Pandemia não altera cronograma de lançamento de satélites da Inmarsat


A operadora britânica de satélites Inmarsat manterá seu cronograma de lançamento de novos satélites, apesar da pandemia de covid-19. Conforme executivos da empresa, a crise sanitária mundial teve pouco reflexo nas operações. O próximo artefato a ser colocado no espaço será o satélite I-6 F-2, que será lançado do Japão, pela Mistsubishi Heavy Industries, em 2021, e entrará em operação em 2022, tendo capacidade em banda L e banda Ka.

A empresa tem como principais mercados o marítimo, de aviação civil, governamental, utilities e agrário. Especialmente no setor aéreo, viu encolher a quantidade de voos graças a restrições governamentais à entrada de estrangeiros, em diversos países, devido à pandemia de covid-19. Mas o movimento de voos de carga segue, o que reduziu o impacto sobre a prestadora. A Inmarsat é responsável por rastrear ou levar conectividade a 200 mil veículos no mundo, entre aviões, trens, navios, caminhões.

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“Estávamos crescendo bem, somos o terceiro principal competidor no segmento de conectar aviões. Como era esperado, a pandemia deixou muitos aviões no chão. A rede segue ativa, no entanto, porque os voos de carga seguem. Mas ainda não sabemos quando haverá recuperação. De qualquer forma, estamos bem preparados”, afirmou Mike Carter, presidente da Inmarsat Enterprise, em entrevista ao Tele.Síntese.

Ainda assim, as receitas da Inmarsat foram pouco afetadas. Cerca de 20% do faturamento vem da aviação. Outros 35% são referentes a serviços prestados a governos, e 45%, ao setor marítimo. E tanto governo, quanto embarcações, não alteraram contratações com a pandemia, afirma ele.

Brasil

Especificamente no mercado brasileiro, a empresa não vê crise, uma vez que tem grandes clientes nos segmentos de pesca, defesa, mineração e ferroviário. Todos com contratos plurianuais. A companhia fechou ano passado, por exemplo, contrato para fornecer conectividade a 45 estações e rastreamento de 300 trens da Rumo Logística, através de parceria com a operadora Globalsat. Tem acordo também com quase todas as mineradoras, e com companhias de pesca, petroleiras, além da Marinha.

Neste ano, a empresa também será responsável por conectar 2 mil terminais BGAN usados para a transmissão de dados das urnas eletrônicas nas próximas eleições, remarcadas para novembro. E será responsável pela conectividade em até três aeronaves presidenciais.

Peter Hadinger, diretor de tecnologia da operadora, explica que boa parte das transmissões feitas pela Inmarsat não sofrerá interferência devido ao uso de telefonia móvel em 3,5 GHz. Este uso gera interferência em serviços de banda C, frequência pouco acessada pela companhia. “Mas temos algumas estações terrestres que usam Banda C, e queremos a certeza de que ficarão bem isoladas para não ter interferência”, relatou.

Ele também se diz solidário em relação a outros operadores satélites que terão seu espectro remanejado para acomodar as operadoras móveis. “Solidarizamos com a indústria, é necessário proteger as bandas usadas por satélites. É importante que se mantenha uma padronização mundial para acesso dos satélites”, afirmou Hadinger.

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