ISP que cresceu e apareceu. Veja a lista.



Com a chegada dos fundos de investimento ao mercado dos provedores regionais de acesso à internet e serviços de telecomunicações, o perfil desse segmento começa a mudar. A tendência é de acelerar o ritmo de consolidação de empresas, pois todas as líderes da banda larga no varejo têm planos de crescimento. A maior operadora do grupo ainda é uma empresa isolada, a Brisanet, do Ceará. Em seguida, vem o Grupo Acon, que reune sete provedores em seis estados. A terceira colocada é a recém criada Vero, da Vinci Partners, que comprou oito provedores em Minas Gerais. A quarta posição fica com a fluminense Sumicity, que em dezembro recebeu uma injeção de capital do EB Partners. Em quinto lugar está a Unifique, de Santa Catarina, criada em 1997, em Timbó, ainda no tempo da internet discada.

Mas nada garante que essas posições serão mantidas por vários meses. A Wirelink, que tem sede no Ceará, mas atua no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, decidiu que as 22 empresas das quais participa vão, até o final do ano, operar por meio de uma única marca. “Vamos consolidar a marca e ganhar volume”, relata Vanderson Santana, diretor comercial da Wirelink, que, além do mercado de varejo, opera no mercado de atacado, com um backbone de 45 mil quilômetros (20 mil em DWDM). Seu backbone, 60% dele de rede própria, se estende do Norte ao Sudeste.

Todos os líderes do grupo dos provedores, que em base de banda larga fixa só perdem para as grandes operadoras – Claro Brasil, Telefônica, Oi, TIM, Algar Telecom e Sercomtel -, têm planos de crescimento. José Roberto Nogueira, presidente da Brisanet, quer chegar a um milhão de clientes em cinco anos, mas vai continuar privilegiando o interior dos estados onde opera: Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Dentro de três anos, o Grupo Acon, dos Estados Unidos, que começou sua atuação no Brasil pelo Nordeste com a compra da Cabo Telecom, de Natal, e da MultiPlay (Videomar), de Fortaleza, então operadoras de cabo, projeta atingir 600 mil assinantes, segundo Gilbert Minionis, CEO da empresa. No ano passado, ela concluiu a aquisição de outros quatro provedores – Direta Telecom (Guaxupé/MG); Alegra Telecom (São João da Boa Vista/SP); Conexão (Mococa/SP) e Tecnet (Caucaia/CE). O planejamento da Sumicity, anunciado por seu CEO Fabio Abreu, são 500 mil acessos em cinco anos. E a Unifique planeja expandir sua rede para 200 cidades, prioritariamente em Santa Catarina, e ter um milhão de residências home passed também dentro de cinco anos.

Rodrigo Leite, sócio da consultoria Advisia e que trabalhou no processo de consolidação dos provedores mineiros que agora integram a Vero, diz que existem 20 organizações diversas, de que tem conhecimento, que estão no mercado comprando provedores ou investindo em provedores. “Fora aquelas de que não temos conhecimento.” Caio Bonilha, sócio-diretor da Futurion, vê este movimento como natural, tendo em vista o vigor deste mercado que amadureceu nos últimos anos. Ambos entendem que ainda há espaço para o crescimento do FTTH e, portanto, do negócio dos provedores regionais. Os dois consultores, no entanto, contestam os dados oficiais da Anatel relativos à base instalada de banda larga fixa: 31,4 milhões em março deste ano, sendo 6,7 milhões dos provedores regionais. Pelos cálculos da Advisia, como há subnotificação dos dados, a cota dos pequenos já chegaria perto dos 10 milhões de acessos, aumentando a base instalada em mais 3,5 milhões. Já a Futurion, usando os dados da pesquisa do Cetic, do NIC.br, projeta uma subnotificação muito maior, que pode chegar a 12 milhões, o que daria aos pequenos provedores metade do mercado de banda larga fixa do país.

Projeto ambicioso

A Vinci Partners – com R$ 25 bilhões de patrimônio sob sua gestão — decidiu apostar alto no mercado de telecomunicações. É o principal acionista da Vero Internet, resultado da consolidação de oito provedores regionais de Minas Gerais: BD Online, NWNet, Efibra, Powerline, G4 Telecom, Viaceu, ViaReal e City 10. Os antigos donos das empresas continuam sócios minoritários, alguns no conselho, outros em comitês, e alguns até em cargos executivos. “O aporte deles é importante. Temos que aproveitar o know how, pois construíram uma história de sucesso”, diz Fabiano Ferreira, diretor-presidente da empresa

A tarefa imediata de Ferreira, ex- vice presidente da TIM e da Telefônica, é fazer o roll out da marca, lançar um novo portfólio com aumento de velocidade e mais serviços, implantar um sistema de gestão e outro de relacionamento com o cliente e fazer uma revisão do sistema tributário. Embora tenha que atuar em todas essas frentes, ele destaca a qualidade do serviço prestado pelos provedores em 39 cidades. As chamadas que o call center não conseguem resolver e que demandam deslocamento de um técnico são atendidas na casa do cliente em até quatro horas. “Eu nunca vi isso em lugar nenhum, nem na GVT que era uma entrante, uma empresa nova”, comenta.

