Possível desembarque dos chineses preocupa teles que operam no país


shutterstock_agsandrew_abstrata_geral_tecnologia_tendenciaAs empresas de telecom que operam no país, tanto as de capital estrangeiro, como Telefônica, TIM e grupo América Móvil, como a brasileira Algar Telecom, até então vinham acompanhando de perto as movimentações em torno sobre possíveis novos investidores na Oi – sobretudo estrangeiros. Mas a entrada dos chineses em cena mudou o cenário.

Com as demandas da China Telecom, a primeira operadora chinesa a se interessar pela Oi e a participar de due dilligence, as operadoras Claro Brasil, do grupo mexicano América Móvil; a TIM, da homônima italiana; a Vivo, da espanhola Telefónica; e a brasileira Algar Telecom, do grupo mineiro Algar; entraram em estado de alerta.

O estado de alerta foi acionado quando a China Telecom, em reuniões com dirigentes da Anatel e da AGU, colocou como pré-condição para o investimento na Oi de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões, a anistia das multas da Anatel que estão na Recuperação Judicial (R$ 8 bilhões de um total de R$ 11 bilhões, sem correção) e a aprovação do PLC/2016 que permite transformar as concessões de telefonia fixa em autorizações, mediante investimentos em banda larga.

As operadoras, todas elas envolvidas com um histórico de multas da Anatel por descumprimento de obrigações – algumas em processo de discussão de Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e outras em situação mais avançada, caso da Telefônica –, viram aí a possibilidade de chegar um novo entrante em vantagem competitiva. Ou seja, com o pagamento de multas suspenso.

E começaram a se mexer junto ao Executivo e ao Legislativo. Embora nenhum de seus executivos diga isso, o que elas querem mesmo é barrar a entrada dos chineses. Além a China Telecom, também se apresentaram como interessadas na Oi a China Mobile e a China Unicom. Esta teria interesse apenas no mercado corporativo.

O discurso oficial das teles, no entanto, é de que elas querem isonomia. “Não podemos admitir que o governo conceda para um investidor um prazo especial para pagamento de dívida, ou anistia dessa dívida,e não conceda o mesmo para as demais concessionárias”, argumenta um diretor de concessionária.

Saídas propostas para Oi

Do ponto de vista das grandes operadoras que operam no país – e esta não é uma tese nova -, a melhor saída para a Oi é que seja aprovada a recuperação judicial e que, a partir daí, ela seja separada em dois blocos de serviços e em duas empresas.

A primeira tese, e consensual no mercado, é que a Oi fixa e banda larga seja vendida, tendo como comprador potencial a TIM, e a Oi móvel seja dividida em três fatias, cada uma adquirida por uma operadora móvel de forma a se evitar a concentração: Claro, TIM e Vivo. Para isso, é preciso mudar a regulamentação sobre o limite total de espectro em mãos de uma única operadora. O presidente da TIM, Stephano De Angelis, vem batendo nessa tecla. Para ele, o aumento da quantidade de espectro por operadora é a principal pauta das celulares para 2018.

A segunda tese nada tem de consensual no meio empresarial, mas encontraria guarida na sociedade civil. Ironicamente, ela parte de um consultor ligado ao capital financeiro. Defende igualmente a divisão da Oi em serviço fixo e serviço celular, mas recomenda que a telefonia fixa, concessão, seja devolvida à União com seus ativos e suas dívidas. Que a concessão e as dívidas, já negociadas, sejam absorvidas pela estatal Telebras, e que ela transforme o backbone, o melhor ativo que a Oi possui, em backbone público, alugando capacidade para todas as demais operadoras.

Com o aluguel, e o alongamento das dívidas para com o Estado, diz ele, a Telebras teria um modelo de negócios viável, com recursos para garantir a modernização da infraestrutura.

Por que essa proposta, vinda do mercado, é boa para a sociedade civil? Porque torna público um importante backbone de banda larga do país, reivindicação feita por um conjunto de entidades na campanha Banda Larga para Todos. Essas entidades defendem que o transporte da banda larga seja feito em regime público e o serviço de acesso, em regime privado. A proposta é viável economicamente? Segundo a fonte, que diz ter estudado o assunto, sim.

Abre-se aqui um importante debate. É hora de colocar os estudos em discussão pública e confrontar as teses.

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12 Comments

  1. Rogério Pires
    11 de dezembro de 2017

    Excelente matéria!!! A meu ver a Oi é uma locomotiva, poderosa mas pesada e sucateada! Tem a vantagem de ter uma extensa malha de backbones, que todas as outras teles gostaria de ter, sem as obrigações da concessão, é claro! A tese exposta no artigo, sobre a devolução da concessão à União me parece muito interessante (não sei se viável), mas acredito isso é uma coisa muito remota de se ocorrer! Acredito que irá prevalecer a solução de mercado! O Governo (leia-se nós) absorve as dívidas e o mercado adquire a parte “boa” que sobrar!

