Para muitos, o futuro do WiMAX é hoje.


As projeções podem ser desencontradas (como são), os mercados-alvo dos fornecedores podem ser diversos (e eles são), mas, quando se trata dos estímulos à adoção da tecnologia, os agentes concordam. Como aponta a consultoria internacional Maravedis, os provedores de serviços avaliam a convergência fixo-móvel na expectativa que ajude a reverter o declínio da receita média …

As projeções podem ser desencontradas (como são), os mercados-alvo dos fornecedores podem ser diversos (e eles são), mas, quando se trata dos estímulos à adoção da tecnologia, os agentes concordam. Como aponta a consultoria internacional Maravedis, os provedores de serviços avaliam a convergência fixo-móvel na expectativa que ajude a reverter o declínio da receita média por assinante (Arpu), e o WiMAX seria a “escolha óbvia” para ampliar a oferta de serviços. Segundo projeções da empresa, em 2005, no Brasil, o mercado de produtos wireless de acesso em banda larga não foi além de US$ 6 milhões, gerados pela implantação de equipamentos na faixa não-licenciada de 5,8 GHz por WISPs (provedores de acesso sem fio à internet) e usuários corporativos. No entanto, a consultoria acredita que, com o leilão de freqüências, a certificação de novos produtos e a redução nos preços dos equipamentos, o mercado anual desses bens para a banda de 3,5 GHz pode passar de US$ 1 milhão, no ano passado, para US$ 33 milhões, em 2010. Já para o segmento de 2,5 GHz, o prognóstico é que as vendas cheguem a US$ 31 milhões, também em 2010. A Maravedis estima ainda que, no Brasil, o total geral do mercado de equipamentos wireless de acesso em banda larga e WiMAX pode chegar a US$ 300 milhões em 2010, “o que torna o país um mercadochave para os vendors desses produtos nos próximos anos”.

Segundo a consultoria, os equipamentos externos de usuário (CPEs – Customer Premise Equipments) devem estar no mercado em 2008, e as vendas serão lideradas pelos CPEs internos, cujos preços podem cair para US$ 75 — um declínio que, por seu lado, vai estimular a adoção massiva do WiMAX. Hoje, nos EUA, esses produtos custam entre US$ 250 e US$ 600, valores que, quando internalizados, são multiplicados por três a cinco, em função de impostos e câmbio.

Essa, aliás, foi uma das razões que levou Intel, Proxim Wireless, Parks, e CPqD a se associarem em um empreendimento para fabricação local de terminais de usuário e estações radiobase, na planta da Parks, em Cachoeirinha (RS). De lá, graças às isenções envolvidas no PPB da fa- bricação, e na Lei de Informática do P&D do CPqD, devem sair produtos no mínimo 30% mais baratos do que os importados. O desembolso da indústria nesse projeto é de R$ 2,8 milhões, entre prospecção de mercado, marketing e pagamento de licenças ao CPqD e à Proxim, diz o presidente Paulo Renato Ketzer de Souza.

Atualmente, é nas faixas não-licenciadas que os negócios acontecem. “Na América Latina, é grande a oportunidade para o WiMAX no padrão 802.16d (fixo, ou pré-WiMAX)”, afirma Elaine Nucci, gerente de desenvolvimento de mercado WiMAX da Intel para a América Latina. As oportunidades, exemplifica ela, estão relacionadas à oferta de internet em banda larga pelas operadoras e ISPs. Elaine tem a expectativa de que o leilão da Anatel seja feito ainda neste ano, e considera que o seu adiamento impactou a indústria, que depende dos planos de compras dos provedores de serviços.

Para outras empresas interessadas em WiMAX, contudo, o mercado, de fato, é o dos provedores de serviços. Hoje, consumidores do padrão 802.16d, daqui a um ou dois anos, do 802.16e. A seu ver, no segmento de governos, só vale a pena investir, quando tratam-se de modelos auto-sustentáveis, sem riscos de descontinuidade por ingerências políticas. Por isso, a Promon Tecnologia ainda avalia um modelo desses, baseada em casos auto-sustentáveis do exterior. As implementações de redes WiMAX têm sido feitas em cidades de maior porte, e implicam a existência de um WISP, conta Carlos Pingarilho, diretor da empresa. É esse provedor que opera redes públicas WiMAX, comercializando a sua capacidade excedente, com a obrigação de manter o negócio vivo em quaisquer administrações. Os WISPS são responsáveis tanto pelo atendimento ao usuário, como pela qualidade do serviço. “São negócios individualmente pequenos, mas, como são muitos, geram volume”, observa, acrescentando que o capex inicial é responsabilidade da administração, e a remuneração da rede está associada aos benefícios à população nos setores de segurança, educação, saúde, serviços públicos. Hoje, entende Pingarilho,  no Brasil, os cases nas prefeituras são pontuais, e os sustentáveis só devem acontecer a médio prazo.

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