PNAD revela taxa de penetração do celular no país inferior à da Anatel


Há uma grande disparidade entre os dados da Anatel relativos à penetração do celular no Brasil e aqueles apontados pela Pesquisa Nacional por Amostra  de Domicílios (PNAD), do IBGE, em levantamento relativo ao último trimestre de 2008. Há uma grande disparidade entre os dados da Anatel relativos à penetração do celular no Brasil e aqueles …

Há uma grande disparidade entre os dados da Anatel relativos à penetração do celular no Brasil e aqueles apontados pela Pesquisa Nacional por Amostra  de Domicílios (PNAD), do IBGE, em levantamento relativo ao último trimestre de 2008.

Há uma grande disparidade entre os dados da Anatel relativos à penetração do celular no Brasil e aqueles apontados pela Pesquisa Nacional por Amostra  de Domicílios (PNAD), do IBGE, em levantamento relativo ao último trimestre de 2008. Enquanto os dados da Anatel indicam uma penetração de 87,68% (considerando-se a população estimada para 2008 com mais de dez anos, ou seja, 160,561 milhões), a taxa apurada pela PNAD, seguindo os mesmo critérios, é de 53,8%.

A distância entre os dois números decorre do fato de a Anatel utilizar a base de celulares existente no país e informada pelas operadoras ao passo que a PNAD apurou o número de brasileiros que possuiam telefone celular no momento da pesquisa. Ou seja, a base de celulares no país em setembro de 2008, época em que foram colhidos os dados da PNAD, era de 140,788 milhões. Mas pela pesquisa do IBGE só 86,432 milhões de brasileiros afirmavam ter um telefone de uso pessoal. Com isso, a média de celulares por cidadãos que declararam ter telefone de uso pessoal é de 1,63.

Há vários fatores que podem explicar essa disparidade. Sem dúvida, o mais relevante é o fato, identificado pela própria pesquisa, de que vários brasileiros têm mais de um telefone, na classe A, e um grande contingente, das classes B, C e mesmo D,  têm um aparelho e vários chips, de diferentes operadoras. Reportagens feitas por diferentes veículos por ocasião da divulgação dos dados da PNAD relativos ao uso de celulares e da internet no Brasil, na segunda semana de dezembro, revelaram como o brasileiro, especialmente o de renda mais baixa, usa a promoção das operadoras celulares em seu benefício trocando de chip. Fora os que têm um chip para falar com a família distante, também cliente da mesma operadora, e um segundo e mesmo terceiro para outros usos. Jarbas Valente, superintendente de serviços privados da Anatel e futuro conselheiro, credita principalmente a esse fato a divergência entre os dados. “Internacionalmente se usa o critério de divisão da base pela população para se chegar à taxa de penetração de um determinado serviço. Mas é certo que muitos usuários têm mais de um celular ou mais de um chip. Se o chip está ativo, ele é computado na base da Anatel”, observa.

A esse fenômeno se soma o fato de a pesquisa da PNAD não contar os celulares de uso corporativo, em nome de empresas, que somam um volume perto de 6% da base, ou seja,  8,447 milhões em setembro de 2008. Também pode ter contribuido para inflar a base total de celulares no país números de operadoras que carregassem em sua base usuários já inativos. Por fim, o respondente da pesquisa da PNAD pode ter respondido que não tinha telefone de uso pessoal na situação onde o celular, único telefone da casa, fosse usado por toda a família.

Embora não disponham de pesquisas que possam identificar claramente as divergências, técnicos da Anatel informam que há um certo consenso entre as equipes das operadoras de que 10% da base é de usuários inativos ainda não identificados – os que não compram crédito mas usam o celular para receber – e que outros 10% são de usuários que têm dois chips, com dois ou um aparelho celular. Se essas estimativas forem corretas, a base de celulares registrada na Anatel, em setembro 2008, cairia para 118,263 milhões, com a eliminação dos telefones corporativos (não necessariamente contados na PNAD), e dos inativos. O que significaria uma taxa de penetração de 73,65%, mesmo assim 20 p.p. acima da apurada pela PNAD. E uma relação de 1,36 celular por cada cidadão que diz ter um telefone de uso pessoal.

Crescimento equilibrado

Se há discrepância entre as taxas de penetração pelos motivos apresentados, o índice de crescimento da base de celulares da Anatel e dos brasileiros que têm celular, entre 2005 e 2008, mantém uma relação de equilíbrio. No período a base de celulares aumentou 76%, enquanto o número de brasileiros que têm telefone pessoal cresceu 54%. A maior distância entre os dois indicadores está justamente nas regiões mais ricas do país, Sudeste e Sul, o que é mais do que natural: aí estão os brasileiros mais ricos e as grandes concentrações urbanas, nas periferias das grandes cidades, onde vivem os cidadãos que têm que ter mais de um chip para acompanhar as promoções e falar mais pagando menos.

Os dados da PNAD mostram que nas regiões metropolitanas das oito maiores capitais do país, mais de 60% dos moradores têm celular. Na liderança, empatadas em primeiro lugar, região metropolitana de Porto Alegre e Distrito Federal, com 75,6%.

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