Pelo menos cinco empresas vão disputar as freqüências de 3G da capital paulista


O leilão da terceira geração da telefonia móvel, que começa na próxima terça-feira, dia 18, e deverá se encerrar somente na quarta-feira, dia 19, trará lances muito mais emocionantes do que o já surpreendente ingresso da operadora de trunking, Nextel, na disputa. O que antes parecia ser um jogo conhecido, afinal, a Anatel estará leiloando …

O leilão da terceira geração da telefonia móvel, que começa na próxima terça-feira, dia 18, e deverá se encerrar somente na quarta-feira, dia 19, trará lances muito mais emocionantes do que o já surpreendente ingresso da operadora de trunking, Nextel, na disputa.

O que antes parecia ser um jogo conhecido, afinal, a Anatel estará leiloando quatro bandas, para os quatro grandes players de telefonia móvel do mercado — três nacionais (Vivo, Tim e Claro) e duas regionais (Oi e BrT) —, passará a ser um pôquer de alguns lances altos, quando os envelopes com as propostas começarem a ser abertos.

O que, aparentemente, poderá não fazer sentido, vai ocorrer: a Brasil Telecom deverá apresentar proposta para, pelo menos, a capital de São Paulo, além da já esperada oferta para a região onde atua. O ingresso da Brasil Telecom na disputa paulista não tem nenhuma lógica, se se considerar que a sua fusão com a Oi é o melhor para as duas empresas e conta com apoio dos sócios e do governo. Mas pode fazer todo o sentido, se se considerar que, de fato, a Brasil Telecom foi mesmo a mais prejudicada com os condicionamentos criados pelo edital da 3G.

Banda H

Mesmo que a BrT, prudentemente, não vá disputar em preço com a Oi a licença de São Paulo, a operadora precisa se prevenir, se alguma coisa der errada nessa fusão. Por isso, vai se cacifar neste leilão, vislumbrando, na verdade, a última banda de 3G que existe disponível (a banda H), e que ainda não está à venda, mas cuja venda pode ser pleiteada, se se comprovar que apareceu mais interessado do que freqüência disponível.

As regras do leilão — que amarram a capital de São Paulo à região Norte e o interior do estado ao Nordeste — afetaram muito o projeto da Brasil Telecom, que queria fazer uma parceria com a Oi para as duas operadoras, juntas, comprarem a 3G de São Paulo. Ao criar o vínculo das regiões, a Anatel acabou impedindo, sem saber, a concretização da parceria. Isso porque, se as duas entrassem juntas em São Paulo, ficariam unidas também no Norte e Nordeste, o que provocaria a duplicidade de freqüências da Oi em sua própria região. Ou seja, uma confusão regulatória de tal tamanho que inviabilizou qualquer tentativa de compra conjunta.

Nextel

A estratégia da Nextel para o leilão divide as opiniões. Há quem aposte que a empresa vai disputar o mercado paulista. A operadora estaria sem alternativa tecnológica, já que o seu Iden não tem garantia de evolução. “A tecnologia da Nextel é o TDMA da celular, ou seja, vai acabar”, afirma esse interlocutor.

A matriz norte-americana (Nextel/Sprint) e algumas subsidiárias latino-americanas estão rumando para tecnlogia WiMAX (a aposta da Sprint para os Estados Unidos) e para o CDMA. Recentemente, a Nextel Peru comprou faixa de 1,9 GHz.

E, para entrar no mercado paulista de 3G, a Nextel poderia estar dando um outro passo e comprando a Unicel, para ter também a licença da segunda geração.

O problema dessa aposta, entendem outros interlocutores, é que, pelas regras do leilão, a Nextel, se comprar São Paulo, terá que ir para o Norte ou para o Nordeste, regiões sem qualquer atratividade para a operadora. “A Nextel atende o mercado corporativo. Ela não tem qualquer tradição de universalização de serviço”, pondera uma fonte. Mas, na avaliação de outros executivos, as exigências do edital não obrigariam que ela fizesse muitos investimentos fora de São Paulo, já que a Anatel exige apenas cobertura e não atendimento ao cliente final.

Outros analistas acreditam, no entanto, que a Nextel só vai disputar as pequenas e baratas freqüências das cidades de Uberlândia, da região da CTBC, ou de Londrina, da Sercomtel, simplesmente para ganhar a licença de SMP. E também poder se cacifar para comprar a última banda disponível de 3G, que não terá metas de universalização.

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