Plataforma para criar chatbots em várias línguas


A Bothub traz inovação aos chats e garante pleno entendimento da maneira usual como se fala e se escreve. A plataforma é aberta, colaborativa e também pode abarcar inúmeros idiomas.

O Tele.Síntese publica aqui texto originais do Anuário Tele.Síntese de Inovação 2018, lançado no final do ano passado. Abaixo, conheça o Push/Bothub, produto criado pela Ilhasoft.

Plataforma para criar chatbots em várias línguas

Por Solange do Espírito Santo

Garantir que os chats sejam cada vez mais canais eficientes na relação com os usuários de websites, compreendendo efetivamente o que eles querem. Esta é a aposta do Bothub, um software que entende a linguagem usual daqueles que buscam esses meios para se comunicar com empresas e instituições. A plataforma é aberta e traz também outra
inovação: a de ser multilíngue, ou seja, capaz de garantir a interação em vários idiomas.

O Bothub foi desenvolvido pela Ilhasoft Tecnologia da Informação, empresa sediada em Maceió (AL) e que já tem larga experiência no desenvolvimento de chatbots (conversas com robôs). “Esse software nasceu com o intuito de originar uma comunidade que construa, treine e compartilhe conjuntos de dados, para que, utilizando Inteligência Artificial, os algoritmos dos computadores possam compreender a nossa linguagem natural. Trocando em miúdos, com ele os robôs dos websites conseguem entender e responder o que falamos com eles, como se fossem seres humanos”, informa Leandro Neves, CEO da Ilhasoft.

Ele explica que o Bothub é uma plataforma colaborativa na qual os profissionais de Tecnologia da Informação podem criar exemplos de frases, determinar sinônimos e compreender as expressões regionais. “Hoje, numa mesma plataforma, também já conseguimos abarcar sete idiomas. Mas, futuramente, ele vai suportar outros idiomas e até dialetos.

E aí está o diferencial. Os poucos softwares existentes na área, como o Google Cloud Platform, wit.ai e o IBM Watson, não são abertos e nem conseguem entender uma grande variedade de línguas, como os milhares de dialetos espalhados pelo mundo”, destaca Neves.

O executivo lembra ainda que as empresas provedoras de soluções de linguagem natural suportam apenas os idiomas mais populares, além de terem sistemas fechados. “Em média, podem abarcar 20 idiomas, entre eles os mais populares, como inglês, espanhol e português. Porém, existem mais de 6.900 idiomas falados em todo o mundo”, conta.

O CEO esclarece também que, antes do Bothub, para atender à demanda de alguns chatbots que precisam falar mais de um idioma era necessário criar projetos separados. “Com o Bothub, é possível realizar o treinamento e suporte a novos idiomas em nosso motor de linguagem natural. Além disso, a plataforma permite que pessoas e empresas em todas as partes do mundo criem chatbots de forma mais fácil e rápida”, completa, dizendo que, por este modelo, o
tempo para suportar ou adicionar um novo idioma caiu de meses para duas semanas, no máximo.

A ideia do Bothub nasceu em 2016, diante da constatação de que as plataformas de chatbots nacionais não eram eficientes com a linguagem natural do Brasil, suas especificidades e até mesmo as gírias regionais. Elas só eram eficientes com o idioma falado em Portugal. “Um dos nossos maiores desafios foi o de atingirmos a capacidade de treinar um novo idioma facilmente, tornando a tecnologia de linguagem natural acessível a todos.

Aí, resolvemos criar um chatbot universal e simples, fazendo com que o robô tivesse uma assertividade grande para compreender a linguagem natural do brasileiro. Da ideia ao lançamento foram 12 meses de trabalho. No final do ano passado, depois de passar por testes internos, o Bothub foi liberado e começou a rodar em projetos em que atuamos”, informa Neves.

Para testar a nova ferramenta, ele conta que foram selecionadas três organizações – o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), entidade filantrópica de assistência à saúde, o Serviço Social da Indústria (SESI) de Alagoas e a Acer Computadores – com demandas bem distintas.

Para o primeiro, foi criado um chat para receber doações, enquanto para o SESI o objetivo do chat foi desafogar as solicitações feitas via call center. “Já, no caso da Acer, criamos um chatbot que poderia sugerir o computador mais adequado de acordo com as preferências do consumidor, durante a Black Friday de 2017. O chatbot apresentou uma taxa de conversão de 68% e, com isso, fechamos um contrato para fixá-lo no site oficial da marca”, recorda Neves.

O lançamento oficial do Bothub aconteceu em junho último, em Nova York, em conferência sobre Inteligência Artificial promovida pelo Fundo de Inovação do Unicef (órgão das Nações Unidas para a Infância), que havia financiado o projeto. “O Unicef nos selecionou para financiar por um ano não apenas a plataforma, mas um novo conceito de Inteligência Artificial Multilíngue. E, diante do sucesso do Bothub, nos tornamos os primeiros a garantir a renovação por mais um ano, para continuar aperfeiçoando o projeto”, conta o CEO.

Criada em 2012 para criar aplicativos, a Ilhasoft passou a trabalhar com o Unicef no ano seguinte, com o desenvolvimento de chatbots, pela plataforma batizada de Push, e automação de comunicação. “Começamos a trabalhar com o escritório brasileiro e, a partir de 2015, passamos a atender outros escritórios. Hoje, atendemos 21 países”, informa o executivo. Ao todo, com os chatbots, a empresa tem cerca de 200 clientes.

Segundo ele, o Bothub já está rodando em projetos internos da empresa para o próprio Unicef. “Hoje, há dois deles operando em mongol e em bahasa, que é o idioma da Indonésia”, diz Neves.

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