Primeira fábrica de transceptores ópticos do país começa a funcionar


A primeira fábrica de transceptores ópticos, equipamentos usados em redes de fibra para conversão de sinais de luz em eletricidade, começa a produzir este mês. A planta fica em Piracicaba, interior paulista, e pertence à norte-americana Integra Optics. Também é a primeira fora dos Estados Unidos da empresa. 

Quem conduz as operações no país são Odilon Claro (CEO) e Rodrigo Claro (COO), pai e filho. Segundo eles, a meta é, em dois anos, obter faturamento de US$ 10 milhões, empregando 200 pessoas. A maioria dos recursos humanos deverá ser de engenheiros. Espaço para crescer há de sobra, dizem, durante conversa com jornalistas realizada hoje, 07, em São Paulo.

“Apesar do tsunami político e financeiro por que passa o Brasil, o mercado nacional em fibra óptica [e componentes] tem tudo para se fazer. O potencial de crescimento é ainda maior que o visto nos Estados Unidos”, diz Odilon. A receita mundial, ele não revela. Mas diz que em 2015 registrou crescimento de 850%, índice que deve se repetir este ano.

Os executivos preferem não passar dados precisos sobre o mercado brasileiro de transceptores. Explicam que 70% desse segmento é oriundo da demanda das operadoras. O restante é de oportunidades em data center. Depois de começarem a vender para as grandes teles, a expectativa é crescer no mercado financeiro, vendendo a bancos, e de saúde, atendendo a redes hospitalares.

A fábrica tem foco no Brasil, mas tende a concentrar a produção para a demanda na América do Sul. “Já temos clientes em Argentina, Chile, Peru. Estamos há um ano e meio montando a fábrica. Não vamos abrir o mercado, ele já existe, e é grande”, ressalta o CEO. Atualmente, 100% dos transceptores vendidos no Brasil são importados. Há também um volume “pirata”, impossível de rastrear. “Nesses casos, o investimento é arriscado, pois não há garantia. No nosso caso a garantia é vitalícia”, frisa.

A empresa cita estudos segundo os quais este mercado teria movimentado US$ 3,3 bilhões no mundo em 2013 – com previsão de gerar receitas de US$ 9,9 bilhões em 2020, com domínio de fabricantes chineses. O transceptor, também chamado de transceiver ou módulo, é usado nos switches das redes ópticas e pode ser desacoplado a qualquer momento, conforme a necessidade dos técnicos. Normalmente o dono de uma rede é obrigado a comprar este componentes da mesma marca que o switch. Mas, no caso da Integra, o equipamento é agnóstico e funciona com qualquer OEM.

A empresa também pretende fornecer a quem fabrica switches “fechados”, em que as portas não ficam tão facilmente acessíveis. Terá ainda versões para uso em redes de cobre. Outros produtos, como passivos, conectores ópticos e um reprogramador de transceptores, serão importados para venda pela filial.

Outro argumento de Odilon para justificar a abertura da fábrica no país é a inserção em programas de incentivo. A linha de transceptores já sai homologada para participar de compras como conteúdo nacional, facilitando o investimento de quem recebe financiamento do Finame, do BNDES.

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