Os desafios de uma pequena empresa para levar banda larga ao Norte do país


Nesta entrevista, Sérgio Mattos e Sérgio Zumpano contam um pouco da trajetória da Zumpa Telecom, um dos milhares de provedores regionais que operam em regiões longínquas do país, onde a infraestrutura de telecom é precária (a rede da Eletronorte é o único meio de transmissão, não existe redundância e nem postes para serem compartilhados e a oscilação da rede elétrica é acima da média) e, como resultado dessas carências, a banda larga popular custa R$ 50 (contra R$ 29 no Sudeste do país, por exemplo).

Sérgio Zumpano

De cada dez pessoas com quem você conversa em Marabá, metade é goiana e a outra metade é de Minas Gerais. Na turma do “uai” estão Sérgio Zumpano e Sérgio Mattos, que há sete anos foram instalar um link ponto a ponto para um cliente, identificaram uma oportunidade de negócios na cidade e ali ficaram. Hoje, a Zumpa Telecom é um dos muitos provedores regionais que operam em Marabá e, assim como seus concorrentes, se prepara para começar a oferecer serviços de valor adicionado, como TV paga. Nesta entrevista, Mattos e Zumpano contam um pouco da trajetória da Zumpa Telecom, um dos milhares de provedores regionais que operam em regiões longínquas do país, onde a infraestrutura de telecom é precária (a rede da Eletronorte é o único meio de transmissão, não existe redundância e nem postes para serem compartilhados e a oscilação da rede elétrica é acima da média) e, como resultado dessas carências, a banda larga popular custa R$ 50 (contra R$ 29 no Sudeste do país, por exemplo).

Tele.Síntese – Como vocês foram parar em Marabá?
Sérgio Mattos –
Tínhamos um provedor em Belo Horizonte e viemos instalar um link ponto a ponto para a Fazendas Revemar (conectando uma concessionária de carros à fazenda). Notamos que havia espaço para um provedor de acesso e iniciamos com serviços para o setor corporativo.


Tele.Síntese –
Se, hoje, Marabá ainda é carente de infraestrutura, como era há sete anos? Quais foram os desafios encontrados?

Sérgio Zumpano – A transmissão. A Eletronorte trabalhava com um sistema fechado. Com o foco inicial no corporativo, atendíamos outros provedores, de Marabá até Santarém, buscando o link em Imperatriz (MA), da Unotel, e fazendo o Pará pela rede da Eletronorte. A partir do momento em que a Eletronorte abriu a rede, com um PTT em Brasília, passamos a trazer (o link) de Brasília porque era mais barato em relação à Imperatriz, e entramos no mercado de varejo. Para isso, adquirimos dois provedores locais. Levamos um ano e meio para padronizar a rede e limpar a base – muitos dos clientes de um dos provedores não eram pagantes –, para depois iniciarmos as vendas.

Sergio Mattos


Tele.Síntese –
Quando a Eletronorte abriu a rede vocês saíram do atacado? O mercado corporativo deixou de ser atrativo?

Zumpano – O período que a Eletronorte tinha, por restrição governamental, de não abrir a rede se encerrou. Quando ela passou a atender diretamente, os que eram nossos clientes passaram a comprar diretamente da estatal. Passamos, então, a focar mais no varejo.
Mattos – Temos ainda alguns clientes no corporativo como a Unimed e a rádio RBA, que faz toda a transmissão para Belém em cima de nosso link.

Tele.Síntese – E o que aconteceu com a infraestrutura que vocês tinham no estado para atender outros provedores?
Zumpano – Estamos com planos de reativar para que funcione como redundância.
Mattos – Como todo mundo entra pela mesma porta (rede da Eletronorte), se ocorre um problema, todos ficam fora do ar.

Tele.Síntese – Quais são os problemas que um provedor do porte de vocês enfrenta?
Zumpano – Exatamente esse, de ter só uma entrada. Se entrarmos por Belém, Imperatriz, ou Brasília, não importa, é sempre pela rede da Eletronorte. Quando para a rede não tem saída de segurança. Existe uma vinda pela Embratel, mas é pequena, e também a saída é pela rede da Eletronorte. A Oi também tem uma rede pequena, mas muito precária.


