Oracle não vai disputar segmento de data centers para edge computing


Marcos Pupo, VP Oracle Latam (Foto: Juca Varella/divulgação)

O vice-presidente sênior de vendas da Oracle na América Latina, Marcos Pupo (foto), afirmou hoje, 7, que a empresa não pretende disputar o mercado de data centers edge no Brasil. Embora produza servidores compatíveis e tenha software para tanto, segundo ele o foco está mantido em prestar serviços em nuvem, usando grandes data centers, com menor pulverização da infraestrutura.

“Não é interesse nosso entrar neste segmento de data centers para edge computing. Nosso interesse está mais centrado na oferta de plataforma em nuvem, aplicações, processamento e gerenciamento de grandes volumes de dados”, afirmou Pupo durante coletiva de imprensa realizada hoje, 7, na capital paulista.

Segundo ele, o investimento das teles no segmento é natural, uma vez que o edge traz ganhos aos negócios delas. “Será necessário ter edge computing para potencializarem o uso de internet das coisas, aplicações que usam a rede e depende de baixíssima latência, como de carro autônomo”, ressaltou.

O mercado de edge computing anda aquecido no Brasil. Todas as operadoras andam investindo no segmento, à espera da massificação de soluções de internet das coisas e da chegada da quinta geração de telefonia móvel, a 5G.

A TIM, por exemplo, contratou no primeiro semestre a aquisição de mil servidores da Nokia, e outra quantidade não revelada de Huawei e HP, para instalar em 37 data centers, dos quais 21 são edge. A Embratel anunciou no começo do ano a construção de 16 pontos de presença país afora. A Vivo deve anunciar em breve pilotos no Brasil com base no conceito, que testes na Espanha mostraram ser viável.

Upgrade

A Oracle acaba de concluir investimentos de upgrade e expansão de um dos dois data centers que possui no Brasil. O valor não foi revelado. Pupo diz que, nos próximos meses, haverá ainda a definição de local para a construção de uma terceira unidade própria no país, que será erguida para fins de redundância. Hoje, a empresa tem um data center em Osasco e outro em Campinas, ambos no estado de São Paulo.

A empresa encara o upgrade como uma inauguração de novo data center, categorizado pela companhia como “Generation 2”. Pupo diz que os data centers tradicionais, como os da Amazon, Google ou Microsoft, são de primeira geração pois prestar serviços tradicionais de colocação, armazenamento ou processamento de aplicações que nasceram em nuvem.

O data center de segunda geração, diz, seria capaz de rodar aplicações que hoje estão on premise (em servidores dentro das empresas), mas na nuvem, com mesmo nível de segurança e confiabilidade. Entre os clientes dessa unidade está a Sky.

Esta unidade de segunda geração é própria. A Oracle também tem acordo para uso de data centers da Ascenty no Brasil, mas para o provimento de serviços de primeira geração, segundo o executivo.

A nova estrutura faz parte do foco cada vez maior da Oracle em vendas por assinatura de serviços. Hoje, diz o executivo, a receita local baseada em serviços por assinatura já supera a receita com a prestação tradicional nos data centers dos clientes. As vendas no segmento cloud devem continuar aquecidas. “Estamos crescendo ao ritmo de dois dígitos altos ao ano”, afirmou.

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