Operadoras não querem esperar a 5G para lucrar com IoT


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As quatro principais operadoras de telefonia móvel do Brasil estão investindo no desenvolvimento de produtos em internet das coisas. Todas acreditam que o mercado tem um enorme potencial, precisa ser explorado já, e concordam que não existe razão para esperar a chegada das tecnologias de quinta geração de rede móvel para desenvolver produtos.

Esta foram as posições manifestadas durante a 50ª edição dos Encontros Tele.Síntese, realizado hoje, 17, em São Paulo. O evento debateu a evolução do ecossistema de IoT no país.

“A gente não precisa de 5G para a maioria das aplicações de IoT. A quinta geração será essencial para as aplicações de baixíssima latência, como os carros autônomos, que ainda estão muitos anos distantes da realidade brasileira devido a diversos fatores, inclusive a condição de nossas estradas”, disse Eduardo Polidoro, diretor de IoT e M2M da Embratel, do grupo Claro Brasil.

O executivo lembra que, para a quase todas as aplicações com modelo de negócio já considerado viável, a quantidade de dados trafegada e a banda de rede exigidas são pequenas. “Para a maioria das soluções, a gente não precisa de latência crítica. E em caso de necessidade de banda, mostramos que o LTE com agregação de portadoras consegue se aproximar do gigabit por segundo”, ressaltou.

Na Oi, a percepção é a mesma. “Acho natural que em um momento de retração de mercado, de crise, as fornecedoras queiram vender suas novas tecnologias. Mas não vejo, no curto prazo, nenhum movimento de adoção da 5G motivado pelo uso de IoT”, comentou.

Debora Bortolasi, diretora de produtos e inovação B2B da Telefônica Brasil, também não vê motivos para aguardar a 5G ser padronizada para lançar produtos de internet das coisas: “A gente já tem a tecnologia necessária disponível, não é preciso esperar”.

Harding Leite, executivo recém-contratado pela TIM para liderar a nova divisão de IoT e M2M da tele, vai pelo mesmo caminho. “O que vemos hoje é que a base 2G já atende a muitas da aplicações em internet das coisas. E o LTE vem crescendo, com a definição das tecnologias NB-IoT e LTE-CatM1”, frisou.

B2B

Outro consenso entre as operadoras é como ganhar escala e subir na cadeia de valor da IoT. Todas apostam as fichas no mercado corporativo antes do mercado consumidor. Pesquisa da consultoria Machina Research justifica a opção: 81% das empresas vão implementar um projeto de IoT nos próximos dois anos, e 45% dos gastos de TI serão consumidos em IoT, no mundo.

Na Telefônica, a IoT segue o movimento da matriz europeia. O grupo espanhol já tem contratos importantes em diversos países. É responsável pela conexão de 61 milhões de smartmeters no Reino Unido, um contrato com duração de 15 anos e que vale € 1,5 bilhão. Também é quem conecta os carros da fabricante automotiva Tesla, com captura de dados em tempo real, na Espanha, na Alemanha e no Reino Unido. Tem, ainda, acordo com a Nestlé, na vertical de indústria 4.0, para fazer a gestão da cadeia produtiva.

A TIM vem explorando principalmente o modelo de big data e analytics para estruturar seus negócios em IoT. Quer aproveitar o conhecimento que os dados expõem para oferecer soluções nos mercados mais interessantes. A intenção é criar algo diferente do que está sendo feito pelas demais, em formato B2B2C, ou seja, viabilizar que empresas usem seus serviços para lançar produtos para o consumidor final.

“A IoT requer um mindset de empreendedorismo: experimentação, conhecimento, parceria, resiliência e energia. Estamos fazendo aplicações internas, mas buscamos o desenvolvimento de soluções com parceiros. A ideia é trazer o hype da IoT para o chão e encontrar a rentabilidade”, disse Harding Leite.

Startups

Para viabilizar a IoT, Telefônica, TIM e Oi querem descobrir os próximos unicórnios – aquelas startups capazes de se tornar gigantes no futuro. A Telefônica tem a iniciativa Open Future, que através da unidade Wayra, oferece incubação e mentoria a startups. A TIM fechou, em 2016, acordo com a Cubo para apoiar empresas inovadoras. E a Oi lançou este ano o Oito, um espaço povoado por novas empresas de tecnologia, no Rio de Janeiro.

Até lá, todas trabalham como podem em cima da base que possuem. A Oi, por exemplo, já tem contratos com prefeituras do Nordeste no segmento de smart cities, fornecendo a análise de dados de deslocamento em massa das pessoas. Mas admite que o negócio ainda é embrionário. “Estamos em fase de prototipação da nossa IoT. A gente procura desenvolver e aplicar em casa antes de levar ao mercado”, contou Luiz Carlos Faray, diretor de TI B2B da Oi.

No momento, a tele está usando solução de gestão de frotas, telemetria de ativos, rastreamento indoor. Produtos que, acredita, têm potencial nos mercados de logística, saúde, varejo.

Do carro ao gado

A Embratel já desenhou os modelos de negócio que vai atacar em IoT. A empresa tem contrato com a Chevrolet (e outras empresas automobilísticas) no Brasil para gestão da frota conectada. Tem uma parceria com a startup Urbano Eco, prestes a estrear em SãoPaulo, e que vai operar um sistema de compartilhamento de carros elétricos em regiões da capital paulista.

Acredita em uma solução de gerenciamento de elevadores, capaz de orientar a manutenção preditiva. Tem também produtos para o consumidor final. Como caixas de comprimidos que lembram o usuário de tomar o remédio. Em agricultura, tem solução de monitoramento de rebanhos, inclusive do cio das vacas.

E ainda quer ser a operadora capaz de localizar os chips de soluções IoT importadas que precisam operar no Brasil. “A gente já aderiu à padronização do Subscription Manager da GSMA, que permite alterar, over the air, a ligação de um e-SIM de uma operadora paa outra. A gente pode fazer essa troca para o cliente”, concluiu Polidoro.

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