Ferreira não quer falar em números de expansão, mas informa que serão investidos entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões nos próximos cinco anos (incluindo o que foi gasto na compra dos provedores). Ele espera cobrir mais seis cidades este ano, diz que o crescimento será tanto orgânico quanto inorgânico, que a Vero não vai se limitar ao estado de Minas Gerais e que as oportunidades nesse mercado são enormes. Entre suas tarefas de curto prazo está substituir os 15% de conexões via rádio da base por fibra e interligar as cidades que integram a Vero, que hoje não estão interligadas por backbone.

Sem medo da competição

A chegada de investidores ao mercado de provedores regionais não assusta José Roberto Nogueira, diretor-presidente da Brisanet, que migrou do Ceará para São José dos Campos, em São Paulo, para trabalhar e, em 1998, fez o caminho de volta para montar na sua cidade, Pereiro, na zona rural, um provedor via rádio. Afinal, ele foi o primeiro empresário a fibrar uma cidade no país, Pau dos Cerros, no Rio Grande do Norte, em 2011. Hoje, sua rede está presente em 150 cidades do Ceará, do Rio Grande do Norte e da Paraíba, no centro do Semi Árido. Seu backbone tem 12 mil quilômetros (2.200 de rede própria) e 85 cidades já estão conectadas a ele.

Líder no mercado de banda larga no varejo, Nogueira, que além de acesso à internet, provê serviço de telefonia e TV paga a seus clientes, diz que neste segmento tem espaço para todo mundo. “As grandes operadoras vão continuar dominando o mercado. Tem um nicho para os provedores médios, tem outro para os provedores de 10 mil a 100 mil terminais, um terceiro para de mil a 10 mil, e um quarto abaixo de mil. É assim”, resume, explicando que não está atrás de consolidação, que vai continuar trabalhando com bancos públicos e privados e investindo na rede e na qualidade do serviço.

Se as compras não estão no radar da Brisanet, esta não é a realidade para a Sumicity. Uma das principais tarefas de Vicente Gomes, ex-controlador da empresa e hoje sócio e presidente do Conselho, é avaliar as oportunidades de crescimento por meio da aquisição de concorrentes. “Estamos negociando a compra de dois provedores na nossa área de atuação que somam 40 mil clientes em fibra”, conta Gomes.

 

Despedida

Esta é minha última matéria para o Tele.Síntese, portal jornalístico que ajudei a criar em 2005 e para o qual escrevo desde então. Estou deixando o cargo de diretora editorial da Momento Editorial, pois vou me aposentar. Agradeço aos leitores que me distinguiram com a sua atenção durante este período. Um abraço.

Anterior TIM diz que compra da Nextel pela Claro preocupa pela concentração de espectro
Próximos Economia se ajusta à reforma administrativa

6 Comments

  1. Rogério Pires
    5 de junho de 2019

    Excelente matéria Lia! Acompanho a vários anos o portal, que a meu ver, transmite credibilidade e nos deixa sempre atualizados. Parabéns.

  2. Alan Carlos
    5 de junho de 2019

    Boa aposentadoria! Obrigado pela sua disponibilidade em todos estes anos!
    Sucesso!

  3. Eri Jr
    5 de junho de 2019

    Bom proveito Lia, estive aqui desde o começo e aprendi muito sobre tecnologia e mercado. Parabéns!

  4. Raphael
    7 de junho de 2019

    O nome da primeira cidade fibrada é Pau dos Ferros.

  5. 7 de junho de 2019

    Lia, parabéns por sua carreira, que muito colaborou para informar e formar tantos profissionais do nosso setor.
    Apesar um tanto avesso a entrevistas, respeito por demais o trabalho de vocês!
    Muitas felicidades!

  6. reinaldo
    10 de junho de 2019

    Quem investiu teve lucro e só pensa em crescer… Quem esperou, esperou um fomento do governo, não veio e quem sabe quando virá… Quem ficou para trás é correr atrás do prejuízo, porque a concorrência vem forte e tem muito espaço para crescer sobretudo dentro da rede da Oi e da Vivo, até da Net se a oferta for boa, a quantidade de upload ainda é um problema no Virtua e o preço fora do combo. Eu mesmo troquei um grande provedor por um pequeno, pois, a oferta de serviço bem melhor e muito mais rápido.