Os filhos dos seus filhos serão criados por robôs, prevê NEC


Empresa aposta que daqui a apenas dez anos postes conseguirão enxergar aptidões de jovens, drones ficarão de olho em crianças desacompanhadas e a assistência social será capaz de acompanhar o crescimento daqueles que vivem em situação de vulnerabilidade por meio de pulseiras conectadas.

A 5G vem aí para acelerar a conectividade entre aparelhos, colocar mais inteligência artificial em data centers mais próximos dos usuários e aumentar a circulação de dados sobre as quais o ser humano não vai saber que existem. O resultado será uma sociedade hiperconectada, que viverá dentro da tecnologia, sem perceber que é assistida de tantas e diferentes formas por máquinas.

Dentro da NEC, fabricante japonesa de equipamentos de rede, prevê-se que os filhos dos nossos filhos já crescerão em um ambiente no qual as máquinas serão capazes de observá-los evoluir. Sensores espalhados pela cidade vão detectar aptidões e sugerir até quais profissões deveriam seguir.

Neste novo mundo, drones passearão pelas ruas de olho nas crianças, sempre a postos para emitir alertas caso algo aconteça com os pequenos. Os postes terão câmeras capazes de identificar os hábitos das pessoas, e não apenas os rostos.

Durante a Futurecom 2019, a presidente global da divisão de telecomunicações da empresa, Mayuko Tatewaki, apresentou um vídeo (abaixo) em que exibe todas as possibilidades. E disse ainda que essa realidade pode vir ainda em 2030, em apenas uma década.

Nova sociedade

Tanto desenvolvimento tecnológico não significará, disse ao Tele.Síntese, que os pais serão menos importantes ou perderão sua função de criarem e educarem os filhos. “A tecnologia vai trabalhar para o ser humano, e estará a postos onde o ser humano desejar, realizando as tarefas que o ser humano pedir”, afirmou.

Mas, vale lembrar, que nesse admirável mundo novo apresentado pela companhia, os sistemas alertam para crianças sozinhas na rua, em condições de vulnerabilidade social. Acionando automaticamente as autoridades responsáveis por políticas sociais.

E em uma sociedade com tantos robôs trabalhando para os seres humanos, ela faz um alerta: “Será que as leis da robótica escritas por Isaac Asimov seriam suficientes para a sociedade do futuro? Acho que não. É preciso ir além, ter mais regras sobre o funcionamento robótico para garantir que eles não apenas trabalhem para a gente, mas tenham empatia, sintam amor, reconheçam a dor”.

Tatewaki diz que uma realidade em que os robôs se tornam superinteligentes e escravizam os humanos não deve ser descartada. Para evitar isso, a alternativa seria programá-los para não apenas fazer tarefas, mas também sentir carinho por nós.

“Realmente os robôs vão se tornar superinteligentes, e isso pode ser um problema. Então acho que talvez seja o momento de os robôs terem sentimentos, sentirem amor ou carinho. Se tiverem esses sentimentos, se forem instruídos a ter carinho pelos humanos, então esse risco de dominação é reduzido”, falou.

Empoderamento

Caberá a nós, afirma, definir quais emoções as máquinas poderão ter. Ela diz que já há usos possíveis em que é importante para o robô reconhecer sentimentos e decidir como se comportar com base na empatia. “Acho que com a 5G, inteligência artificial e robótica, tudo será mais próximo do ser humano e o médico robô será capaz de compreender as sensações”, afirmou.

Tatewaki lembra, ainda, que a sociedade está em constante transformação e que o papel de pai e mãe, do homem e da mulher, vem mudando ao longo do tempo. Por isso a ideia de que as máquinas vão auxiliar na criação não deve ser encarada como antinatural.

“A sociedade tem que evoluir. O modelo de criação de crianças provavelmente vai ser diferente no futuro graças às mudanças sociais, ao papel maior da mulher em outras áreas. Não apenas a mãe e o pai vão dar apoio às suas crianças, mas toda a sociedade vai contribuir para criá-las dessa forma [com auxílio da robótica]”, observou.

E para evitar as ciladas da segurança e abuso de poder em função da quantidade gigantesca de dados que serão coletados ao longo de nossas vidas, ela não vê solução que não o empoderamento de todos. “As pessoas devem ter a tecnologia, sentir-se donas e responsáveis por essas tecnologias”, resumiu.

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