Pai da Web critica modelo de negócio de Google e Facebook


Nos 30 anos da Web, Tim Berners-Lee diz que uma das maiores ameaças à rede atualmente é a remuneração por conteúdo baseado em cliques, que recompensa disseminação de desinformação.

Tim Berners-Lee no CERN, onde inventou o HTTP. Foto de 1994.

Tim Berners-Lee, o criador do protocolo HTTP que deu origem à Web 30 anos atrás, publicou hoje, 12, quando sua invenção fez aniversário, uma carta na qual aponta o dedo às gigantes digitais e suas práticas comerciais.

Lee afirma que há três fontes de disfunção na internet atual. A primeira, mais óbvia, diz respeito a ataques maliciosos, como invasões praticados por Estados e assédio online.

A segunda, refere-se à forma escolhida pelas empresas para rentabilizar seus negócios, sacrificando o usuário “por modelos de receita baseados em anúncios que recompensam comercialmente a isca para o clique e a disseminação viral da desinformação”.

Por fim, a terceira fonte de disfunção hoje em dia na Web é a polarização de ideias e a qualidade do discurso online, resultado justamente do “design benevolente” escolhido pelas empresas.

“Embora a primeira categoria seja impossível de erradicar completamente, podemos criar leis e códigos para minimizar esse comportamento, tal como sempre fizemos off-line. A segunda categoria nos obriga a redesenhar os sistemas, de forma a mudar os incentivos. E a categoria final exige pesquisas para entender os sistemas existentes e modelar novos possíveis, ou ajustar os que já temos”, afirma Lee.

Lee pede que governos e sociedade trabalhem para reconhecer na Web um direito humano. A Web Foundation está promovendo um pacto que poderá contar com a adesão de governos e organizações a fim de garantir que a internet siga livre, mas imune ao mau uso da tecnologia.

Para os governos, a fundação propõe que sejam elaboradas políticas para tornar a conectividade universal; garantir que a rede esteja acessível e aberta em tempo integral, sem quedas ou censuras; e que a privacidade individual seja respeitada.

Para as empresas, o contrato propõe a criação de modelos de baixo custo para facilitar o acesso; também o respeito à privacidade e dados pessoais; e criem tecnologias que apoiem o “melhor no ser humano” e desafiem o “pior” a fim de que a rede trabalhe pelo bem público e priorize o ser humano. “As empresas devem fazer mais para garantir que sua busca por lucros a curto prazo não aconteça à custa dos direitos humanos, da democracia, dos fatos científicos ou da segurança pública”, diz.

Aos usuários cabe, pelo contrato, serem criadoras de conteúdo relevante; construírem comunidades que repeitem a civilidade e a dignidade humana; e lutar para que a web permaneça aberta e seja um repositório global para todos.

E acrescenta: “A luta pela web é uma das causas mais importantes do nosso tempo. Hoje, metade do mundo está on-line. É mais urgente do que nunca garantir que a outra metade não seja deixada para trás, off-line, e que todos contribuam para uma web que impulsione a igualdade, a oportunidade e a criatividade”.

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