Para Google, objeções da Comissão Europeia são infundadas


O Google respondeu, na noite de ontem, 27, às objeções da Comissão Europeia à forma como explora a exibição de anúncios de lojas virtuais. Para a Comissão, a empresa vem abusando de sua posição de liderança na área e adotando práticas anti-competitivas. Para a companhia, as autoridades europeias não possuem dados suficientes para corroborar as acusações e não apresentam argumentos jurídicos claros para embasar suas exigências.

O caso se estende há cinco anos, quando a Comissão Europeia começou a investigar o Google por privilegiar a exibição de anúncios de e-commerce agregados por sua própia ferramenta, dando pouca visibilidade a vitrines digitais de concorrentes. Em abril, a comissária para a competição do bloco iniciou um processo, lançando uma lista de objeções às práticas do Google. Kent Walker, vice-presidente sênior do Google, em post na internet, afirma que as preocupações são infundadas e que a atitude da empresa, na verdade, beneficia a inovação.

“Usamos análises de tráfego para provar que nossa exibição de anúncios e resultados orgânicos não ferem a competição ou impedem que outros agregadores de comércio digitais alcancem o consumidor”, diz. Ele aponta uma falha no processo, que considera crucial: o fato de a Comissão Europeia ignorar o crescimento da Amazon e do Ebay no período, atualmente as maiores lojas virtuais do mundo.

O executivo argumenta que o Google gerou um tráfego gigantesco aos diferentes agregadores de compras, em vez de tê-lo restringido. “Foram 20 bilhões de cliques direcionando tráfego gratuitamente a esses agregadores na última década, nos países para onde valem as objeções da Comissão  Europeia“, diz. No período, alega que o tráfego gratuito para essas ferramentas cresceu 227%.

A empresa diz ainda que os hábitos do consumidor estão mudando e que as pessoas buscam vendedores qualificados na internet. Este comportamento fez a gigante digitar aperfeiçoar suas ferramentas de busca, atrelando algoritmos capazes de entregar resultados mais próximos do esperado pelo consumidor.

Ao mesmo tempo, criou novos formatos de exibição de produtos à venda, em diferentes lojas. “Quanto mais relevante o anúncio exibido, mais ele conecta potenciais compradores a vendedores”, resume. Para concluir: “achamos que as objeções [da Comissão Europeia] estão erradas do ponto de vista factual, legal e econômico”.

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