Provedores de internet estão preocupados com a capacitação


Entidades formadas por pequenos provedores de internet consideram fundamental a ampliação da competição, como propôs o presidente da Telebrás Rogério Santanna na última semana. De acordo com Santanna, a empresa pública pretende estimular a competição no setor de banda larga ampliando a participação dos pequenos provedores, que utilizariam parte da rede da própria Telebrás. Dessa maneira, ampliariam de 10 a 15% sua participação no mercado. Para os presidentes da Associação Brasileira de Internet (Abranet) e da  Associação Brasileira de Pequenos Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrappit), só com a ampliação da participação dos pequenos provedores é possível pensar em uma efetiva democratização da internet.

“Os pequenos provedores e operadores locais já fazem um trabalho eficiente na maioria das cidades do país e são importantíssimos para a efetivação da democratização do acesso. Ampliar a competição é fundamental para que aconteça o que realmente interessa, que é fornecer ao consumidor final um produto com preço mais acessível”, diz o presidente da Abranet, Eduardo Nezer. Segundo ele, a infraestrutura das grandes cidades está razoavelmente bem atendida de linhas de fibra ótica, enquanto o interior mais remoto do país sequer conta com rede básica de telefonia. “É nesse nicho de mercado que a ampliação da competição se torna essencial”, completa. 

Atualmente, as cinco maiores provedoras (Telefônica, Oi, GVT, Net e CTBC) são responsáveis por mais de 80% da oferta de banda larga no país. Para viabilizar a participação dos pequenos a Telebrás irá oferecer a rede, mas precisa de mais investimentos, uma vez que, segundo o presidente, a empresa tem apenas R$ 280 milhões em caixa para investir no setor em 2011.

De acordo com o presidente da Abrappit , Ricardo Lopes Sanches, a iniciativa do governo de considerar dar mais espaço aos pequenos provedores e tentar diminuir a concentração do mercado é fundamental para o sucesso do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). “Mas é preciso pensar que não basta ter a tecnologia, é preciso capacitar tanto os provedores quanto a população. Já há várias escolas com modens ligados, só que ninguém sabe usar. Não basta apenas ofertar banda larga e modens. Mais importante é capacitar as pessoas e os pequenos provedores para fazerem bom uso dos recursos”, comenta.

Investimentos

Segundo o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o governo tem R$ 1 bilhão anual para investir no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) nos próximos quatro anos e precisa contar com a participação da iniciativa privada uma vez que o gasto previsto no programa é de R$ 7 bilhões. Para que o plano que quer ampliar o acesso à internet no Brasil entre em vigor é preciso o financiamento privado para viabilizar parte da rede de fibra ótica.

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