  2. ALDEVANY HUGO
    11 de dezembro de 2017

    Resumindo: as operadoras não querem competição com a China e suas empresas porque a China vai vir investindo pesado obrigando as operadoras Tim, Claro e Vivo a investirem também. Querem comprar a Oi pra manter o cartel, impossibilitar a verdadeira competitividade e ganhar mais e mais dinheiro sem o menor esforço ou preocupação.

  3. 11 de dezembro de 2017

    As operadoras querem é menos uma concorrente de peso, no nosso país. Isso é ruim para nós, consumidores. Quanto mais concorrência melhor os serviços ficam e mais baratos também. Espero que a OI seja comprada pelos chineses e que eles a tornem bem melhor que as três maiores operadoras (VIVO, CLARO e TIM).

  4. Maria do socorro de Siqueira
    11 de dezembro de 2017

    Por mim,compra mesmo estou esperando receber umas Ações como Funcionará, quando Privatizou,na época,4.900,00,entrei na Justiça em 2010, recorreram até o STF,uma coisa que é de direito Meu, Ganhei em todas as instâncias,de com esse Reparação Judicial, não me Pagaram… Quero receber meu Dinheiro, prescisando Muito…Por mim vende e conheço vários pessoas com esse mesmo Problema.

  5. Erick
    11 de dezembro de 2017

    As outras 3 estao com medo, porque os Chinas vao vir e investir pesado na Oi colocando ela pra bater de frente na Vivo.

  6. Ulisses Fonseca
    12 de dezembro de 2017

    São uns abutres mesmo , ao que eu entendi eles querem de novo que o governo invista na banda larga para que eles usufruam,nos cobrem caro por um serviço que nos pagamos para ter, mas que nos é entregue de má qualidade
    É a mesma história tal empresa ta mal fatia e vende em pedaços assim fica melhor pagar a dívida e nunca se paga , sabemos que todas elas estão em dificuldade e não é por falta de clientes não é por falta de investimentos delas mesma e incompetência de seus gestores

  7. Darlan Dapper
    12 de dezembro de 2017

    Resumindo: as operadoras não querem competição com a China e suas empresas porque a China vai vir investindo pesado obrigando as operadoras Tim, Claro e Vivo a investirem também. Querem comprar a Oi pra manter o cartel, impossibilitar a verdadeira competitividade e ganhar mais e mais dinheiro sem o menor esforço ou preocupação.

    Achei muito bom e estou torcendo que a China entre neste mercado brasileiro quero ver muito bobo correndo pra atender demanda espero que seja pra ontem e vamos em frente

  8. Clóvis Gomes Rodrigues
    12 de dezembro de 2017

    É milagre… Ainda alguém se interessar pela Oi. Para se resguardar os Empregos e dar uma sobrevida… De uns 5 anos..
    Até o cenário mudar.. problema da Oi’ é que sua Área Geográfica é ruim.
    Mercado-Logicamente ruim ; alguns Estados Federativos de baixa densidade populacional. Deveria receber uma compensação por esta questão ; porque isso não têm solução.
    Cadê a tal REGULAÇÃO’ de mercado ; os “Contrapesos” ; ANATEL NÃO TEM FORÇA POLITICA PARA FAZER REGULAÇÃO.
    Porquê Não têm como regular a Renda que náo existe ; por falta de Clientes em determinadas regiões do Pais.
    Na Ocasião da Privatização 1988* não tinham a mínima ideia daquilo que viria à ser o Mercado de TELECOMUNICAÇÕES.
    Precisa-se gerar “Estabilidade”.. Quem quer a Oi?? Quem quer investir? Precisa-se Gerar Emprego e alguma “rendazinga ”
    Olá… Oi ••

  9. 12 de dezembro de 2017

    Estão tudo com medo porque sabem que quando os chineses chegarem vai aumentar a qualidade e reduzir o preço…e que venha os chineses, mas que cheguem rápido porque precisamos de mudanças urgentes!!!

  10. Paulo
    13 de dezembro de 2017

    Chinês? Qualidade? Preço?… olhem o que aconteceu na África onde eles entraram…. Preços altos, qualidade muito abaixo da expectativa. Estamos em um beco sem saída. Entrega a oi para os Credores e a dívida para os sócios..

  11. Romualdo Costa
    8 de Janeiro de 2018

    Vender aos chineses ? Ok, mas a contrapartida é amarrar a geração de empregos, comprar equipamentos produzidos e/ou projetados no pais ( estimulando produção, projetos locais e empregos para brasileiros ) e tarifas mais baixas para a população com maior oferta de serviços. Isso não está acontecendo na área ferroviária e metroviária por exemplo. Isso deveria valer para qualquer um independente da origem.