Polêmica sobre neutralidade de rede é reproduzida na Futurecom


A polêmica sobre neutralidade de rede está longe de acabar. Foi o que ficou evidente no painel sobre o tema realizado nesta quinta-feira (11), na Futurecom 2012. Operadoras não abrem mão da possibilidade de gerenciar o tráfego da rede, enquanto o Comitê Gestor da Internet no Brasil considera inadmissível a prática e a Anatel não vê por que regulamentar isso agora. Os provedores de internet são contrários a qualquer tipo de interferência no tráfego de usuários e as empresas de TV por assinatura entendem que a menor regulação possível é a melhor solução..

Em um ponto todos concordam: a equação envolvendo a remuneração dos investimentos em rede deve ser resolvida pelo mercado, com um novo modelo de negócio. O presidente da Abranet, Eduardo Parajo, acredita que o mercado saberá precificar o serviço, sem que haja necessidade de quebrar a neutralidade da rede. O chefe da Assessoria Técnica da Anatel, Carlos Baigorri, disse que o mercado está suficientemente maduro para encontrar um modelo de precificação adequado e, por isso, entende que a neutralidade da rede não impede que as operadoras façam pacotes de preços diferenciados em função do volume de tráfego ou de velocidade.

Já os representantes das operadoras acham que, sem gerenciar o tráfego, as redes acabarão parando. “O tráfego cresceu quatro vezes em dois anos e as receitas não chegaram sequer a dobrar no mesmo período”, disse André Borges, diretor da Oi. Ele sustenta que a regulamentação da neutralidade não deve inibir os investimentos das operadoras. Sua proposta é manter a regulação atual, assegurar os direitos essenciais e deixar o mercado regular o resto.

O diretor do escritório internacional da Telefónica, Carlos Lopez Blanco, por sua vez, entende que a neutralidade da rede não é a preocupação principal do usuário, que quer mais segurança. Ele afirma que não haverá equilíbrio entre investimentos e remuneração, se as operadoras não puderem gerenciar o tráfego. Blanco alerta que é preciso primeiro entender o problema para receitar o remédio.

O diretor da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annemberg, disse que o modelo atual está funcionando muito bem, sem necessidade de mudanças. O diretor da Tel-NT, Luiz Cláudio Rosa, afirma que o usuário quer uma navegação sem interferência perigosa, mas admite que o modelo atual faz com que o internauta que usa menos o acesso paga por quem usa mais. “É como um Robin Wood ao contrário”, afirma.

O diretor do CGI.br, Demi Getschko, não antecipa qualquer crise com as redes de telecomunicações devido ao estabelecimento da neutralidade da rede. “Se tivesse crise, notaríamos logo uma redução da oferta ao usuário final, o que não acontece”, disse. Para ele, o Marco Civil da Internet traz princípios gerais sobre neutralidade que não afetariam a infraestrutura de telecomunicações.

Anterior Domicílios terão 10 dispositivos conectados em 2020
Próximos Telebras: alta das ações é fruto do próprio mercado de capitais