Por que as operadoras brasileiras querem o IMS


A arquitetura IMS (IP Multimedia Subsystem), prometida pela indústria como a melhor solução para demandas das operadoras tais como convergência fixo-móvel, serviços multimídia sofisticados e agnósticos ao tipo de acesso, entre outros, já passou da fase do “engatinhar” para questão obrigatória na estratégia das empresas de telefonia do país. Mas ainda restam dúvidas no setor, …

A arquitetura IMS (IP Multimedia Subsystem), prometida pela indústria como a melhor solução para demandas das operadoras tais como convergência fixo-móvel, serviços multimídia sofisticados e agnósticos ao tipo de acesso, entre outros, já passou da fase do “engatinhar” para questão obrigatória na estratégia das empresas de telefonia do país. Mas ainda restam dúvidas no setor, dentre elas, duas mais freqüentes: 1) o IMS é uma realidade palpável ou algo em processo de maturação? 2) Se está maturando, em quanto tempo será pleno?

Para Jesper Rhode Andersen, vice-presidente da Ericsson no país, o prazo é ontem. “É necessário abrir um debate para aumentar a rentabilidade das operadoras”, comenta ele ao Tele.Síntese.  O executivo dinamarquês destaca que operadoras européias (dentre elas, as MVNOs) já conseguem ofertar pacotes com um preço pouco acima de US$ 10 mensais que incluem banda larga, minutos móveis e fixos. Esta realidade, ele alerta, em breve invadirá o Brasil, portanto, nada mais necessário do que incrementar serviços e reduzir custos. Essas são promessas do IMS, que é patrocinado pelo 3GPP/3GPP2 e tem dois elementos de destaque: o Soft Switch (SS), com importante função de controle; e o protocolo SIP (Session Initiation Protocol), como agente de comunicação entre os principais elementos da rede.

Nuvem
Enquanto as operadoras já oferecem seus serviços convergentes, as redes ainda atuam verticalmente. O IMS é uma “nuvem inteligente, que torna a rede mais barata e flexível”, na definição Caio Bottiglieri, gerente de soluções da Nokia. Seria a senha para unificação dos setores de engenharia e informática das empresas. Uma das promessas é simplificar o billing numa base única. A Nokia demonstrou, durante o IMS Forum esta semana em São Paulo, suas aplicação de voz sobre WiFi (utilizando a rede uma operadora finlandesa e seu core único – fixo, móvel e IP). “É voz sobre qualquer acesso,” resume o executivo.

Rhode, da Ericsson, comenta sobre as iniciativas no exterior utilizando a arquitetura, que, finalmente, vão convergir os serviços de internet para o mundo da telefonia. Por exemplo, a capacidade de se usar o Google, o MSN Microsoft e sites de relacionamento, como o MY Space, no telefone. “No Brasil, o Orkut é muito importante e deve gerar grande interesse para esse serviço”, diz. Além disso, outro aplicativo de grande potencial da tecnologia é o video sharing, ou seja, a possibilidade de se trocar vídeos durante uma conversa telefônica.

Operadoras

Mas o que as operadoras pensam disso? Para Elydio Adler Pereira, diretor de engenharia da Embratel, o importante é seguir o “Tao” ou seja, o caminho (dentro da filosofia chinesa) que leva ao IMS. Ele comenta que o grupo Telmex tem grande interesse na arquitetura. “Nossa orientação, em engenharia, é que cada novo equipamento adquirido seja compatível com o IMS”, destaca. Dessa forma, todas as empresas do grupo (NET, Star One, etc) serão permeadas pelo conceito. O grupo está recebendo propostas para servidores que vão interagir com o ambiente legado e as redes NGN. O nome da solução é Parlay, indicada para serviços inteligentes, e será implementada até o final deste ano. “Acredito que o processo de maturação do IMS é de 3 anos”, destaca.

Para Roni Wajnberg, gerente de ofertas do mercado corporativo da Telemar, o tempo para o IMS também é agora no Brasil. Mas ainda há restrições por parte das empresas, aquele último momento de indecisão. “Até porque, ainda há poucos cases, apenas 46 operadoras no mundo, e há dúvidas sobre os custos”, comenta.

Segundo Guilherme Fuhrken, executivo de vendas da Juniper, o retorno de investimento vai depender de cada caso, mas poderia se prever algo entre 12 e 18 meses. Ele foi enfático no sentido de que, apesar das promessas de ganhos e otimização, as operadoras terão que abrir a carteira. “Tem que por dinheiro na mesa”, comentou, durante um dos painéis do IMS Forum, evento organizado pela Pro Visuale.

Qualidade
Uma dos pontos colocados no seminário foi o de como convercer os membros dos Conselhos de Administração das empresas, cada vez mais ligados ao mercado financeiro (no lugar de engenheiros), a fazer investimentos do tipo. E convencê-los de que conceitos como QoS (qualidade de serviço) e “segurança” seriam importantes na hora de contratar, considerando que se trata de algo padronizado onde, teoricamente, seria mais vantajoso escolher o mais barato.

Guilherme Fuhrken, da Juniper, comenta que QoS  em uma empresa significa até mesmo recusar um cliente para não comprometer a qualidade dos demais (em efeito cascata). Segundo Jesper Rhode, com a arquitetura, as operadoras poderão controlar melhor a seção, o que passa por suas redes. As possibilidades são grandes. Por exemplo, a de alguém que tem assinatura de internet de 256 Kbits poder baixar, em um site de provedor de conteúdo, um filme inteiro, que trafegará por 8 megabits por segundo enquanto o usuário assiste ao filme. Neste exemplo, o modelo de negócios rapartiria os ganhos entre as empresas dos dois mundos –  internet e telecom. Um  passo a mais rumo à convergência, no conceito do executivo da Ericsson.

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