Planos: teles têm estratégias diferentes, mas os dados comandam as ofertas.


portal-telesintese-celular-planos-aplicativosDona do menor market share no celular entre as quatro grandes operadoras (17,93% da base total de celulares de 275,889 milhões em setembro/15, de acordo com dados da Anatel), a Oi não teve dúvidas em acabar com a tarifa diferenciada para falar com outras operadoras. Sua nova estratégia envolve fortalecimento da quantidade nos planos e pacote de minutos para falar do celular Oi para qualquer outro celular, seja da mesma operadora seja de outro. A TIM, embora a segunda colocada no ranking com 26,31% de market share, adotou estratégia semelhante.

Com a nova política, a Oi espera atrair novos usuários. Mas não está apostando só na voz para manter sua base de clientes e conquistar novos. Para definir seus novos planos pré e pós-pago, conta o diretor de Varejo, Bernardo Winik, investiu em um pesquisa de hábitos de comportamento dos clientes das diversas faixas etárias. E o resultado indica que, especialmente na faixa mais jovem, a franquia de dados é um elemento decisivo na adesão ao plano, associada, é claro, ao valor cobrado. A investigação, comandada por Melissa Riley, gerente nacional de Pesquisa da operadora, revelou que 61% dos jovens, na faixa de 18 a 24 anos, tinham apenas um chip, um quadro diferente de faixas etárias mais velhas, onde a voz ainda é valorizada. São esses os que eram portadores de vários chips, para falar mais e gastar menos.

Assim, nos planos pré-pago ela até triplicou o volume de dados oferecidos, acabou com tarifas diferentes para falar dentro e fora da operadora, cortou drasticamente as tarifas e acabou com o roaming. A novidade foi anunciada no dia 3 de novembro, quatro dias após a TIM dar a sua guinada, pondo fim às vantagens para quem falasse dentro da sua rede.

Nos planos pós-pago, lançados na semana passada, a Oi também foi agressiva: R$ 149,90 para falar 3 mil minutos para qualquer operadora local ou longa distância, 10 GB de franquia, SMS ilimitado para qualquer operadora, Oi WiFi ilimitado por seis meses para acesso ao Oi Música, Oi Segurança e Oi Apps Clube, e R$ 0,30 por ligação que exceder ao limite do plano contratado. A ligação excedente só perde para a TIM, que cobra R$ 0,25. O minuto excedente mais caro é da Claro: R$ 1,09.

Confortável em sua liderança e no fato de ter a maior cobertura (3G/4G), a Vivo manteve, nos lançamentos de novembro, a tarifa diferenciada para ligações on net e off net, embora tenha cortado os preços das ligações off net. Na avaliação de Christian Gebara, Chief Revenue Offier da companhia, o movimento de acabar com o “efeito comunidade”, feito agora pela Oi e TIM, ocorreu no exterior há mais tempo, quando o peso dos dados não era tão forte para o consumidor. “Consideramos que o fundamental, hoje, é o foco nos dados – e dados de qualidade. Há dois anos, em todos os nossos planos sempre incluímos a oferta de dados. Não vendemos só voz. E continuamos nessa direção, com planos agora mais simplificados e ofertas com maior franquia da dados”, resume ele, ao explicar os motivos que levaram a Vivo ao não aderir à onda do fim do “efeito comunidade”.

Ele não acredita que esta decisão vá ter efeito sobre a base da operadora, com clientes migrando para as redes que cobram a mesma tarifa para falar para qualquer lugar. “Contamos com a nossa cobertura, a maior cobertura de dados móveis do mercado, e com a modelagem dos nossos planos”, diz ele. Em um de seus planos pós-pago, a Vivo oferece, por R$ 350,99, 9 GB de franquia (com a novidade de o cliente poder usar o que não for gasto no mês seguinte, o Vivo Bis), 1.100 minutos para ligações off net e ilimitado para ligações on net, torpedos ilimitados para qualquer operadora, e R$ 0,55 para minuto on net excedente local e longa distância e R$ 0,55 para off net local.

“No futuro, com a continuação da queda da VU-M (a tarifa de rede) pode ser que mudemos nossa estratégia”, pondera Gebara. Aliás, foi a queda da tarifa de rede, iniciada em 2012, que incentivou Oi e TIM a acabarem com tarifas diferenciadas dentro e fora da rede. De 2012 a 2014, a tarifa caiu quase 30% e o presidente da Anatel, João Rezende, avisou, em evento recente, que a agência vai manter o cronograma de redução da tarifa de interconexão.
Além do efeito VU-M, as mudanças de hábito do consumidor, identificada nas pesquisas, também somou pontos. Segundo Bernardo Winik, da Oi, há uma tendência de o usuário pré-pago abandonar o uso de múltiplos chips ao escolher seu plano de dados.

Um comparação entre planos pós-pago mais ou menos equivalente entre as quatro principais operadoras, com franquia de dados variando de 8 GB a 10 GB, mostra que a oferta mais agressiva, em termos de custo/benefício, é a da Oi, seguida pela da TIM. A da Vivo é a de maior valor – cobra pela sua cobertura e vai continuar a investir na ampliação da rede para a oferta de dados. Já nos planos Controle os valores cobrados são mais próximos entre as ofertas das operadoras. E os benefícios, idem.

Boa resposta

Três semanas após ter lançado o Oi Livre, o plano pré-pago com a mesma tarifa para falar para qualquer operadora mais uma maior franquia de dados, a Oi contabilizava, de acordo com Erich Albanese, diretor de Comunicação e Marca, 1,6 milhão de pacotes vendidos. Acima do que tinha sido estimado pela operadora: um milhão de pacotes no primeiro mês.

Embora sem dados precisos sobre os planos que estão tendo maior demanda dentro do Oi Livre – ele oferece oferta diária, semanal e mensal –, Bernardo Winik observa que tem havido procura até para a oferta mensal, na qual não havia grande aposta.

 

 

Anterior Fracassa o primeiro teste: TV analógica de Rio Verde não será desligada dia 29
Próximos TV digital:Rio Verde e novo cronograma de desligamento só na próxima quarta, dia 2

1 Comment

  1. 9 de dezembro de 2015

    Ressalta a expressividade da base total de celulares de 275,889 milhões setembro/15