Para a iZettle, Apple e Samsung ampliam mercado de m-payment


As incursões no mercado de pagamentos móveis realizadas por Apple, com seu Apple Pay, e Samsung, com o S Pay, ajudam a ampliar a demanda e compreensão sobre os pagamentos móveis. Essa é a percepção de Jacob De Geer, CEO e fundador da iZettle, empresa que desenvolve soluções para o varejo gerenciar pagamentos e máquinas de ponto de venda.

“Vemos o Apple Pay como uma forma de alimentar o uso do sistema de pagamentos móveis. O Samsung Pay também. Não é uma ameaça porque ampliam o mercado. O que eles estão fazendo é digitalizar o cartão, então não muda muito diante do que se tem com cartões hoje”, diz. Geer participou de uma mesa redonda sobre empreendedorismo na Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), em São Paulo, nesta sexta-feira (10).

A iZettle planeja lançar no país, este ano, um novo hardware que permite o recebimento de pagamento com cartões usando PIN ou chip pelo celular. O vendedor pode conectar o aparelho no smartphone pela saída P2, de fone de ouvido e microfone. Na Europa, o dispositivo é distribuído gratuitamente, mas por aqui, a empresa estuda a possibilidade de cobrar a aquisição da máquina. “O Brasil é único quanto ao modelo de impostos para produtos importados. Na Europa faz sentido ser distribuído de graça pois sabemos do retorno que teremos com essa iniciativa”, resume.

Geer se diz entusiasmado as perspectivas globais de adoção do m-payment, e se mune de números para tanto. Segundo ele, existirão 450 milhões de pessoas usando pagamentos móveis nos próximos três anos, no mundo. O Brasil, analisa, tem tudo para estar na vanguarda: 99,7% das empresas são pequenas e responsáveis por 27% do PIB. O varejo tem 6,8 milhões de terminais de cartão. Somente no ano passado, foram vendidos 54,5 milhões de smartphones.

“Nós temos 160 mil usuários no país. O Brasil é o segundo maior mercado de pagamentos do mundo, é no que pretendemos focar no momento. Estamos também no México, e com esse dois mercados já cobrimos 70% da população da América Latina”, ressalta. A iZettle chegou ao país em agosto de 2013.

Perspectiva
Já a Mastercard, que atua na gestão dos pagamentos e lançou uma plataforma com a TIM e Caixa, busca novos sistemas que poderão incentivar o uso do celular para efetuar pagamentos. Daniel Cohen, vice-presidente sênior para pagamentos emergentes da empresa, lembrou que eles atuam em diversas frentes. Além de buscar uma forma simples de os usuários de smartphone realizarem transações, o objetivo é entregar a conveniência de ser um meio de pagamento na hora em que se precisa.

“Por isso estamos trabalhando com o Facebook. Eles vieram pra gente, disseram que tinham esses milhões de clientes e perguntaram, o que fazer? Vamos tentar usar essa plataforma para fazer algo que as pessoas queiram fazer. Por isso fizemos a plataforma para transferência de dinheiro entre pessoas pelo Messenger. É um exemplo de como usar o big data para vender”, diz.

Marcelo Theodoro, diretor sênior e head de produtos digitais da Mastercard, reforça que neste ambiente, a bancarização também é um caminho seguido pela empresa. “Ainda existe uma parcela enorme da população não bancarizada. Temos dois programas de mobile inclusion, uma com pagamento peer to peer, e a outra usando o Facebook, Google etc”, reforçou.

Jesper Rhode, diretor de maketing da Ericsson, acredita que os pagamentos móveis chegaram em um estáio em que não precisam de muito para ter sucesso. “A tecnologia está lá, a penetração de smartphones é alta. A gente precisa é mudar o hábito e aceitar que é mais simples”, disse. Para ele, apesar da crise econômica e perspectivas de ritmo mais lento para crescimento no mundo, vivemos em um turbilhão de inovações que multiplicam constantemente o tamanho do mercado financeiro, e isso levará a transformações profundas, no longo prazo.

“Nas cidades conectadas, nas sociedades mais avançadas, a economia dobra de tamanho a cada 6,3 anos. Em 2040, a economia vai dobrar a cada dois dias. O Brasil é um país com mais de 270 milhões de assinaturas móveis. O brasileiro é muito conectado, ativo na internet. O país está bem posicionado, precisa superar algumas burocracias. Mas está bem preparado”, conclui.

Anterior Confaz adia votação sobre mudança no ICMS da TV paga
Próximos CPqD, Aker e Ztec lançam solução nacional de comunicação móvel segura