Para a AT&T, o mundo é IP.


{mosimage}Presidente das operações globais da AT&T Inc, uma empresa de US$ 120 bilhões, o brasileiro Paulino Barros explica que a fusão com a Bell South não muda o seu foco no mercado mundial: seu alvo são as empresas globais. E, para atendê-las, a empresa elegeu a plataforma IP.

Maior empresa norte-americana após a sua fusão com a BellSouth, a AT&T Inc. vê, no mercado internacional, grandes oportunidades para acelerar seu crescimento. Por isso, criou uma presidência de operações globais, que é comandada pelo brasileiro Paulino Rego Barros Jr, que atuou antes em empresas como Motorola e BellSouth. Em visita ao Brasil, Paulino concedeu esta entrevista ao Tele.Síntese, onde conta que as operações globais crescem mais do que o dobro das operações em território norte-americano, que a empresa elegeu, como infra-estrutura tecnológica para sua rede mundial, a tecnologia IP e que, este ano, vai aplicar US$ 750 milhões dos US$ 18 bilhões de investimento em 200 iniciativas para agregar recursos às redes privativas virtuais (VPNs), ampliar seu portfólio de soluções e serviços e estender a infra-estrutura global de rede. No Brasil, o foco continua sendo as empresas de operações globais, seja as norte-americanas que atuam aqui, sejam as brasileiras que atuam nos Estados Unidos, preferencialmente.

Tele.Síntese –  Em decorrência da fusão da Bell South com a AT&T, formando a maior empresa de telecomunicações dos EUA, que mudanças devem ocorrer na estratégia para o mercado mundial? O que é que muda, se é que muda algo?
Paulino Barros – A resposta é: não muda nada. Vamos continuar aumentando o que eles estão fazendo. Temos um portfólio de produtos muito bom, baseado em IP. Estamos trazendo vários clientes para esse portfólio, no mundo e aqui. Temos que fazer mais do que vínhamos fazendo. O meu objetivo principal é dar foco, e aumentar a representatividade para o crescimento global dentro da AT&T. Tenho certeza de que ela vai capturar esse foco. E por que esse foco? Porque se você olhar, comparativamente, essa área de negócios em que estamos, em empresas de negócio para negócio, o crescimento mundial é maior fora dos EUA do que dentro. Da ordem de 7% para 3% dentro. Por isso, é que meu cargo foi criado.  

Tele.Síntese – As operações internacionais representam quantos por cento da receita da AT&T?
Barros – É uma receita em expansão, cujos dados não podemos abrir. Porém, como referência, a divisão de Enterprise colaborou com 16% do faturamento da AT&T no primeiro trimestre de 2007, com vendas de produtos e serviços a companhias nos Estados Unidos e em todo o mundo no valor de US$ 4.698 milhões. O grande motivo dessa expansão é o que está acontencendo em áreas como China, Índia, Brasil e México. Na verdade, a grande mudança de processos e de funções é  o deslocamento das manufaturas do território norte-americano para a China. A parte de desenvolvimento de aplicações está indo para a Índia. O Brasil, agora, já não está mais focado só mais em América Latina, mas nas Américas, e também está provendo serviço para a Europa.

Tele.Síntese – Você está falando das empresas de desenvolvimento de software e serviços de processamento de dados para outros países, ou seja, das plataformas off shore?
Barros – Isso mesmo, empresas de aplicativos voltados para a indústria. O que a gente faz com esse networking mundial que temos, com a tecnologia que temos agora em IP, é que somos os ativadores das comunicações entre as empresas, a rede que faz os negócios acontecerem.

A globalização da manufatura levou à globalização de aplicações, e nós somos o agente promotor disso, o facilitador. Porque, agora, com a tecnologia IP, tanto faz aonde você está. Eu conheço uma empresa que tem um design center no México e outro na China, e trabalha 24 horas por dia para desenhar um carro. Ele começa a desenhar às 8 horas da manhã até às 8 horas da noite no México, e continua das 8 da manhã até às 8 da noite na China. Isso faz com que o ciclo de design para desenhar um carro, que era de oito meses, passe a ser quatro ou cinco. Isso promove um ganho de produtividade muito grande, que é a grande área em que todo mundo quer investir.

Tele.Síntese – A AT&T abandonou de vez o provimento de voz sobre circuito para focar em soluções IP? Essa é uma opção estratégica da empresa, já que as soluções IP canibalizam a receita tradicional de voz?
Barros – Esse é um balanço bem difícil de se fazer. Se você olhar o mercado internacional, eu diria 99% do que vendemos é dados. O foco internacional sempre foi em dados, portanto, para a área global não vai mudar muita coisa. No mercado norte -americano ainda existe um grande volume de chamadas de longa distância, de voz. Esse balanço as próprias empresas americanas estão fazendo agora. O mesmo acontece com aplicação de voz. Ou, exemplo mais radical ainda: a mudança que houve do telefone analógico para o digital. Está havendo uma transição, e essa mudança está indo de ATM para IP. E com isso está havendo uma consolidação do IP com a tecnologia da informação.

