Por “uma reforma agrária da banda larga”


O secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, enfatizou, em entrevista coletiva realizada hoje, 8 de novembro, na sede do Núcleo de Informação e Comunicação do Ponto br (NIC.br), a necessidade de expandir o serviço de internet rápida nos domicílios brasileiros. “Precisamos de uma reforma agrária da banda larga”, …

O secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, enfatizou, em entrevista coletiva realizada hoje, 8 de novembro, na sede do Núcleo de Informação e Comunicação do Ponto br (NIC.br), a necessidade de expandir o serviço de internet rápida nos domicílios brasileiros. “Precisamos de uma reforma agrária da banda larga”, comparou Santanna, que também é consultor do Comitê Gestor da Internet (CGI).

A avaliação do secretário ilustra a desigualdade do acesso à internet no país: segundo o levantamento TIC Domicílios 2006, realizado pelo NIC.br, apenas 28,64% dos lares possuem banda larga. Para preencher a lacuna, ele destacou a importância da consolidação de um Plano Nacional de Banda Larga, que consistiria na proposição de novos marcos regulatórios, medidas para barateamento dos custos de acesso e ampliação da área de cobertura – 26,5% dos domicílios sequer recebem cobertura desse tipo de serviço.

Educação

“O Plano já está em debate dentro do governo. Há um consenso no Ministério do Planejamento”, afirmou Santanna. Uma das instâncias envolvidas nas discussões é a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), presidida pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP). Assim como outros membros da administração federal afirmaram anteriormente, a educação será a menina dos olhos do próximo governo.

“Qualquer solução de TI no Brasil tem que pensar na educação básica como questão central. E investir nela passa, necessariamente, por novas tecnologias”. As tecnologias wireless (sem fio), segundo Santanna, serão fundamentais para o processo.

Os índices na população carente são alarmantes: a conexão via modem está em 88,16% dos domicílios das classes D e E. Contudo, na classe A, 43,45% das residências utilizam o mesmo meio, o que se explica pelo fato de as pessoas terem acesso em alta velocidade em outros locais, como trabalho e escola. “A classe A tem múltiplos acessos. Já nas classes de menor poder aquisitivo, a concentração está nos centros públicos”, explica Santanna.

“Todos os datagramas são iguais perante a lei”

A discriminação de dados, tratamento diferenciado na velocidade de transmissão de informações na internet, foi energicamente rejeitada pelo secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento. A discussão, ainda incipiente no Brasil, está a todo vapor nos EUA, inclusive com possibilidade de alterações na lei.

“Defendemos a neutralidade da rede, as pessoas que façam o uso que quiserem”, argumentou Rogério Santanna, que considera a discriminação de dados um entrave para a difusão da banda larga. E finalizou com uma ironia: “Todos os datagramas são iguais perante a lei”.

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