Para senadores do PT, prisão de Bernardo desvia atenção de denúncias contra governo interino


Bernardo foi preso nesta manhã, no apartamento funcional em que mora com Gleisi, em Brasília. Além da prisão, a Polícia Federal realizou busca e apreensão de documentos no local. O ato foi considerado ilegal pela defesa de Bernardo. Também foi alvo de busca e apreensão a sede do PT em São Paulo.

Os senadores do PT divulgaram nota em que manifestam apoio e se solidarizam à senadora Gleisi Hoffman, esposa do ex-ministro do Planejamento e das Comunicações dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Acusam, ainda, a operação de ser uma forma de desviar a atenção das acusações de corrupções sobre membros do governo interino de Michel Temer.

Bernardo foi preso nesta manhã, no apartamento funcional em que mora com Gleisi, em Brasília. Ele é acusado de receber R$ 7 milhões em propinas, quando integrava o Ministério do Planejamento. Além da prisão, a Polícia Federal realizou busca e apreensão de documentos no local. O ato foi considerado ilegal pela defesa de Bernardo. Também foi alvo de busca e apreensão a sede do PT em São Paulo.

“A bancada estranha que tal prisão tenha ocorrido no momento em que a Nação toma conhecimento de fatos gravíssimos de corrupção que atingem diretamente o governo provisório, o qual se instalou justamente para tentar paralisar as investigações da Lava Jato”, diz a bancada de senadores do PT, na nota.

No entendimento do grupo, a prisão e a invasão da sede do PT “desviam o foco da opinião pública do governo claramente envolvido em desvios, para a oposição democrática, que sempre buscou a apuração de todos os fatos com isenção e transparência”.

Os senadores também consideram que as medidas demonstram abuso de poder, pois o mandado de busca e apreensão foi executado na casa da Senadora sem o crivo do Supremo Tribunal Federal (STF). “Com isso, usurparam-se atribuições constitucionais exclusivas do STF e da Procuradoria-Geral da República. Trata-se de fato gravíssimo, que atenta contra o Estado Democrático de Direito”. Abaixo, a nota integral da bancada:

Bancado do PT no Senado manifesta solidariedade à senadora Gleisi e sua família

A bancada de senadoras e senadores do Partido dos Trabalhadores vem a público manifestar total solidariedade à senadora Gleisi Hoffmann e sua família em face da prisão de seu marido, Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento e das Comunicações, cuja residência foi objeto de ação de busca e apreensão pela Polícia Federal.

A bancada estranha que tal prisão tenha ocorrido no momento em que a Nação toma conhecimento de fatos gravíssimos de corrupção que atingem diretamente o governo provisório, o qual se instalou justamente para tentar paralisar as investigações da Lava Jato. No entendimento da bancada, tal prisão e a invasão da sede do PT desviam o foco da opinião pública do governo claramente envolvido em desvios, para a oposição democrática, que sempre buscou a apuração de todos os fatos com isenção e transparência.

A bancada lembra, a esse respeito, que foram os governos do PT que aperfeiçoaram os mecanismos de combate à histórica corrupção em nosso país.  Por isso, a bancada não teme quaisquer investigações, desde que sejam efetuadas com isenção e com o devido respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana e aos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.

Entretanto, a bancada repudia, com veemência, o claro abuso de poder cometido. A residência oficial da Senadora Gleisi Hoffmann foi invadida, na presença de seus filhos menores, pela Polícia Federal, sem a devida autorização do Supremo Tribunal Federal. Com isso, usurparam-se atribuições constitucionais exclusivas do STF e da Procuradoria-Geral da República. Trata-se de fato gravíssimo, que atenta contra o Estado Democrático de Direito.

Por último, a bancada das senadoras e dos senadores do PT manifesta apoio irrestrito a uma de suas senadoras mais atuantes na defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro, hoje ameaçados por um governo ilegítimo, autoritário e retrógrado.

Brasília, 23 de junho de 2016

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