Países emergentes têm maior potencial em transações financeiras remotas


Por não terem uma organização bancária bem estruturada, países emergentes da África e Ásia estão entre aqueles com maior potencial de desenvolvimento de soluções de movimentações financeiras e pagamentos por meio de plataformas móveis, já que, para realizar essas operações, não é preciso, necessariamente, que o cliente tenha uma conta bancária. Esse é o cenário …

Por não terem uma organização bancária bem estruturada, países emergentes da África e Ásia estão entre aqueles com maior potencial de desenvolvimento de soluções de movimentações financeiras e pagamentos por meio de plataformas móveis, já que, para realizar essas operações, não é preciso, necessariamente, que o cliente tenha uma conta bancária. Esse é o cenário mostrado por Wagner Simão, da divisão de serviços financeiros da Accenture, que realizou palestra no 3° Wireless Mundi, promovido pela Momento Editorial.

O representante da Accenture expôs casos como o serviço M-Pesa, da companhia de telecomunicações Safaricom, que possui dois milhões de usuários no Quênia. Pelo sistema, além de realizar transações financeiras e compras remotamente, é possível sacar dinheiro em estabelecimentos conveniados usando o serviço. “Na África, quase toda solução já dá certo”, diz Simão.

Na Índia, segundo ele, o grande salto no processo de transformação das movimentações bancárias por plataformas móveis ainda está por vir. “Os bancos estão com as soluções prontas, apenas aguardando a autorização reguladora do governo”, explica. Não somente pela falta de estrutura bancária, mas também por causa da questão da segurança, no Iraque, um projeto piloto foi desenvolvido em plataforma GSMA com o apoiado do governo local e está em processo de homologação.

Numa fase mais avançada, os Estados Unidos, segundo o analista, passam por um processo de busca de um crescimento mais sólido nesse segmento. Entretanto, a Europa mostra-se na contramão, questionando se vale a pena adotar os sistemas de mobile payment e mobile banking. Já no caso brasileiro, a adoção da forma remota de transações bancárias ainda está em discussão e, na avaliação de Simão, nesse momento é preciso levar em consideração as características próprias do nosso mercado.

Quarta onda

De acordo com Simão, com as transações financeiras realizadas por plataformas móveis, estamos passando pela quarta onda dos meios de pagamento. “E a limitação pela tecnologia passa a não ser o maior desafio”, avalia.

Já estão disponíveis no mercado soluções de transações bancárias e de pagamentos realizadas por mensagens de texto, navegação via WAP e contactless (a operação é efetuada ao se aproximar o aparelho a um leitor, que realiza a transação enviando as informações pela rede de telefonia). Outra possibilidade é a utilização do sistema de voz, no qual é preciso a interação do usuário com uma central de atendimento para completar a operação.

Para que o sistema ganhe força, ainda há a dificuldade de padronização dos meios necessários para concretizar as operações. Para Simão, a grande discussão é de como dividir receitas e responsabilidades entre os principais players envolvidos com as transações remotas. “O mais difícil hoje é conseguir esse equilíbrio entre bancos, operadoras e fornecedores de tecnologia.”

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