Para a 4G Americas, modelo de leilões prejudica desenvolvimento das redes LTE


O modelo de venda de licenças para uso do espectro estaria reduzindo a capacidade de investimento das operadoras de telecomunicações e, juntamente com questões regulatórias, atrapalhando a instalação das redes de quarta geração (LTE) na América Latina. Em conversa com a imprensa em Barcelona*, José Otero, diretor da 4G Américas para a região, disse que as telcos pagam caro pela frequência e ainda precisam esperar os reguladores definirem os limites de sua ação.

“Acho que o modelo ideal seria o chileno, no qual não se paga pela licença, mas o regulador impõe condições de uso. Vemos, porém, países realizarem o leilão a preços muito altos, e baixarem regulações ainda mais restritivas que no Chile”, disse. A consequência é o aumento de preços ao consumidor, uma vez que, lembra Otero, as telcos vão repassar os custos.

Ele falou que o modelo de leilões, copiado de países europeus, não faz tanto sentido na América Latina devido à grande diferença do backbone e backhaul existentes. “Na europa paga-se caro, mas já há uma infraestrutura fixa de qualidade que pode ser usada para a rede móvel, o que não existe na maioria dos países da América Latina”, ressaltou.

Ainda assim, o 4G tem crescido. Na região, eram 26 redes no começo de 2014, passando a 45 em dezembro. A expectativa dele é que em 2015 a expansão continue graças a recentes leilões realizados na Argentina, Venezuela, e uma nova rodada de autorizações emitidas no Chile. No Brasil, sua expectativa é expansão das redes das grandes operadoras a mais cidades e melhor cobertura com small cells em pontos de alta densidade.

Otero defendeu, também, que o LTE estimula a melhora da banda larga fixa. “A rede fixa vai ter que melhorar para sua velocidade média se equiparar à da banda larga móvel. Portanto, mais LTE resulta em reformulação da infraestrutura cabeada”, resumiu.

*O repórter viajou ao Mobile World Congress a convite da Alcatel-Lucent

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2 Comments

  1. Ricardo Magalhães
    6 de Março de 2015

    Que piada… desde quando a banda larga fixa tem médias piores que a da móvel? Só se for nos outros países da América latina.

  2. Yago G.
    6 de Março de 2015

    Exatamente como eu penso. As operadoras além de ter que pagar para usar a freqüência, precisam investir na própria infraestrutura.
    O governo atrapalha bastante nesse sentido.
    Dar prioridade para operadoras menores que existem no país também é outro método bem mais eficiente que trazer novas operadoras atuantes no exterior.