Operadoras querem plano especial só para internautas


13/04/2006 – Diante da divulgação, pelo Tele.Síntese Análise, de que a Anatel, para resolver o problema dos internautas na conversão da cobrança de pulso para minuto, nas ligações telefônicas locais, estaria preparando um plano obrigatório que manteria, na nova fórmula, as condições que vigoram hoje na cobrança por pulso, as operadoras locais já começam a …

13/04/2006 – Diante da divulgação, pelo Tele.Síntese Análise, de que a Anatel, para resolver o problema dos internautas na conversão da cobrança de pulso para minuto, nas ligações telefônicas locais, estaria preparando um plano obrigatório que manteria, na nova fórmula, as condições que vigoram hoje na cobrança por pulso, as operadoras locais já começam a se movimentar. Têm interesse, dizem elas, em encontrar uma solução rápida para o problema dos internautas. Mas querem que a solução que vier a ser proposta pela Anatel contemple apenas os usuários de dial up, ou seja, aqueles que usam a linha discada para acessar a internet e que, por fazerem ligações longas, seriam penalizados com a fórmula de conversão da cobrança de pulso para minuto.
“Se o governo decidiu adiar a conversão do sistema de tarifação, para não penalizar os internautas, a solução não pode fugir do foco. Se, além dos internautas, o plano vier a contemplar todas as ligações que duram mais de três minutos, no lugar de resolver o problema, ele será ampliado”, diz o executivo de uma operadora.

A preocupação das teles locais é de que a Anatel venha a propor um plano obrigatório que contemple todas as ligações superiores a três minutos. “Isso levaria a uma grande distorção da fórmula de conversão. Para fazer a conversão, que deveria ser neutra em relação à receita auferida pelas operadoras, ou seja a conversão não poderia nem prejudicá-las nem beneficiá-las, foi feita uma amostragem das ligações curtas, médias e longas e criado um algoritmo de conversão. Se, agora, forem eliminadas todas as ligações superiores a três minutos, a fórmula deixa de ter consistência e o trabalho terá que ser refeito”, pondera outro executivo. Caso contrário, diz ele, a conversão terá impacto negativo nas operadoras em relação à receita auferida pelas regras atuais. Isso porque, pelo método de conversão definido pela Anatel, as ligações inferiores a três minutos passariam a custar menos do que pela cobrança na forma de pulso, enquanto as ligações mais longas ficariam mais caras. Quanto maior a duração da ligação, mais o usuário iria pagar. Se todos esses usuários que falam mais que três minutos – e nem todos são internautas – continuarem pagando, na conversão, o que pagam hoje, as operadoras vão perder receita nas duas pontas. E esse prejuizo, dizem, não podem bancar, além de ferir os princípios de seus contratos de concessão. Até porque, lembra um executivo, 82% das ligações locais duram menos de três minutos. E das 18% que são superiores a três minutos, só 3% são de acesso à internet.

Qual o caminho?

Para Stael Prata, vice-presidente da Telefônica, o problema das ligações dial up é de fácil solução com a oferta de diferentes planos alternativos para atender a essa demanda específica. Ele chama de planos alternativos porque teriam um público-alvo, mas as concessionárias locais se comprometeriam, junto ao órgão regulador, a não descontinuar esses planos.
“Já temos as habilidades necessárias e competência técnica desenvolvida para tratar as ligações dial up como um universo segregado”, conta ele. Isso porque a Telefônica, desde maio de 2005, oferece aos assinantes dial up um pacote de acesso ilimitado à internet que custa R$ 29,90 mensais, além da assinatura básica. Nesse serviço, que se chama Internet Ilimitada ela tem, hoje, 160 mil assinantes, contra 1,3 milhão de usuários de banda larga.
 
A proposta que a Telefônica já vem discutindo com a Anatel é a montagem de um cardápio de planos alternativos para os assinantes dial up, de diferentes valores e franquias de horas de conexão.

A posição da Telefônica conta com o apoio das outras concessionárias locais, até porque todas elas, há mais ou menos tempo, também oferecem planos de assinatura flat para usuários dial up – todos custam R$ 29,90, têm acesso ilimitado e a única variação está na forma de usar esse acesso ilimitado. No plano da Brasil Telecom, última a lançar o serviço há pouco mais de um mês, o usuário não pode se conectar, a cada ligação, por mais de quatro horas, embora possa se conectar, várias vezes ao dia, por até quatro horas.

Na opinião de Luiz Tenório Perrone, vice-presidente da Brasil Telecom, a partir da experiência já colhida junto aos usuários de dial up será possível desenvolver diferentes planos, que atendam aos diferentes perfis de demanda, sem onerar esse tipo de usuário. “Temos interesse, tanto quanto o governo e a Anatel, em encontrar um bom caminho para atender ao usuário de dial up. Ninguém quer inibir a inclusão digital e o acesso à internet”, diz ele.

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