Investimento per capita em telecom é pequeno, denuncia presidente da Telcomp.


O presidente da Telcomp, João Moura, afirmou hoje que a falta de competição no atual cenário da indústria no Brasil é a principal causa dos baixos níveis de investimento do setor no país. As empresas de telecomunicações investiram um total de R$ 16 bilhões em 2009, ou US$ 51 per capita, ante os US$87 per capita do Chile e dos US$ 200 per capita que os Estados Unidos no auge de sua recessão. “Não tem concorrência, eu posso colocar o preço lá em cima. Por que vou investir?”, disse Moura, que afirma no entanto que já vê uma mudança nesse cenário, começando pela entrada da GVT no mercado paulista.

Segundo o presidente da Telcomp, o mercado de telecomunicações deve exigir investimentos anuais de R$ 30 bilhões nos próximos anos, devido à Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. “E uma boa parte disso virá das operadoras competitivas. Em 4 ou 5 anos, elas representarão entre 30% e 40%”.

“O mercado enxerga uma oportunidade maior em operadoras competitivas que nas incumbents”, disse Moura. Ele cita o exemplo de diversas pequenas provedoras que já atendem ao mercado corporativo no país, como a Mundivox e a Avvio, além de redes especializadas como as da NQT, fornecedora do setor de óleo e gás no Rio, e a Unitelco e a CMA, provedoras de interconexão da Bolsa de São Paulo. O diretor comercial da Telebras, Rogerio Boros, lembra ainda que novidades no mercado como a abertura do mercado de TV por assinatura também aumentam as oportunidades de rentabilidade das pequenas provedoras.

“Nosso propósito não é entrar onde há concorrência, como São Paulo, mas onde se precisa de infraestrutura de Telecom”, afirmou Chris Torto, presidente da Metro Fiber Brasil, citando o exemplo da Vivax, operadora de TV a cabo da empresa vendida para a Net há quatro anos. “Hoje, o pequeno provedor vê potencial de mercado em localidades além do eixo Rio-São Paulo”, concorda Boros.

Boros lembrou que as pequenas empresas de telecomunicações atualmente representam 9% do mercado brasileiro, “o que não é totalmente verdade porque compram sua capacidade de rede das grandes”. O executivo reafirmou o papel da Telebras como um fornecedor de rede no atacado em condições mais isonômicas para regiões onde o preço seria maior. “Mas a Telebras não é o único meio, outras operadoras também estão entrando nesse mercado de atacado”, lembrou.

Sergio Gallindo, chefe da BT no Brasil, afirmou que deixou de prestar serviço a um cliente seu por várias horas porque sua empresa foi prejudicada por um apagão de 72 horas na rede de uma grande operadora local. Ele lembra que, segundo o Ministério das Comunicações, há ainda no país 170 distritos industriais sem rede.

Houve um consenso entre boa parte dos palestrantes do evento – representantes das concessionárias de telecomunicações não estiveram presentes no palco – em defesa da regulamentação da PGMC da Anatel, que deve impor medidas de compartilhamento de rede às empresas com maior poder de mercado. “A ideia do PGMC não é criar um almoço grátis”, disse o diretor de assuntos regulatórios da TIM Brasil, Mario Girasole. “Não é lógico todos construírem suas próprias redes, então precisamos de medidas de compartilhamento. O PGMC visa corrigir mundos assimétricos.”

“O marco regulatório deve favorecer empresas competitivas porque, senão, mercado pode se consolidar demais”, afirmou João Moura. Para o executivo da BT, o modelo de regulação deve privilegiar a competição. “É necessário um pouco de regulação e muitas regras de mercado”, disse Gallindo.

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