“Operadoras lutam batalha perdida”, diz criador do app Preguntados


As operadoras têm pouca relevância para os desenvolvedores de apps e não têm capacidade de atraí-los para plataformas próprias. A avaliação é de Maximo Cavazzani, CEO da Etermax, criadora do game Preguntados, baixado 160 milhões de vezes nas lojas online e com 20 milhões de usuários diários.

“Hoje não temos nenhuma relação com operadoras. A relação é forte com Google, Apple e Amazon. As teles estão perdendo mercado e tentam alternativas, mas lutam uma guerra perdida”, disse. O executivo participou do evento Tela Viva Móvel.

Segundo ele, algumas operadoras já propuseram formas de monetizar seus aplicativos, mas as ofertas não eram nem de longe tão atraentes quanto as condições oferecidas por Google e Apple em suas lojas online. “A Movistar [Telefónica] propôs que nossos usuários fossem capazes de comprar itens nos jogos por meio da plataforma de billing da companhia. Mas não fazia sentido”, explica.

Para o desenvolvedor, se a oferta fosse levada a cabo, seriam dezenas de milhares de usuários, enquanto manter as cobranças por meio das lojas de apps resulta em público de milhões de pessoas. Isso inviabiliza o surgimento de novas lojas de aplicativos. “As app stores estão estabelecidas. Temos das duas principais [Google e Apple], a da China, que é um mercado à parte, e a loja do Windows, que é boa. Todas as demais alternativas, inclusive a Amazon, estão perdidas para mim”, avalia.

Brasil no mundo


Fabrício Bloisi, CEO da Movile, cobrou uma postura mais ágil e bem-informada dos desenvolvedores brasileiros. “Recebemos propostas de apps em que o desenvolvedor não estudou mercados estrangeiros. O mercado mobile é gigantesco, mais 3,5 bilhões de pessoas vão se conectar nos próximos anos”, avalia.

Ele mostrou o case do Playkids, app traduzido para sete línguas, considerado o mais rentável na categoria kids em 30 países e número um em downloads nesta categoria em todas as lojas, para exemplificar como gerir o desenvolvimento de olho no mercado global. “Distribuir produtos globalmente é uma oportunidade incrível. É um absurdo não aproveitarmos essas oportunidades na América Latina. Não criamos o Playkids para ser um produto brasileiro. A monetização no exterior é muito maior”, ressalta.

Para sustentar o ritmo, é preciso capital. A empresa recebeu um aporte de R$ 125 milhões recentemente da Naspers, e já estuda novas rodadas. “Investimos cerca de R$ 1 milhão por semana em pesquisa. Fazemos testes remotos. Contratamos profissionais de grandes players, como Apple, Netflix e Disney. Buscamos referência nos grandes e melhores competidores”, afirmou. O resultado é que, somente no Playkids, crianças leem 1 milhão de livros todos os dias, segundo o executivo. O app já foi baixado mais de 10 milhões de vezes.

Dennis Wang, co-CEO do Easy Taxi prece concordar. Criada em 2011, a Easy Taxi hoje atua em toda a América Latina e em países da África, Oriente Médio e Ásia. “Mapeamos o mercado mundial antes de expandir. E nos adaptamos à cultura local. Na Arábia Saudita, por exemplo, 75% do público é feminino porque as mulheres não dirigem e não podem sair de casa desacompanhadas”, diz. Segundo ele, ainda há bastante espaço para crescer. “Em São Paulo, dois terços das pessoas não usam, ainda, o app de taxi”, conclui.

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