Balsa padtec amazonia cabo subfluvialA fabricante de soluções ópticas Padtec se mostra revigorada. Quem visita a empresa, localizada no Parque Tecnológico do CPqD, em Campinas (SP), pode ver os funcionários a todo vapor, o estoque rodando, novas políticas de gestão em implantação e engenheiros em fase de treinamento, recém-contratados. A empresa começa 2017 com uma nova postura, animada pela retomada do lucro em 2016.

Quem vê a rotina atual não imagina a empresa perdeu R$ 151 milhões em 2015 e precisou cortar na carne. A quantidade de funcionários caiu quase 40%. A estratégia de posicionamento de mercado foi completamente reformulada.

“2015 foi um ano tenebroso na história da empresa e do país. Foi muito duro, refletido no balanço. Tomamos a decisão de redução de equipe em março, fizemos desinvestimentos em Israel e nos EUA”, lembra Manuel Andrade, CEO da empresa.

A título de comparação, a Padtec terminou 2016 com receita bruta de R$ 321 milhões. O número é menor que o de 2015, quando a mesma métrica foi de R$ 337 milhões. No entanto, o fez com menos unidades de negócio, após sair do mercado de provedores, com menos gastos com pessoal e com foco no mercado de transmissão óptica de longa distância.

Assim, trocou um prejuízo bruto de R$ 4 milhões em 2015 por um lucro bruto de R$ 80 milhões em 2016, e um EBITDA (lucro antes amortizações e impostos) de negativos R$ 106 milhões para positivos R$ 32 milhões. Em 2015, o prejuízo líquido havia se transformado em um lucro pequeno, mas concreto, de R$ 3 milhões.

Andrade admite que os últimos anos foram difíceis e traumáticos. Porém confia que a nova estrutura, mais enxuta, eficiente, com gestão e fabricação inspirados no toyotismo, vai alavancar os negócios.

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Manuel Andrade, presidente da Padtec- Foto: Robson Regato

“Uma crise é uma coisa muito importante para desperdiçar. Com o que aconteceu, aprendemos a dizer não. Passamos a fazer negócios apenas win-win. Incorporamos empresa de serviço que dá suporte à instalação. Saímos de contratos deficitários, passamos a só assinar contratos com margem positiva”, conta. O resultado é uma redução de 55% no endividamento, com perfil renegociado: 90% de longo prazo.

Ano passado a empresa voltou a contratar, aumentando em 20% o número de engenheiros na linha de produção. Eles chegam para atender ao novo foco: cabos submarinos. “Estamos ocupando o espaço dos cabos regionais. Até 1,5 mil Km a 2 mil km a Padtec está qualificada a cobrir, e é um espaço que o mercado está carente”, diz.

Esses cabos poderão atender não apenas operadoras, provedores e empresas de tecnologia. As oportunidades divisadas estão em diferentes mercados, em outras indústrias. “Estamos posicionando nossa unidade de turn key [do projeto ao lançamento do cabo com embarcação própria] para fornecimento para óleo e gás e windfarms em oceano raso”, diz Andrade.

A expectativa é atrair clientes pelo exemplo. Seu case mais famoso, o cabo submarino Júnior, pertencente ao Google, será concluído este ano e ativado em agosto. É o primeiro cabo submarino lançado pela Padtec. Com a maior empresa de internet do mundo como cliente, o time da empresa pretende fazer de 2017 um ano de atração, consolidando novos contratos no segmento. E tem a expectativa de lançar novos cabos a partir de 2018.

Tudo para somar à receita tradicional. Seu produto principal, o LightPad, equipamento para transmissão óptica de longa distancia, vai se manter como a principal fonte de receitas. Mas o segmento de cabos e o de serviços vão representar, somados, quase a metade das receitas ao final dos próximos três anos.