Tele.Síntese –
Que outros problemas vocês enfrentam?

Zumpano – A infraestrutura local. Qualidade da energia elétrica, que cai muito, o que dificulta manter as repetidoras. A rede da Celpa oscila muito.
Mattos – A qualidade dos postes também não ajuda, tanto que não fizemos fibra e preferimos manter tudo por rádio e repetidoras. Usamos fibras apenas num trecho de 18 a 20 km, entre a central da Eletronorte até a subestação em Marabá.


Tele.Síntese –
Vocês chegaram a ter 3 mil clientes, hoje reduzidos a 2 mil. É suficiente para viabilizar o negócio?

Zumpano – Viabiliza, mas poderia ser melhor. Marabá está passando por um período de recessão, com demissão no comércio e a paralisação das usinas siderúrgicas de gusa. Se não fosse isso, estaríamos com mais de três mil clientes.


Tele.Síntese –
Quem são seus competidores? A concessionária local?

Zumpano – A Oi tem o Velox, aqui mas implantou no passado e é muito precário. Tem outros provedores locais, uns três ou quatro.


Tele.Síntese –
Quantos clientes de internet existem no conjunto?

Zumpano – Deve ter pouco mais de dez mil.


Tele.Síntese –
Só isso? Para uma população de 250 mil habitantes?

Zumpano – Tem muita gente usando modem; e existe muito “gatonet” em cima da rede da Prodepa (a companhia estadual de TIC, que tem a rede NavegaPará). Aqui tem 64 mil terminais celulares para 8 mil linhas fixas.


Tele.Síntese –
Vocês oferecem banda larga popular?

Mattos – Sim, estamos com pacotes de R$ 50, com velocidade de 500 Kbps, e de R$ 100 com 1 mega. E temos também uma ação social, com uma escola pública, na qual provemos a inclusão digital. Além do acesso à internet colocamos os computadores e oferecemos os cursos de informática. Também atendemos algumas associações de bairro, e ações pontuais como o link no TRE para o recadastramento.


Tele.Síntese –
Para adicionar valor ao negócio, que outros serviços vocês planejam oferecer?

Zumpano – Estamos estudando um acordo para oferecer TV por assinatura, mas será por meio de uma parceria, porque não vamos tirar licença do SeAC. Estamos finalizando os estudos e vamos fazer por meio da Algar Telecom. Já temos pronta a plataforma para VoIP e estamos apenas aguardando uma melhoria na situação econômica do mercado local. Vamos oferecer VoIP só na chamada de saída, não na entrante.


Tele.Síntese – E qual a expectativa de vocês em relação à economia local?

Zumpano – Está para ser iniciada a obra de uma usina hidrelétrica em Marabá. Temos a implantação da hidrovia, que vai sair por aqui; e, em Tucuruí, tem uma eclusa e existe a expectativa de se fazer um porto em Marabá. Esses investimentos devem reaquecer a economia em Marabá.


Tele.Síntese – Qual o faturamento da Zumpa Telecom?

Mattos – Somos uma pequena empresa. O negócio é rentável, mas tivemos que investir muito; tivemos um início critico.


Tele.Síntese –
Em Belo Horizonte, a ZT não tem mais operação? Como vocês começaram lá?

Zumpano – Eu fiz engenharia elétrica, mas mexia mais com a parte mecânica. Há 31 anos, quando abri a empresa, eu dava manutenção em equipamento de precisão, atuando na área de saneamento. Depois, na crise do petróleo, o preço do material subiu muito, ai entrei no setor. Adquiri a Kemitron, que fabricava computador e tinha um provedor. Na época comprava link da RNP. Era linha discada ainda.
Mattos – Sou administrador e advogado e me associei à empresa em 1995.
Zumpano – Em BH, montamos o primeiro enlace para uma rede WiFi… Naquela época, tínhamos um link de 64 Kbps que atendia o provedor inteiro (cerca de 200 clientes de linha discada). Depois, vendemos o provedor de BH e passamos a nos dedicar apenas a ZT em Marabá.

 

 

 

Anterior NET vai manter investimentos de R$ 3,5 bi este ano
Próximos Microsoft conclui aquisição de dispositivos Nokia