Oportunidades e perigos da TV digital


Ricardo Benetton, diretor de TV digital do CPqD, concorda com a SET quando se trata da flexibilidade do padrão japonês ISDB-T. Mas, na opinião de Rodolfo Macarrein, da consultoria DiamondCluster, a escolha daquele padrão pelos radiodifusores parece contraditória porque o ISDB permite grande multiplicidade de players, o que não seria exatamente o desejo das emissoras. “Aparentemente, há uma dicotomia …

Ricardo Benetton, diretor de TV digital do CPqD, concorda com a SET quando se trata da flexibilidade do padrão japonês ISDB-T. Mas, na opinião de Rodolfo Macarrein, da consultoria DiamondCluster, a escolha daquele padrão pelos radiodifusores parece contraditória porque o ISDB permite grande multiplicidade de players, o que não seria exatamente o desejo das emissoras. “Aparentemente, há uma dicotomia entre tecnologia e modelo de negócios”, diz o consultor.
Segundo o especialista do CPqD, a realidade brasileira impõe alguns limites à digitalização da TV, que merecem ser considerados. Um, é a pequena renda disponível da maioria da população, à qual se soma a estreita relação entre o tamanho da receita publicitária e a evolução do Produto.
Deve ser vista com cuidado, ainda, a dependência tecnológica do padrão que for escolhido. “Precisamos desenvolver modelos próprios de utilização da tecnologia, termos capacidade de usá-la”, aponta Benetton.
De outro lado, é inegável que a digitalização abre inúmeras possibilidades, entre elas o aumento de receitas provenientes de publicidade local e regional, novas janelas e horários de exibição, novas aplicações. Se os players conseguirem compartilhar investimentos e infra-estrutura, é certo que vão conseguir reduzir os custos da digitalização, acrescenta Benetton.
Para o dirigente do CPqD, é possível desenvolver modelos de negócios complementares entre radiodifusores e operadoras de telecomunicações. E no processo de digitalização da TV, é de indiscutível importância o papel do Estado, seja induzindo a complementaridade entre as partes, fiscalizando, estimulando uma competição saudável e não predatória. “Todas estas são questões ainda não respondidas”, finaliza Ricardo Benetton.

Anterior SET: padrão japonês é mais flexível
Próximos Celular a R$ 1 da BrT GSM