Tele.Sintese – Quais são os clientes alvos da sua presidência, que comanda as operações globais?
Barros – São os grandes clientes corporativos, com ramificações em vários países. O grande foco é em empresas dos EUA que têm negócios fora do país, e empresas de fora que têm negócios nos EUA. No caso de empresas basileiras seriam uma Embraer, uma Gerdau, uma Vale do Rio Doce.

Tele.Síntese – E as plataformas offshore, também são foco?
Barros – Sim. Um exemplo simples de uma aplicação é e-mail.

Tele.Síntese – E vocês utilizam todo tipo de meio físico, como satélites, cabo, etc.?
Barros – A rede é global. Depende da situação geográfica em que se encontra o cliente. Para o cliente não importa qual a conectividade que você está usando, e sim qual o tipo e a qualidade dos serviços em nível global.

Tele.Síntese – Hoje o custo para o cliente é menor?
Barros – Sim, isso é uma tendência mundial. Você passa a ter hosting feito de um lugar para o mundo inteiro. Você passa a ter uma rede gerenciada desse tipo em que o cliente pode até comprar esse serviço, e não precisa tê-lo dentro de sua empresa. Então, o que está acontecendo é que, dado o fator econômico dessas propostas, dada a capacidade de uma rede como a nossa, de poder transmitir essa tecnologia para aonde você quiser, na transição de um produto para outro, o cliente acaba até comprando mais aplicativos pelo mesmo dinheiro. Por isso, é que existe o aumento de produtividade. Porque o custo nominal que o cliente tem é o mesmo, mas a quantidade de aplicativos que ele tem é muito maior.

Tele.Síntese –  Vocês operam a rede toda, ou têm acordos com outras operadoras?
Barros – Nossa estratégia é global, e precisamos trabalhar com outras operadoras. Temos na América Latina um investimento estratégico com a Telmex. Existe a parceria local para fazer a última milha. Esse é o relacionamento que temos: interconexão aqui, na Europa, na China. Com a Telmex temos uma relação privilegiada, pois temos investimento tanto na Telmex quanto na América Móvil. Há requisitos para ser um parceiro da AT&T. Quando nos comprometemos com um cliente, quando vendemos um serviço, temos que ter certeza que, dentro de vários países, conseguiremos passar esse serviço com qualidade.

Tele.Síntese – Qual a meta de crescimento para a região?
Barros – Temos projetado um crescimento de 14% para a região. No ano passado, crescemos 12%, quando a média da indústria foi de 5,5%.

Tele.Síntese – Em termos de investimento em tecnologia, quais as prioridades da AT&T hoje?
Barros – Pensando em transição de tecnologia, vemos um crescimento muito grande na área de IP, na transferência de produtos da linha de ATM para a linha de IP. E a posição atual da AT&T, de ser uma empresa de US$ 120 bilhões, de US$ 18 bilhões de Capex todo ano, possibilita uma escala em desenvolvimento de produtos que força vendedores a se alinharem a esse protocolo. Quando você tem uma empresa como a AT&T, com a escala que ela tem, e que consegue direcionar uma área e dizer: “esse é o protocolo que vai ser usado”, você consegue baixar custos, o protocolo fica mais simples de ser usado, e a experiência dos clientes com esse produto é boa.

Tele.Síntese – Então, a grande aposta da AT&T em conectividade é a rede IP?
Barros – Sim. Também queremos continuar o desenvolvimento da nossa rede MPLS, tê-la em um formato homogêneo em todos os lugares onde nossos clientes dela precisam. E a distribuição de agregados, ou seja, quando a rede de IP passa mais perto do cliente, queremos subir na cadeia de aplicativos.

Tele.Síntese – Dos US$ 18 bilhões de investimento, US$ 750 milhões são para IP. Onde estão investindo neste ano?
Barros – O protocolo já está definido, o portfólio de produtos já está definido. O que estamos fazendo agora é expandindo essa rede de serviços. E esse valor, para a área global, é mais do que o dobro do que foi investido no ano passado. Para nós, isso é muito positivo.

Tele.Síntese – E a parceria com a indústria fornecedora?
Barros – Temos macro-parcerias, com empresas como Avaya, Cisco, IBM, Alcatel, Siemens. Depende da necessidade do cliente e de onde ele está. Nas Américas, temos uma associação forte de voz sobre IP com Cisco e Avaya; na Europa, temos com Siemens e Alcatel; e, na Ásia, é Fujitsu e Hitachi.

Tele.Síntese – Há alguma mudança de foco para o Brasil? Quem são os grandes clientes aqui?
Barros – Continuamos focados nos clientes globais. Aqui, nossos maiores clientes são todas as grandes empresas norte-americanas que operam aqui. Estamos focando em, aproximadamente, 500 empresas globais com presença na região.

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