Para Proteste, lista de problemas vai do WhatsApp ao roaming


Entidade entende que o usuário de serviços de telecomunicações enfrenta ainda muitos problemas no país, agravados pela pesada carga tributária e falta de aplicação dos recursos dos fundos setoriais

Bloqueio WhatsAppUma das grandes preocupações atuais da Proteste, entidade de defesa dos consumidores, em relação ao setor de telecomunicações é com o bloqueio judicial de aplicativos, especialmente do WhatsApp em função da massificação do sistema de mensagem instantânea. “Hoje ele tem uma função social, pois passou a fazer parte da forma de as pessoas se comunicarem e também de trabalhar”, comentou Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste, ao participar dos debates do 46º Encontro Tele.Síntese, que se realiza hoje em Brasília. Para ela, o combate ao crime cibernético não pode ser feito à custa da interrupção da comunicação de milhões de pessoas. “É preciso encontrar outros caminhos”, afirmou.

Ao lado do bloqueio de aplicativos, a Proteste elenca como os principais problemas enfrentados pelos usuários do setor de telecom a cobrança abusiva ou indevida, de acordo com as reclamações registradas no Procon de São Paulo, o maior do país. Em sua avaliação, entre as medidas que poderiam contribuir para a redução dos preços, encarecidos pelos pesados tributos, está o fim da cobrança da taxa de roaming. Também preocupa à Proteste a mudança do modelo do setor, com o fim da concessão da telefonia fixa e sua transformação em autorização. Integrante da campanha “Banda larga é um direito de todos”, a Proteste é contra o limite de dados na banda larga fixa, diz que as operadoras não entregam a velocidade instantânea contratada e defende a necessidade de o país investir os recursos dos fundos setoriais na melhoria da infraestrutura.

Escolha do consumidor

Para se definir o que a qualidade de serviço percebida pelo consumidor, é preciso entender que conceitos estão por trás do comportamento do consumo e como o consumidor faz suas escolhas. Foi sobre essas temas que falou Amélia Regina Alves, professora do Instituto de Psicologia da UnB, especialista nessa área e ouvidora da Anatel. Amélia lembrou que a qualidade objetiva, aquela necessária e suficiente para se entrar no mercado concorrencial, é totalmente diversa da qualidade subjetiva, aquela desenhada pelo consumidor, feita com base em suas expectativas e na avaliação de suas escolhas após a compra (de produtos e serviços).

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