Perto de completar 30 anos, Linear está pronta para a TV digital


Perto de completar 30 anos de funcionamento, a empresa mineira Linear, com sede em Santa Rita do Sapucaí e maior fabricante nacional de transmissores para TV, está com os olhos na TV digital, mas o pensamento nas possibilidades de mercado que virão também com a implantação do rádio digital. Conforme conta o gerente de marketing …

Perto de completar 30 anos de funcionamento, a empresa mineira Linear, com sede em Santa Rita do Sapucaí e maior fabricante nacional de transmissores para TV, está com os olhos na TV digital, mas o pensamento nas possibilidades de mercado que virão também com a implantação do rádio digital. Conforme conta o gerente de marketing e um dos fundadores da empresa, Carlos Fructuoso, a Linear já prepara a fabricação de transmissores para atender ao padrão de modulação japonês ISDB-T, que tudo indica será mesmo o escolhido pelo governo para a TV digital brasileira. A expectativa é de que, dentro de seis meses, os equipamentos da Linear estejam disponíveis no mercado.

Mas, antes mesmo de o governo brasileiro escolher um padrão, a empresa saiu na frente e tratou de fabricar transmissores para o padrão americano de TV digital ATSC. Desde o início deste ano até agora, a Linear exportou cerca de 30 transmissores para Estados Unidos e México, e a meta é a chegar a 1 mil equipamentos  por ano. “E estamos acompanhando de perto o mercado de rádio digital, aguardando a demanda e as oportunidades”, adianta o diretor da empresa.

Desde a sua criação, em 1977, a Linear já produziu e vendeu 28 mil transmissores de TV em VHF e UHF, com potências que variam entre 10W e 15000W, e microondas analógicas e digitais. A maioria dos equipamentos está instalada no Brasil, mas a empresa também exporta para outros países das Américas do Norte e Latina e África.

Liderança

Hoje, a Linear detém 70% do mercado brasileiro de transmissores e quer manter a liderança, com a implantação da tecnologia digital. Fructuoso estima que existam, atualmente, no país 50 mil transmissores analógicos que precisarão ser trocados. Essa transição, entretanto, levará tempo. De acordo com o diretor da Linear, a implantação completa do sistema digital não acontecerá antes de 2020. “De imediato, os radiodifusores não farão grandes investimentos para transmitir digitalmente; até porque grande parcela da população não terá recursos para gastar com um decodificador de sinais ou um televisor digital”, avalia Fructuoso.

Fundada por três engenheiros de telecomunicações graduados no Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações), tradicional escola de engenharia elétrica e engenharia de telecomunicações de Santa Rita, a Linear surgiu para levar o sinal da TV aberta a municípios do Sul de Minas. Fructuoso conta que, na década de 70, as transmissões de TV que chegavam a Santa Rita e proximidades eram captadas apenas de São Paulo. E os mineiros só tinham conhecimento das notícias daquele estado. “Quando chegavam as eleições, muitos moradores votavam nos candidatos de São Paulo porque só viam a propaganda eleitoral de lá”, lembra com humor o diretor. 

O governo federal decidiu adotar uma providência e determinar que as transmissões geradas em Belo Horizonte chegassem a Santa Rita. A cidade, segundo Fructuoso, tem uma posição topográfica privilegiada para captar os sinais de TV. O problema é que outros municípios próximos continuavam sem receber os programas. E os engenheiros viram, nessa falha, uma boa oportunidade de desenvolver equipamentos para captar e transmitir o sinal a outras cidades.

Antídoto

A idéia deu certo e os sócios comandam, hoje, 260 funcionários que trabalham nas unidades de Santa Rita, onde ficam a gerência da empresa e o desenvolvimento dos produtos, e em Ilhéus, na Bahia, onde os equipamentos são fabricados. A longevidade da Linear é uma prova de resistência em segmentos que, tradicionalmente, enfrentam dificuldades para crescer no Brasil: inovação e desenvolvimento tecnológico. O que não faltam são barreiras, como a ausência de políticas industrial e de apoio a projetos de P&D consistentes e duradouras. “Temos sempre que lutar para sobreviver”, confirma Fructuoso. Ele lembra, por exemplo, que a alíquota do imposto de importação para transmissores digitais é próxima de zero, o que dificulta a competição dos produtos nacionais. Para compensar, a empresa investe no mercado externo. “Procuramos fôlego nas exportações, que é o antídoto para as dificuldades do mercado interno”, ensina o diretor da Linear.

Anterior Telemar: descontos de DDI e roaming para a Alemanha
Próximos WiMax: o que vale mais a pena, 3.5 ou 5.8?