Paulistanos das classes C, D, E gastam mais de R$ 38 por mês com celular


Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos em Marketing Aplicado da Universidade Mackenzie, recém concluída, traz informações instigantes sobre o consumo dos usuários de telefonia celular das classes C,D e E da capital paulista. “O objetivo da pesquisa foi avaliar como as ações de marketing integrado de operadoras e fabricantes poderiam estar influenciando o comportamento …

Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos em Marketing Aplicado da Universidade Mackenzie, recém concluída, traz informações instigantes sobre o consumo dos usuários de telefonia celular das classes C,D e E da capital paulista. “O objetivo da pesquisa foi avaliar como as ações de marketing integrado de operadoras e fabricantes poderiam estar influenciando o comportamento de lazer dos usuários de celular pertencentes a essas classes”, explica a coordenadora do trabalho, professora Maria de Lourdes Bacha.

O levantamento, realizado com 420 consumidores das classes mais pobres (dos quais 89% têm planos pré-pagos) indicou que o celular é, mesmo, um elemento de inclusão social, e que seus usuários desembolsam uma boa quantia de recursos todo o mês para usálo. O gasto médio com a telefonia celular dessas classes, apurado pela pesquisa, é maior do que os valores da conta média mensal de toda a base de clientes divulgados nos balanços econômicos das operadoras.

Comunicação e família

Conforme o estudo, a média de gastos mensais desses consumidores é de R$ 38,52, sendo que 54% gastam entre R$ 11,00 (mais próximo do Arpu médio do pré-pago) a R$ 30,00. O interessante é que, se os consumidores de maior renda obviamente gastam mais (22% da classe C gastam acima de R$ 50,00 por mês), a média das despesas dos consumidores das classes D e E também é bem significativa: R$ 36,70 e R$ 28,10, respectivamente.

Além da renda, o nível de escolaridade é um fator decisivo no uso do celular. Quem tem curso superior completo gasta, em média, R$ 78,60 por mês com ligações móveis, quase o dobro dos valores apurados paras os níveis mais baixos de instrução.

A maioria desses usuários tem o celular há mais de um ano, mas a busca por aparelhos mais sofisticados não faz parte das opões de consumo dessa faixa de renda: 70% dos entrevistados nunca trocaram de aparelho.

A pesquisa, ao querer avaliar o que passa pela mente dos entrevistados quando se menciona a expressão “telefonia celular” , apurou que, para 30% deles, esse termo é muito vago. Por outro lado, outros 32% associam a expressão à comunicação; 16% à família, filhos, namoro e amigos; 7% ao trabalho e 5% a contas a pagar.

Indagados se o celular trouxe melhorias para as suas vidas, 88% reconheceram que ele facilitou a comunicação; 76% passaram a falar mais com parentes e familiares, e 45% disseram que o celular os ajudou a iniciar um namoro, ou mesmo, a noivar e a casar.

O levantamento constatou, ainda, que o celular é, para os consumidores dessas classes, usado tanto para o consumo pessoal como comercial. Mais de 80% atribuem ao celular o benefício de receberem recados importantes e 61% acreditam que a telefonia móvel os estimula na busca por melhores salários.

Há, no entanto, pouca sintonia entre os ganhos promovidos pelo celular e sua transferência para outras formas de inclusão. Dos usuários entrevistados, apenas 42% manifestaram vontade de aprender a usar o computador e só 36% querem adquirir uma dessas máquinas. A pesquisa aproxima-se dos dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Domicílio) do IBGE e mostra que apenas 30% das residências dessas classes têm computador e a maioria (53%) não tem acesso à internet.

Esses usuários, ao serem perguntados “qual é o seu celular”, na maioria das vezes respondem o nome da prestadora de serviço e não o do fabricante do aparelho. As mulheres, contudo, identificam melhor a marca do aparelho. São também as que falam mais. Mais de 20% acabam gastando mais do que R$ 70,00 por mês, quando apenas 13% dos homens ultrapassam esse valor. Segundo Maria de Lourdes, a pesquisa, que foi apoiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), confirma, assim, que os conceitos de facilidade, inovação e integração transmitidos nas mensagens publicitárias e institucionais das operadoras de telefonia móvel influenciam a percepção das pessoas sobre os serviços.

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