa. Ou solicitar desativação e reativação em caso de mudança de endereço. Será tudo “imediato”, diz. Para a operadora, todas essas mudanças reduzem o custo de manutenção e com atendimento.