Postos alguns pingos nos iis, Telemar veria “com simpatia” a separação de redes.


Cumpridas algumas pré-condições, as concessionárias do STFC até poderiam olhar com simpatia a possibilidade da separação da área de infra-estrutura de rede da prestação de serviços. Esse foi o comentário de um bem humorado João de Deus, diretor do Grupo Telemar, depois de ouvir a apresentação sobre "As Obrigações da BT com o Ofcom", feita …

Cumpridas algumas pré-condições, as concessionárias do STFC até poderiam olhar com simpatia a possibilidade da separação da área de infra-estrutura de rede da prestação de serviços. Esse foi o comentário de um bem humorado João de Deus, diretor do Grupo Telemar, depois de ouvir a apresentação sobre "As Obrigações da BT com o Ofcom", feita por Mark Shurmer, diretor do programa de empreendimentos da unidade da British Telecom Retail, hoje, 10 de novembro, na Câmara Americana de Comércio, em São Paulo.

Encerrada a exposição, Luiz Catercione, gerente de inteligência regulatória da Brasil Telecom, que se perguntava por que a BT vinha ao país fazer propaganda da separação rede/serviços, depois de tirar algumas dúvidas junto a Shurmer, voltou aliviado. “Não foi pressão do órgão da concorrência coisa nenhuma. Foi uma decisão estratégica da empresa, que não acarretou novas obrigações. Muito pelo contrário, porque, com a criação da sua unidade de redes, a Openreach, a BT rateou o seus custos de universalização entre os clientes da sua rede,” disse ele.

Menos regras

Com essa decisão, a BT “apostou alto”, colocou voz em segundo lugar e partiu para a diversificação total de serviços (que, aliás, representam 60% de sua receita) – banda larga, tecnologia da informação, venda de equipamentos, entre outros – todos com maior perspectiva de valorização do que a telefonia fixa. A empresa vendeu até a operação celular, serviço que provê, hoje, aos clientes, alugando banda de terceiros, isto é, como operadora virtual (MVNO).

Mas o próprio Shurmer afirmou, com todas as letras, que o grande benefício da separação foi a redução da desregulamentação. E, mesmo que o órgão regulador do Reino Unido, o Ofcom, não tenha pressionado muito a incumbent BT, é sempre melhor “perder os anéis do que os dedos”, comentou Arthur Lavatori, também da Telemar. Note-se que, tanto Telemar, como Brasil Telecom, lembram que, no Reino Unido, é só uma a licença para serviços de comunicação, as empresas podem atuar em todas as áreas, inclusive no provimento de conteúdo, diferentemente do Brasil, onde existem quase três dezenas de licenças.

“Nós estamos interessados em analisar o assunto com profundidade. E, apesar de o modelo de separação operacional só terem sido adotados por dois países, Reino Unido e  Austrália, ele permite um bom equacionamento das obrigações de universalização, um parâmetro básico de custos para uma empresa do porte e diversidade de uma Telemar”, ponderou João de Deus.

Anterior Brasil Telecom lança RFP para WiMAX móvel em Curitiba e Porto Alegre
Próximos Exoneração de Joanilson Barbosa é publicada no Diário Oficial