Portugueses temem perdas ao país com fusão Oi/PT


Apesar de ressaltar a importância da fusão da Portugal Telecom com a Oi, anunciada nesta quarta-feira (2) e que criará uma gigante das telecomunicações, os portugueses temem perdas com a operação, como indica a cobertura do assunto feita pelos veículos de comunicação daquele país. Uma entrevista do secretário de Estado dos Transportes e Telecomunicações, Sérgio Monteiro, onde admite desconhecer se o país poderá perder receitas fiscais devido à fusão, foi replicada em todas as publicações. Isto porque a sede da nova companhia – a CorpCo – será no Brasil, enquanto apenas as subsidiárias vão permanecer em Portugal.

O Correio da Manhã chegou a fazer uma enquete online sobre ganhos e perdas para o país, com maioria dos que votaram em perdas.  Já a publicação “O Público” avaliava que, apesar da euforia com que as bolsas receberam o anúncio, os trabalhadores reagiram com ceticismo ao negócio. O sindicato dos trabalhadores do grupo PT considerou a decisão positiva, “tendo em conta a situação econômica do país e a agressividade da concorrência”, mas destacou “as fragilidades da Oi do ponto de vista técnico” e lamentou o fato de “o centro de decisão ficar no Brasil”.

Os políticos, por sua vez, criticaram a operação. O Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda mostraram-se preocupados com a fusão entre a PT e a Oi, um negócio, dizem, “preocupante” para a economia portuguesa. “Será uma grande notícia para os grandes acionistas privados (…) mas é uma notícia muito preocupante para a economia nacional e para aquilo que ao longo dos anos se designou de centros de decisão estratégica a nível nacional”, disse o deputado comunista Bruno Dias aos jornalistas, em declarações na Assembleia da República.

O empresário e militante do PSD Ângelo Correia considera que a fusão da portuguesa PT com a brasileira Oi é um negócio vantajoso para as duas telecoms permitindo, desta forma, criar um “operador transatlântico”, mas considera, por outro lado, que também revela a “perda de poder de Portugal e das suas empresas”.

“Em primeiro lugar, esta operação significa a perca de poder de Portugal e das suas empresas; em segundo; a debilidade do capitalismo português; em terceiro, a força do capitalismo brasileiro; quarto, a possibilidade de um grande operador transatlântico”, disse Ângelo Correia ao Dinheiro Vivo.

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