Operadoras móveis querem as mesmas regras que valem para OTTs


mobile 360 series-logo“Mesmo serviços, mesmas regras”, defendeu Tom Philips, diretor regulatório da GSMA. Na medida em que o serviço móvel se desprende da camada só de conexo para prover serviços de saúde, de educação, de finanças, de cultura e lazer, ele precisa, para ser inovador e competir em condições de igualdade, de estar submetido às mesmas regras das demais indústrias que proveem serviços similares. Seu posicionamento foi acompanhado por executivos de oeperadoras, como Rodrigo Abreu, presidente da TIM Brasil, e Juan Abellan, diretor executivo da Telefónica Hispano América Norte, que também participaram do painel sobre inclusão digital que abriu os debate do Mobile 360 Series, que se realiza no Rio de Janeiro.

Abreu disse que a indústria móvel quer competir, mas tem de competir em condições de igualdade com as OTTs, provedoras de conteúdo e aplicações para a internet. Em entrevista, após os debates, que a simetria que a indústria pede não é que as OTTs participem de investimentos em infraestrutura, mas que as operadoras móveis tenham a mesma liberdade de movimento que hoje têm as OTTs. Ou seja, acesso aos dados dos usuários dentro das mesmas regras, com respeito à privacidade e à segurança. “Hoje, a maior fonte de receita das OTTs é o perfil de informações que coleta de seus usuários. Pela regulação, as operadoras não podem fazer isso. Qualquer start up que desenvolve uma aplicação, tem possibilidade de mais acesso a dados dos usuários do que uma operadora que é quem fornece serviços diários a esse mesmo usuário. Sem regras iguais, não vai ser possível acompanhar o ritmo necessário de investimentos nas redes, que aumenta na medida em que aumenta o consumo de dados”, disse. Abellan, em sua apresentação bateu na mesma tecla, insistindo em que as celulares precisam garantir a rentabilidade para manter os investimentos.

Perfil do usuário
Os desafios da inclusão digital na América Latina só serão superados com a oferta de serviços adequados ao perfil do usuário que, me sua maioria, é um usuário de baixa renda. E o caminho para a inclusão digital é o uso da banda larga móvel, pois a cobertura móvel já atinge 90% da região, de acordo com os dados apresentados pela GSMA. “Nosso usuário é um usuário que consome 20 centavos de dólar por dia. 90% são pré-pagos. Teremos sucesso na medida em que oferecermos serviços que atendam as suas necessidades”, disse Juan Calvo, da Nuevatel Bolívia. A atenção aos desejo e possibilidades dos usuários é um dos motivos, segundo Jose Perdomo, da Tigo do Paraguai, do sucesso que vem obtendo sua operadora, uma nova entrante em alguns países da América Latina. Segundo ele, a operadora observou que o valor do WhatsApp é mais facilmente percebido pelo usuário do que o do YouTube. Mas à medida em que vai usando uma aplicação tende a começar a consumir uma outra, ou seja, passa do WhatsApp para p YouTube. “O avanço da inclusão digital depende de uma cooperação entre governos, operadoras, OTTs”, apontou.

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