Os japoneses contra-atacam


O representante no país do padrão de modulação japonês ISDB-T decidiu, no começo desta noite, 28, não deixar sem resposta as críticas à decisão do governo brasileiro de escolher o sistema apenas existente no Japão. Argumentando que “os consumidores brasileiros merecem o melhor sistema de televisão”, e que a proposta do Sistema Brasileiro de TV …

O representante no país do padrão de modulação japonês ISDB-T decidiu, no começo desta noite, 28, não deixar sem resposta as críticas à decisão do governo brasileiro de escolher o sistema apenas existente no Japão. Argumentando que “os consumidores brasileiros merecem o melhor sistema de televisão”, e que a proposta do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) baseado no padrão japonês ISDB-T “é unir o mais moderno sistema existente com as inovações e adaptações arquitetadas por especialistas brasileiros”, Yasutoshi Miyoshi, representante do sistema ISDB-T no Brasil, decidiu replicar. E rebater as críticas feitas pela Coalizão DVB Brasil e pelos representantes do padrão americano ASTC, preteridos em favor do ISDB-T.

Diz Miyoshi que os japoneses tomaram conhecimento e reconheceram os excelentes trabalhos dos pesquisadores brasileiros, “e assumiram a integração e harmonização das inovações brasileiras, formalizando o compromisso de construção do sistema nipo-brasileiro através do memorando de entendimento firmado em 13 de abril último, entre os governos. Abaixo, a íntegra da carta enviada à imprensa:

“O SBTVD: O BRASIL MERECE O MELHOR!

"Os brasileiros merecem o melhor sistema de televisão, baseado no melhor e no mais moderno sistema existente, arquitetado por brasileiros.

“A chegada da TV digital trará benefícios imediatos aos telespectadores, que poderão usufruir da imagem e do som com qualidade de DVD, sem fantasmas e chiados a partir da primeira transmissão digital. Além disso, a experiência inédita da alta definição nos trará uma nova percepção audiovisual em casa e nos veículos, bem como a possibilidade de portar os televisores em nossos bolsos para, literalmente, assistirmos televisão a qualquer momento, em qualquer lugar. Será uma nova Era da Televisão.

Geração de emprego

“A indústria, o comércio e os serviços desta nova radiodifusão não só preservarão, mas possibilitarão o surgimento de novos postos de trabalho na produção de transmissores e receptores, de hardware e software, sem mencionar o que deverá impactar em áreas como a produção de conteúdo.

“Os empresários focam na oferta do melhor para o consumidor, e a cada evolução tecnológica surgem produtos de melhor qualidade. O SBTVD baseado no ISDB-T será o aprimoramento do mais recente sistema de televisão disponível comercialmente no mercado mundial. Os consumidores brasileiros merecem o melhor sistema de televisão e a proposta do SBTVD baseado no ISDB-T é unir o mais moderno sistema existente com as inovações e adaptações arquitetadas por especialistas brasileiros.

Nipo-brasileiro

“Os japoneses tomaram conhecimento e reconheceram os excelentes trabalhos dos pesquisadores brasileiros, e assumiram a integração e harmonização das inovações brasileiras, formalizando o compromisso de construção do sistema nipo-brasileiro através do ‘memorando de entendimento’ firmado em 13 de abril último entre os governos.

“A seguir abordamos alguns aspectos que consideramos relevantes:

Garantia de evolução

“Trata-se de uma decisão de longo prazo

"A definição tecnológica de um sistema de televisão deverá ter plenas condições de atender às necessidades das sociedades ao longo de décadas. A sua avaliação deverá ser severa e criteriosa, assim como foram os testes brasileiros realizados no país desde 1999. A decisão deverá atender à realidade atual e as possíveis necessidades futuras, sob pena de ocasionarem incalculáveis prejuízos com correções e adaptações posteriores para a adequação do sistema.

“Cientes disso, o Japão desenvolveu um sistema robusto e flexível que não só atende as demandas atuais, mas está capacitado para suportar a evolução da sociedade. E é essa plataforma tecnológica flexível e robusta, com a garantia e segurança das evoluções futuras, que o ISDB-T oferece para a sociedade brasileira.

Liqüidificador não atrapalha

“A economia da robustez

“A robustez da modulação BST-COFDM do ISDB-T permite plena recepção de televisão apenas com a antena interna – a realidade de mais de 60% dos brasileiros – e traz uma economia real para o telespectador. De que adiantaria o receptor de televisão ser R$ 10 mais barato, se o consumidor tiver de despender de R$ 150 a R$ 200 para a compra e instalação de uma antena externa que garantirá a recepção do sinal? E se a imagem e o som do televisor desaparecerem quando ligarmos o liquidificador? Teremos de escolher entre bater um suco ou assistirmos à televisão? Isto seria sim, o barato que sai caro!

Produtos baratos

“O mito do preço alto

“O Japão comercializa tanto produtos de alto valor agregado quanto equipamentos com valores reduzidos e, conseqüentemente, mais simples. O SBTVD será baseado no ISDB-T, mas não significa a transferência de produtos japoneses de prateleira. O Brasil terá sua linha de televisores e terminais de acesso que atenda às necessidades, às exigências e ao poder aquisitivo dos consumidores brasileiros. O sistema ISDB-T permitirá que o consumidor tenha à sua disposição os receptores simples, mas também os de última geração, para atender a diversidade dos consumidores brasileiros.

“O receptor do SBTVD, baseado no sistema ISDB-T, de custo acessível não é um mito, mas uma realidade. Já existem receptores de baixo custo desenvolvidos e construídos pelo consórcio USP-LSI, UFPB e Universidade Mackenzie, em conjunto com uma indústria nacional de receptores de satélite. Este receptor compartilha 90% dos componentes com o receptor de satélite digital do padrão europeu DVB-S.

Exportações

“As oportunidades de exportação para o Brasil

“Se 90% dos componentes do receptor são compatíveis entre os sistemas, não há que se falar em restrição às exportações, pois bastará substituir o componente específico do sistema de modulação. A partir do receptor SBTVD é possível a produção de receptores ISDB-T, ISDB-S, DVB-T, DVB-S, DVB-C, ATSC, com a substituição do componente específico de cada um dos sistemas (o chip de demodulação), ou seja, literalmente, qualquer sistema.

“Assim, a exportação dos produtos seria uma questão de aquisição de competitividade frente à fabricação na China e no Leste europeu, que hoje suprem os grandes mercados. Mas a grande oportunidade deverá estar na América do Sul, onde o Brasil poderá liderar a escolha do sistema de televisão e também fabricar e suprir estes países.

Inovações na UIT

“A oportunidade real de projeção internacional

"No SBTVD, as inovações brasileiras deverão estar harmonizadas no sistema ISDB-T, e estas, encaminhadas ao ITU, garantindo o alinhamento do SBTVD com as resoluções internacionais, bem como a inserção e projeção internacional das pesquisas e inovações brasileiras.

“Existem outros aspectos, que não são poucos, que conferem ao SBTVD, baseado no ISDB-T, absoluta e insuperável superioridade técnica e comercial. Os brasileiros merecem o melhor e estamos confiantes que a melhor escolha será feita”.

(Da Redação)

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